'Você morreu?': Conheça o aplicativo que monitora pessoas que moram sozinhas

Aplicativo com nome polêmico envia alerta a contatos de emergência caso o usuário fique 48 horas sem acesso e reflete o crescimento de pessoas que vivem sozinhas no país.

Riulen Ropan
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Um aplicativo com um nome inusitado, e até polêmico, vem chamando a atenção na China. Batizado de “Você morreu?”, o app dispara um alerta automático caso o usuário deixe de fazer login por 48 horas, e já figura entre os mais baixados da loja de aplicativos no país.

Desenvolvido pela empresa Moonscape Technologies, o aplicativo foi criado como uma ferramenta de segurança voltada especialmente para pessoas que vivem sozinhas, um grupo que cresce rapidamente na segunda maior economia do mundo.

Segundo a desenvolvedora, o objetivo é oferecer mais tranquilidade para quem não divide a casa com familiares ou amigos, funcionando como uma espécie de monitoramento passivo em situações de emergência.

Como funciona o aplicativo “Você morreu?”

Ao instalar o aplicativo, o usuário precisa cadastrar nome e e-mail de um contato de emergência. Caso não haja nenhum acesso à plataforma no período estipulado, o sistema envia automaticamente uma notificação para essa pessoa.

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Na versão internacional do aplicativo, a descrição é direta: “Se você não fizer login por dois dias, o sistema enviará um e-mail para o seu contato de emergência”.

O ícone do aplicativo traz a imagem de um fantasma, reforçando o tom provocativo que acompanha o nome.

Nome polêmico divide opiniões

Na China, o app é conhecido como “sileme”, um trocadilho com o nome de um popular serviço de entrega de comida. A tradução literal pode ser entendida como “você morreu?” ou simplesmente “morreu?”, o que gerou debates nas redes sociais.

Nas ruas de Pequim, a reação do público é mista. Yaya Song, de 27 anos, que trabalha no setor de tecnologia e mora sozinha, considera a proposta interessante, mas critica o preço. “Se fosse gratuito, eu baixaria para testar; até mesmo cobrar um yuan [R$ 0,77] seria razoável para um teste, mas oito yuans [R$ 6,16] é um pouco caro”, afirmou.

Ela também questiona a real utilidade do aplicativo, dizendo que, em caso de algo grave, o local de trabalho provavelmente perceberia antes mesmo da família.

Já Huang Zixuan, estudante de 20 anos, acredita que o nome pode ser um obstáculo, principalmente para pessoas mais velhas. “Se eu quisesse que meus avós baixassem esse aplicativo, não poderia dizer o nome a eles”, comentou.

Cresce o número de pessoas que vivem sozinhas na China

Dados oficiais mostram que, em 2024, cerca de 20% dos lares chineses eram ocupados por apenas uma pessoa — um crescimento significativo em relação aos 15% registrados dez anos antes.

Para Sasa Wang, funcionária de escritório de 36 anos, o aplicativo dialoga com um medo comum.  “Quando chegamos à meia-idade, todos começamos a nos preocupar com o que acontecerá depois da morte”, disse.

Debate sobre mudança de nome

O ex-editor do jornal estatal Global Times, Hu Xijin, elogiou o potencial do aplicativo, especialmente para idosos, mas sugeriu uma mudança no nome para algo menos agressivo, como “Está vivo?”. Segundo ele, a alteração poderia trazer mais conforto psicológico aos usuários. A conta oficial do aplicativo respondeu nas redes sociais que considera seriamente a sugestão.

Apesar disso, parte do público defende manter o nome atual. Um dos comentários mais curtidos nas redes afirma que “é bom enfrentar o tema da morte”.

(Riulen Ropan, estagiário de Jornalismo, sob supervisão de Vanessa Pinheiro, editora web de oliberal.com)

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