Praça da República foi um cemitério? Entenda a história de um dos maiores cartões-postais de Belém
No aniversário de 410 anos de Belém, conheça a verdadeira história da Praça da República. Lenda conta que ali teria funcionado como um antigo cemitério, mas não é bem assim
A Praça da República, um dos principais pontos turísticos e culturais de Belém, guarda uma trajetória marcada por transformações, curiosidades históricas e até equívocos que atravessaram gerações. Em meio às comemorações pelos 410 anos da capital paraense, celebrados nesta segunda-feira (12), o espaço se destaca como símbolo vivo da memória urbana da cidade.
Localizada no coração de Belém, a praça é hoje ponto de encontro de moradores e turistas, além de palco para manifestações culturais, feiras e eventos. No entanto, antes de se tornar o cartão-postal conhecido atualmente, o local passou por diferentes fases ao longo dos séculos.
De armazém de pólvora a espaço público
Antes de abrigar construções icônicas como o Theatro da Paz e o Teatro Experimental Waldemar Henrique, a área onde hoje é a Praça da República já teve funções bem distintas. No período colonial, o espaço foi conhecido como Largo da Pólvora, por abrigar um armazém destinado ao armazenamento de pólvora, essencial para a defesa da cidade.
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Com o passar do tempo, o local ganhou novas configurações e nomes, como Praça Dom Pedro II, até receber a denominação atual. Praça da República é uma referência à mudança do regime político brasileiro da monarquia para a república. O nome veio acompanhado da construção de um monumento simbólico, cujas estátuas representam o nascimento da República no Brasil.
Praça da República foi um cemitério?
Um dos mitos mais difundidos sobre a Praça da República é a ideia de que o local teria funcionado como um antigo cemitério. No entanto, historiadores esclarecem que a praça nunca foi um cemitério oficial.
Segundo o historiador Márcio Neco, o que existiu foi um pequeno espaço de enterramento nas redondezas, próximo ao antigo Largo da Campina, na área onde hoje há uma loja de departamentos, nas proximidades do Bradesco e do Cine Olímpia. O local era conhecido como Rua do Cruzeiro das Almas.
“Ali eram enterradas poucas pessoas, geralmente excomungados ou aqueles que não pertenciam a nenhuma irmandade religiosa”, explica o historiador.
Ou seja, não se tratava de um cemitério regular, mas de um espaço marginal, reservado a indigentes, escravizados e pessoas excluídas das práticas religiosas da época.
(Riulen Ropan, estagiário de Jornalismo, sob supervisão de Vanessa Pinheiro, editora web de oliberal.com)
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