De Jacquemus a Ricardo Almeida: Especialista paraense destrincha os looks das seleções para a Copa
Entenda como grandes marcas redesenharam os uniformes oficiais da comissão técnica e dos jogadores, misturando a tradição da alfaiataria com a modernidade do sportswear e a estética Old Money
As seleções de futebol do mundo estão desembarcando esta semana nos Estados Unidos, Canadá e México, locais que serão palco da Copa do Mundo de 2026. Entre tendências e conforto, a escolha das peças tem ganhado repercussão nas redes sociais. São 48 seleções na disputa pela taça e dezenas de oportunidades de conferir looks de alto luxo sendo usados por milhares de jogadores.
O planejamento das vestimentas dividiu os conjuntos em duas propostas visuais distintas criadas por Ricardo Almeida. O primeiro figurino, direcionado para os integrantes da comissão técnica, foi desenvolvido a partir de moldes da alfaiataria tradicional, composto por paletó, calça social, camisa estruturada e gravata.
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O segundo conjunto, destinado aos atletas, recebeu elementos contemporâneos em sua composição. O estilista substituiu o blazer convencional pelo caban, um modelo de casaco historicamente associado ao vestuário de marinheiros. No segmento da moda, essa peça foi adaptada com o passar do tempo para atuar como uma jaqueta de caimento maleável, sem a presença de ombreiras marcadas.
“Nos uniformes temos uma alfaiataria moderna, mais contemporânea, mais fresca. Essa cor foi criada especialmente para fazer esses uniformes; ela é uma cor sóbria e traz essa autoridade. Achei muito legal porque, apesar de eles estarem todos iguais, eu gosto do corte mais curto dos casacos, das jaquetas utilitárias. E o tecido é um tecido leve, que eles conseguem incrementar de acordo com os seus estilos, com bolsas muito chamativas, colares enormes, bonés, brincos e acessórios que fazem parte dessa composição do styling. Então, é um look neutro com o qual eles podem brincar”, explicou o paraense Neto Navarro, criativo multidisciplinar que atua como stylist, maquiador e diretor criativo, que está há mais de 3 anos na Europa.
De acordo com o profissional, Ricardo Almeida seguiu uma linha superminimalista e monocromática, trocando aqueles ternos rígidos por uma peça mais utilitária, quase uma shacket bem estruturada, que deixou o look muito mais fluido e moderno.
Outra coleção de uniformes que atraiu os olhares de quem acompanha de perto as tendências de moda foi a da seleção francesa em colaboração. Assinada pelo designer Simon Porte, fundador da grife de luxo Jacquemus, a linha de peças teve como ponto de partida a memória afetiva do estilista: um antigo agasalho azul-marinho da Nike que ele usava na infância. De acordo com o criador, tratava-se de "uma peça simples e poderosa que incorporava o espírito de um uniforme". O acervo desenvolvido une o esporte à alfaiataria, incluindo itens que vão desde shorts, agasalhos, jaquetas e tênis até gravatas e mocassins.
“Simon sempre traz essa nostalgia. Então o nome da coleção é Les Bleus by Jacquemus, cuja tradução literal para o português é "os azuis”. Como traz essa nostalgia e essa conexão com a emoção, a coleção sempre vai te levar para algum lugar. O styling também aí foi muito importante porque ele usa o sportswear de uma forma diferente, o que apresenta uma conexão com os Estados Unidos, onde nas escolas preparatórias os adolescentes usam muito essas roupas, com sobreposições, suéter gola V, mocassim e oxford; eles tiram essa do sportswear e levam para um outro lugar, no qual tu consegues transitar nos ambientes. Acho que isso foi uma sacada muito boa, coisa simples e poderosa, está chique. O styling traz essa sofisticação preppy ao misturar peças esportivas com camadas, que dão um ar muito mais urbano e autoral ao conjunto."
O uniforme da Croácia, feito pela Mackage, trouxe um cuidado com o visual "off-field", ou seja, o que os jogadores vestem fora de campo. O foco aqui é uma alfaiataria bem urbana, com risca de giz e gravatas, mostrando como eles conseguem manter a tradição do tabuleiro croata em um contexto de moda premium.
“Nessas peças, eles vão para o mesmo caminho de apresentarem elementos com mais luxo, aliado à alfaiataria mais clássica, só que de uma visão mais atual, como se fosse lifestyle luxuoso. Na estética preppy, que citei acima, mas muito focados também no Old Money (estética clássica e atemporal), em que aí eles trazem mais essa identidade forte para fora do campo”, finaliza Neto Navarro.
A cobertura O Liberal na Copa envolve todos os veículos do Grupo Liberal, com dezenas de profissionais comprometidos em divulgar as notícias do evento. O projeto tem patrocínio da Agropalma.
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