Conheça a história da Pedreira, o bairro do samba e do amor

Título foi dado por Eneida de Moraes, que dá nome à praça mais icônica do bairro

Victor Furtado / Redação Integrada

Antes de ser o bairro do samba e do amor, a Pedreira se chamava Pedreira do Guamá. Isso porque o território, que hoje é repleto de comércios e residências, antes era uma área cheia de pedras, segundo a memória popular. Até se tornar uma referência geográfica de cultura e resistência política, foi um espaço de desembarque de soldados imperiais para combater os rebeldes da Cabanagem. O nome do intendente Antônio Lemos é lembrado quando se pensa em como o bairro se tornou o que é hoje.
 
A Pedreira, junto com o bairro do Marco, foi uma área planejada para expansão nos anos futuros. Eram os planos do intendente Antônio Lemos para transformar Belém numa cidade com ares de desenvolvimento europeu. Queria a capital como uma "Paris n'América". E nesses bairros implantou uma marca de seus projetos de urbanização: vias largas, calçadas e arborização intensa. Apesar de algumas mudanças ao longo do tempo, ao menos as principais vias da Pedreira e do Marco mantêm esse desenho.
 
Quem deu à Pedreira o título de "bairro do samba e do amor" foi a escritora, jornalista, ativista política, poeta e carnavalesca Eneida de Moraes. Isso porque ela via a Pedreira como uma área pulsante de arte, cultura, militância, liberdade e humildade dos moradores não tão ricos de Belém, que habitavam Nazaré e Batista Campos, por exemplo.
 
Essa caracterização simbólica rendeu a Eneida uma homenagem: uma praça que leva o nome dela, no encontro das avenidas Pedro Miranda e Alcindo Cacela. Por sinal, Pedro Miranda, que dá nome à principal via do bairro, foi um músico, cantor e ator carioca, ligado ao samba também.
 
Claro, assim como em outros bairros antes considerados periféricos, houve uma mistura dos perfis socioeconômicos da população, como observa o professor e coordenador do curso de História da Unama, Diego Pereira. O processo de verticalização da cidade, com terrenos e imóveis a preços atraentes, atraiu classes emergentes.
 
Pelo censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2010, o bairro tinha mais de 69 mil habitantes. Hoje, visualmente, o bairro indica disparidades de desenvolvimento urbano, com áreas muito estruturadas e outras ainda precárias.
 
Apesar de uma área tão intensamente residencial, o comércio é que chama a atenção. O bairro é um centro de lojas de diversos segmentos, de vestuário a farmácias, de supermercados a feiras, além de bancos, academias, salões de beleza... Entre as décadas de 1940 e 1960, o bairro estava em ebulição de comércios e serviços.
 
O Mercado Municipal da Pedreira é um ponto de destaque para o professor Diego pela diversidade de segmentos agregados. Lá próximo havia dois cinemas: o Cine Rex (depois chamado de Cine Vitória) e o Cine Paraíso. Havia vários bares onde concentravam políticos e intelectuais da época.
 
O empreendedorismo é uma marca pedreirense. Tanto quanto o samba do Império Pedreirense, uma das agremiações carnavalescas mais tradicionais de Belém. Houve um momento em que o bairro sediou grandes bailes carnavalescos.
 
Pelo espaço nas vias largas é que foi projetada a Aldeia Cabana, em homenagem aos revolucionários da Cabanagem. Era a ideia de dar a Belém um sambódromo tal qual do Rio de Janeiro ou de São Paulo. Houve um tempo em que se considerava que o carnaval belemense era o melhor do país. Esse título ficou no passado.
 
A própria estrutura, hoje chamada de Aldeia de Cultura Amazônica Davi Miguel, foi perdendo o caráter carnavalesco. Hoje, praticamente, não sedia nenhum grande evento para a qual foi projetada. "Já foi um bairro onde ocorriam grandes festas, eventos e serviços culturais", lembra Diego.
 
Nem sempre de vias largas a Pedreira foi composta, informa o historiador. O bairro, no momento de expansão, foi repleto de rios e igarapés. Hoje, esses cursos de água sãs as travessas que cortam as vias principais. Alguns canais são remanescências desse hidrografia. "Hoje, a Pedreira é um bairro de intensa especulação imobiliária, interesse e desigualdades. Mas possui uma funcionalidade fundamental para a mobilidade urbana", conclui o professor.
Belém
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