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Conheça as belezas de João Pilatos, uma das doze ilhas da região insular de Ananindeua

Os moradores não precisam de muito para viver bem: ar puro, casas simples, duas igrejas, um rio e um campo de futebol

Daleth Oiveira

Cerca de 40 minutos de barco separam os moradores de João Pilatos de Ananindeua, uma das doze ilhas da região insular da cidade metropolitana. Localizada no extremo norte do município, o lugar onde a natureza permanece praticamente intacta, cerca de 240 habitantes vivem em harmonia com o meio ambiente, usufruindo de um ar puro, da terra boa para o cultivo e águas de onde jorram lazer, alimento e renda.

Eles não precisam de muito para viver bem: casas simples, duas igrejas, um rio e um campo de futebol; para André Silva, isto é o suficiente para não querer sair da ilha para morar em uma cidade grande. Ele conta que trabalha com construção civil em Belém e por isso, já teve proposta para se mudar para a capital paraense, entretanto, não abre mão da vida tranquila com a família.

“Eu já tive proposta de morar em Belém, devido trabalhar lá, mas aqui eu vivo no meio da minha família, e isso pra mim já está de bom tamanho”, conta. Ele pondera ainda que o sossego que se encontra em meio à natureza, é o que torna o lugar ideal para criar seus filhos.

André Silva de Souza não planeja sair da ilha para morar em uma cidade grande (Sidney Oliveira)

“O maior benefício de se viver aqui é a tranquilidade, é viver bem, com a natureza, deixar meus filhos brincar, correr, sem perigo de violência, o que é muito difícil de se ter hoje em dia, mas aqui a gente ainda usufrui desse sossego e contemplar essa natureza. Aqui eles crescem livres para brincar. Eu consigo sair de manhã para trabalhar e meus filhos ficam aqui, não tenho temor de nada, isso é a melhor coisa pra mim”, finaliza.

Saúde que vem da terra

Com um solo fértil, a comunidade planta seu próprio alimento e não depende da região continental para consumir frutas, verduras e legumes. Lucival Coelho trabalha com agricultura familiar, abastecendo os moradores da ilha. “Há décadas que vivo aqui, vejo as pessoas produzindo os produtos agrícolas de subsistência. É um benefício que a gente tem porque assim, nosso alimento é todo natural. Temos observado que esses produtos são essenciais para nossa saúde”, conta orgulhoso.

Agricultura familiar faz parte da cultura dos moradores (Sidney Oliveira / Oliberal)

Ele é outro que não faz questão de viver mais próximo da cidade. Para ele, até o clima mais fresquinho é motivo para amar a ilha. “Eu amo morar nas ilhas, aqui tenho ar condicionado natural, a noite faz um frio que as pessoas que vivem na cidade grande não conhecem. Fora que as pessoas crescem longe das drogas, prostituição, violência, os jovens aprendem a se relacionar com o meio ambiente desde cedo. A selva de pedras pra mim está longe, nem sonho em sair daqui”, declara.

Pensando em fortalecer atividades como a do seu Lucival, a Prefeitura de Ananindeua informou que planeja contribuir com o turismo e geração de emprego e renda nas comunidades que possuem como base a agricultura e a pesca. De acordo com a gestão municipal, já foi realizado o cadastramento de pelo menos 102 agricultores rurais.

Mulheres do açai 

Além de cultivar e consumir o próprio açaí, a ilha de João Pilatos também envia para Belém e Ananindeua. O que pouca gente sabe, é que a mão de obra dessa economia do fruto é feminina. Com a maioria dos homens trabalhando em outras cidades, as mulheres apanham e batem o açaí.

Cândida Souza é uma dessas mulheres. Ela tem 29 anos e cresceu em uma família que trabalha com açaí e desde pequena, pegou gosto pela atividade. “É uma cultura familiar, eu apanho desde sempre e gosto de apanhar açaí. Meu pai apanhava muito, acho que puxei pra ele. É uma coisa difícil, mas pra mim é um lazer”, conta entusiasmada.

Na família de Cândida, o açaí é o principal sustento. Os pais cultivam, ela apanha e sua irmã, Eliete, bate. “Nós apanhamos para consumo próprio, batemos também, vendemos o litro, a lata do fruto. É uma fonte de renda. Quando está na safra, conseguimos receber bem, é uma alegria”, revela.

O rio é a rua dos moradores (Sidney Oliveira / O Liberal)

Segundo a Associação dos Moradores da Comunidade, as mulheres são a maioria em todo o trabalho de agricultura. “Com os esposos trabalhando fora, elas ficam em casa trabalhando em horta e quando está na época do açaí, elas também trabalham. Isso é bom porque cria oportunidade de renda não só para os homens, mas para as mulheres também”, diz Elizângela Silva, presidente da entidade.

Potencial turístico 

As belezas naturais da ilha é um trunfo para a Prefeitura de Ananindeua que pretende colocar a região no mapa do turismo nacional. Jefferson Oliveira, turismólogo da Prefeitura, conta que João Pilatos e demais ilhas, tem potencial de atrair pessoas de fora, fomentando a economia da comunidade. “A região das ilhas oferece lazer, receptividade e hospitalidade que os moradores têm, além dos rios que cercam as ilhas. Não só quem é de Ananindeua não conhece, como também a região metropolitana, mas todos precisam conhecer”, comenta.

Comunidade tem o hábito de sentar-se na frente de casa (Sidney Oliveira)

Para o especialista, a ilha não necessita de uma grande estrutura para receber turistas, mas que a simplicidade de suas casas e costumes ribeirinhos são os principais atrativos. “Não precisa de muito. As pessoas vêm para ilha apenas para contemplar a natureza e refletir olhando para o rio; isso é turismo. Os moradores estão começando a entender que a própria casa é um bom local para receber os visitantes, não sendo necessário, de imediato, termos um hotel. A partir do momento que esse morador oferece um café da manhã, um quarto e o seu espaço para um turista, ele pode negociar uma diária com esse visitante. E esse turismo já gera renda”, finaliza.

Palavras-chave

Ananindeua
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