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Banda Toró-Açu eterniza histórias do Quilombo de Abacatal através da música

Misturando ritmos regionais e africanos, o primeiro EP do grupo que nasceu no Quilombo de Abacatal, em Ananindeua, chegou às plataformas digitais nesta quinta-feira (30)

Daleth Oliveira

“É onda de maresia, é braço de rio que passou, Abacatal Uriboca, negro que sempre lutou”, esses são os versos que abrem o primeiro EP entitulado “O Caminho das Pedras”, da banda Toró-Açu, formada por filhos do Quilombo do Abacatal, em Ananindeua. Mais que músicas, as sete faixas lançadas em todas as plataformas digitais nesta quinta-feira (30) contam e eternizam histórias de luta e resistência de 311 anos da comunidade.

Nascida do ventre da resistência quilombola, a banda foi formada no ano de 2016, trazendo consigo o objetivo maior de propagar, através de canções, a origem e heranças culturais através de ritmos regionais, como o carimbó, barravento, lundu, entre outros tambores, diz o cantor e compositor, Paulo Otas.

“Nós somos uma banda de ritmos afro-brasileiros. Pegamos influência de todo o país e também da África, juntamos tudo em uma música e fizemos essa brincadeira, contando toda a nossa ancestralidade e resistência”, explica.

O compositor e coordenador da banda, Denilson Rodrigues, conta que todas as letras nasceram de pesquisas e conversas com pessoas mais idosas, a fim de registrar memórias do seu povo. “A música é um modo de expressão de resistência do Quilombo e precisava contar a nossa história através das músicas. Então resolvemos contar a nossa própria história com ajuda dos mais idosos”, explica.

Denis Rodrigues, compositor e coordenador da banda (Sidney Oliveira / O Liberal)

Mais de 300 anos de luta 

O território quilombola do Abacatal, na zona rural de Ananindeua, é constituído por mais de 150 famílias. Sua origem está ligada aos engenhos de cana de açúcar situados nas proximidades de Belém e às margens dos rios Guamá, Bujaru, Acará e Moju, muito comuns nos séculos XVIII e XIX.

A comunidade conta que o engenho do Uriboca, propriedade do conde Coma Mello, foi deixado como herança para três de suas filhas, as “três Marias”, fruto da relação do conde com a escrava Olímpia, dando início ao que conhecemos atualmente como “Quilombo do Abacatal”, que possui sua demarcação territorial regulamentada e titulada desde 1999.

Resistindo mais de três séculos, a comunidade mantém viva a sua história por meio da arte. A banda Toró-Açu é apenas uma manifestação cultural entre outros diversos grupos que exaltam a identidade quilombola por meio do artesanato, gastronomia, dança, música e poesia; arte essa que não apenas encanta ou entretém, mas também ensina os mais novos sobre suas raízes.

“É uma forma de manter o quilombo vivo. No caso das nossas músicas, é até um meio de aprendizado da nossa história para os jovens, já que as canções são mais acessíveis. Tanto que hoje as músicas já estão sendo aliadas à educação, nas matérias escolares. As crianças cantam e aprendem sobre seus antepassados”, diz Denilson.

Quem comemora é Mel Maia, cantora da banda, que gravou as vozes do EP com sua bebê na barriga e hoje, tem a companhia da menina em ensaios e apresentações. “Fico feliz de ter minha filha em um tempo como esse, em que ela pode crescer ouvindo e aprendendo sobre seu povo. É gratificante”, comemora.

EP é apenas o começo 

O EP “Caminho das Pedras” é trabalho contemplado com o Edital da Lei Aldir Blanc, iniciativa do Governo do Pará com o objetivo de auxiliar trabalhadores da Cultura no período de isolamento social, ocasionado pela pandemia da covid-19. Neste primeiro trabalho, fazem parte: Denilson Rodrigues (compositor e produtor fonográfico), Luizan Pinheiro (produtor musical), David Maia (contra-baixo), Mel Maia (voz), Paulo Otas (voz/guitarra), Rafa Chagas (bateria/voz), Loba Rodrigues (percussão e efeitos), Larissa Me (percussão e efeitos), e Geraldinho Roots (banjo).

Entretanto, a novidade nas plataformas digitais é apenas o começo do trabalho que pretendem fazer com a música. Paulo Otas conta que o próximo passo é inaugurar um espaço onde os músicos e demais artistas locais possam repassar e deixar um legado à juventude quilombola. “Nosso objetivo com a música vai além. Queremos fazer o Centro Cultural Casa do Toró, aqui no Quilombo, com oficinas de dança, artesanato, percussão, para que cada vez mais o jovem da comunidade tenha esse empoderamento da sua história e ganhe mais uma ferramenta resistência”, finaliza.

 

 

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