Homem coloca toda família em negócio de espetinhos na Arterial

Ao mesmo tempo em que vigia as carnes assando no fogo, Marcos Antônio fala sobre seu cotidiano e das coisas que conquistou com seus mais de 20 anos de trabalho como churrasqueiro

Igor Wilson
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Quando a hora do almoço se aproxima, o cheiro de frango e linguiça assados exala a alguns bons metros de distância, vindos da SN 21 com a esquina da WE 72, na Cidade Nova 6. Para quem já mora nas proximidades há mais tempo, o cheiro e a fumaça já são habituais, são sinais de que o senhor Marcos Antônio já começa a assar seus espetos e frangos. A rotina é diária há 25 anos, tempo que o morador do bairro do Coqueiro dedica fazendo churrasco.

Ao mesmo tempo em que vigia as carnes assando no fogo, Marcos Antônio fala sobre seu cotidiano e das coisas que conquistou com seu trabalho. Ele não queria ser churrasqueiro, mas a vida lhe apresentou o ofício num momento de extrema dificuldade. “Foi em 1997 que comecei a trabalhar com churrasco num ponto que era aqui perto. Na época estava desempregado, mulher grávida, situação era maia complicada, então tive a ideia de começar a vender churrasco na rua. Não esperava que estivesse fazendo isso durante tanto tempo, mas é Deus que sabe das coisas”, diz.

O espaço onde Marcos trabalha junto com um ajudante é improvisado na esquina. Algumas mesas espalhadas pela calçada, as carnas temperadas cuidadosamente guardadas em embalagens de plástico, os sacos de carvão para abastecer mais um longo dia e um toldo envelhecido para fornecer sombra numa das horas mais quentes do dia. E tudo isso é apenas metade do dia de Marcos. Quando o final da tarde se aproxima, ele segue para um outro ponto improvisado, onde também vende churrasco há três anos. Somadas, são mais de 14 horas de trabalho.

“É de nove até duas horas da tarde, depois volto pra casa e de noite parto para trabalhar no outro local lá. Venda de churrasco também. Todo dia é assim.”, diz Marcos, respondendo de forma incisiva quando perguntado se costuma se dar folgas durante a semana: “folga não, raramente”.

image Marcos Antônio trabalha com espetinhos e assados desde 1997 (Igor Mota/O Liberal)

FILHOS SEGUIRAM OFÍCIO

Foi do trabalho exaustivo com a venda de churrasco que Marcos Antônio sustentou sua casa e seus três filhos durante as décadas que passaram. E não só. O churrasco de rua foi uma escolha de vida que impactou o destino de toda família. Os três filhos de Marcos também se tornaram churrasqueiros, cada um com seu ponto de venda em lugares distintos da Cidade Nova. A ex-esposa, também enveredou pela profissão.

“Tudo que a gente conquistou veio do churrasquinho. Casa, carro, nossa vida foi sustentada com esse trabalho, são muitas histórias. Agora, tudo foi com muito trabalho até hoje. Desde a hora que acordo até quando vou dormir, só quando termino de temperar os produtos para o outro dia, aí é o final do expediente”, diz Marcos, que vende em torno de 200 espetinhos por dia, além de 30 a 50 frangos, dependendo do dia. “agora na Copa o negócio melhorou, as pessoas querem ver os jogos do horário do almoço sem obrigação de cozinhar e vem comprar churrasco” , diz, aos risos, enquanto embala mais um frango que vai para entrega. Amanhã tem mais.

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