Regra da FIFA barra bolsas de luxo das Wags nos estádios da Copa do Mundo
Rígido protocolo de segurança limita o tamanho de acessórios nas arenas e inviabiliza modelos clássicos de grifes como a Hermès; entenda o impacto nos looks para o jogo Brasil x Haiti
O Brasil entra em campo na próxima sexta-feira (19), pela segunda rodada da Copa do Mundo. A partida contra o Haiti na Filadélfia, nos Estados Unidos, promete mais um desfile de moda das Wags (Wives and Girlfriends), as esposas e namoradas dos jogadores de futebol.
Porém, assim como na estreia da seleção brasileira no mundial, elas precisam lidar com um problema na hora de compor o look: a limitação do tamanho das bolsas. De acordo com as diretrizes de segurança da Fifa para o acesso aos estádios, os limites são rigorosos quanto ao tamanho das bolsas e acessórios. Segundo o regulamento da competição, os torcedores podem portar bolsas transparentes de até 30 centímetros de largura e profundidade por 15 centímetros de altura. Já os acessórios sem transparência precisam obedecer a limites ainda mais rígidos: no máximo 11,4 centímetros de largura e 16,5 centímetros de altura.
A justificativa oficial é reforçar a segurança e agilizar o acesso do público.
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Ou seja, na prática, a restrição inviabiliza o uso da grande maioria dos modelos clássicos da grife Hermès, queridinhas das Wags. Entre as versões mais cobiçadas da marca, apenas a Kelly Mini se enquadra nas dimensões máximas permitidas pela entidade. A exigência pegou de surpresa consultores e entusiastas da moda, que precisaram readequar os looks e as combinações planejadas para os dias de partida na Copa do Mundo.
Para Tamara Lorenzoni, estrategista de marcas com atuação internacional e especialista em mercado de luxo, a medida traz reflexos que ultrapassam a questão operacional. "Quando símbolos de status deixam de ocupar o centro da cena, a atenção volta para aquilo que realmente sustenta o valor de um evento: sua narrativa. A decisão da FIFA não trata apenas de segurança. Ela também estabelece quais elementos devem ocupar os holofotes durante o espetáculo”.
Nos últimos anos, o entorno dos jogadores de futebol passou a atrair uma atenção midiática que rivaliza com o protagonismo dos próprios atletas. As produções, escolhas de acessórios e peças de luxo usadas por esposas, namoradas e familiares nas arquibancadas frequentemente repercutem tanto quanto os desdobramentos técnicos e lances dentro de campo.
Na avaliação de Tamara, esse fenômeno acabou criando uma disputa silenciosa por visibilidade: "O luxo genuíno nunca dependeu da exibição constante. Ele está ligado à presença, à raridade e à capacidade de comunicar valor sem excessos. Quando tudo vira vitrine, aquilo que é realmente singular perde parte da sua força”.
A especialista observa que muitas marcas ligadas ao mercado de alta exigência vêm reduzindo exageros visuais e recuperando códigos mais discretos de reconhecimento. "A discrição voltou a ocupar um lugar importante. Existe uma valorização crescente daquilo que não precisa ser mostrado o tempo todo para ser percebido”.
O tema surge em uma Copa fortemente marcada pelas redes sociais, onde imagens dos bastidores circulam com a mesma velocidade dos acontecimentos dentro de campo. "Quanto maior a exposição, mais raro se torna aquilo que permanece reservado. O desejo continua associado à raridade. Essa lógica vale para marcas, para pessoas e também para grandes eventos”.
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