Reduto: o motor da economia na fundação de Belém

Bairro já serviu para a defesa da cidade, para o desenvolvimento industrial, para organização política de trabalhadores e hoje é centro comercial

Victor Furtado

O bairro do Reduto é um dos mais antigos de Belém. E está intimamente ligado com o desenvolvimento econômico da cidade. Foi uma pedaço da cidade onde se concentravam trabalhadores e pessoas pobres. Foi o local escolhido por empresários para a operação de fábricas diversas. Porém, esse não era o perfil original da área, projetada para ser uma estratégia de defesa, em meados do século XVIII.

Diego Pereira, historiador e coordenador do curso de História da Unama, considera a fundação do Reduto uma das origens mais interessantes entre os bairros de Belém. Considera que, curiosamente, não é um bairro tão comentado quanto o Umarizal em termos de valor histórico e cultural. Ainda restam alguns traços do passado pelas ruas, como os imóveis e o perfume da fábrica da Phebo.

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No século XVIII, no reinado português de dom José I, o governador do Grão-Pará e Maranhão — que hoje são os estados que todo brasileiro já conhece — era o marquês de Pombal, Sebastião José de Carvalho e Melo. Naquele período, se pensava na necessidade de expandir o desenvolvimento da cidade, além dos bairros da Cidade Velha e da Campina. O rei e o governador então criaram a Comissão Demarcadora de Limites, formada por engenheiros, geógrafos e ambientalistas.

Em 1751, a área que hoje é o bairro do Reduto era um terreno alagado, com igarapés, pontua Diego. Ali, para reforço na defesa já estabelecida com o Forte de São Pedro Nolasco, deveria ser construído um "reduto", um posto de vigilância. O reduto era uma construção pequena, que ficava ao lado do convento dos capuchos de Santo Antônio. A função da edificação era estritamente militar. Mas o nome ficou. Originalmente, o bairro se chamava Reduto de São José, ressalta Diego.

 

As fábricas e os trabalhadores que movimentaram a economia

Pouco a pouco, o bairro começou a ser ocupado. Antes, havia duas docas: além da Doca Visconde de Souza Franco, havia a Doca do Reduto. Essa posição estratégica próxima das águas, foi interessante para empresários. Perceberam as vantagens de criar fábricas ali. E foi assim que várias começaram a surgir. E o bairro, entre o final do século XIX para o início do século XX, passou de uma estratégia militar a um bairro industrial.

A fábrica da Phebo, inaugurada na década de 1930, marcou a presença do Pará no cenário nacional e internacional de perfumaria (Akira Onuma / Redação Integrada de O Liberal)

Entre algumas das fábricas mais conhecidas, cita o historiador, está a Pará Eletric, que ajudou no processo de iluminação de Belém. Outras que ele considera importantes são Amazônia Sabão (Soares Carvalho), a oficina de carpintaria (Manoel Caniceiro da Costa), fábrica a vapor (Fulgência Santos e Companhia União), fábrica do Mosaico Paraense, fábrica do Cimento Paraense Pinheiro Filho. A mais antiga é a fábrica Perseverança (em 1895, possivelmente uma raiz para a Fábrica Esperança) e a fábrica da Phebo (a partir de 1930).

 

Memória da Belém do passado é forte no Reduto

"O bairro do Reduto serviu bem aos interesses do processo de urbanização da cidade, sobretudo no período da borracha. Ainda hoje há muitos galpões e fábricas. Hoje em dia, o perfil socioeconômico dos moradores da área é de padrão mais alto, mas já foi uma área onde moravam pessoas pobres e trabalhadores. Também foi um centro político. Alguns imóveis resistem à especulação imobiliária", analisa o Diego Pereira.

Alguns imóveis do bairro do Reduto ainda mantém as características do Ciclo da Borracha (Akira Onuma / Redação Integrada de O Liberal)

Atualmente, o perfil do bairro mudou novamente e é mais uma área comercial e de entretenimento. Um dos principais símbolos desse perfil é um shopping de grande porte. Mas ainda há uma quantidade considerável de moradias. No último censo, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o bairro apresentou cerca de 6,4 mil habitantes. Claro, há outros pontos turísticos e símbolos históricos.

Um dos maiores shopping centers da cidade caracteriza o perfil social, econômico e cultural do Reduto nos dias de hoje (Akira Onuma / Redação Integrada de O Liberal)

"Se fala muito como se fosse o Reduto não fosse um bairro que pertence ao Centro Histórico de Belém, mas nas estruturas do bairro está uma memória muito forte dos séculos XVIII e XIX, não tão mencionadas como em outros bairros. É necessário conscientizar, educar e cuidar de tudo isso. E para uma Belém do futuro, é importante cuidar da população de rua e dos índices de violência", conclui o historiador.

Belém
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