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'Fazer futebol é caro': dirigente revela quanto custa disputar a elite do Campeonato Paraense

Entre logística, elenco e estrutura, orçamento pode chegar a R$ 1 milhão por temporada na Série A estadual

O Liberal

Disputar a elite do futebol paraense exige mais do que montar um time competitivo. Envolve planejamento, estrutura e um investimento que pode chegar perto de R$ 1 milhão por temporada. A realidade, aparentemente distante dos torcedores, é a síntese do que significa fazer futebol profissional.

E quando se fala em cifras astronômicas, talvez a referência imediata na cabeça do torcedor paraense seja Remo e Paysandu, mas a realidade milionária é parte obrigatória para quem deseja candidatar-se à glória dos campeões estaduais. Para conhecer um pouco mais dessa corrida, o Núcleo de Esportes de O Liberal conversou com um dos times em ascensão no futebol paraense: o Santa Rosa.

História

Fundado há mais de 100 anos e próximo de completar 103, o Santa Rosa, ou "Santinha" para os íntimos, passou por uma reestruturação recente após ser adquirido em 2022, quando ainda estava na segunda divisão. Desde então, o clube adotou uma gestão profissional e conseguiu alcançar a elite estadual em tempo recorde.

"A gente adquiriu o clube quando ele estava na segunda divisão. Foi uma ideia bem pontual do Roma, Emerson Dias, Luiz Omar Pinheiro, junto comigo, e decidimos assumir o clube naquela oportunidade", lembra. "Entramos também com uma visão de gestão profissional: diretoria enxuta, processos organizados e foco em transformar o clube em algo sustentável, inclusive financeiramente."

Os resultados não tardaram a surgir, e pouco tempo depois o clube centenário estava de volta à primeira divisão paraense. "Pegamos o Santa Rosa na segunda divisão em 2022 e, logo no primeiro ano, mesmo chegando perto da competição, conseguimos ir até o jogo do acesso, mas acabamos perdendo para o Cametá. No ano seguinte, conquistamos o acesso à primeira divisão."

Segundo ele, fazer futebol é uma atividade constante e desafiadora. “O nosso trabalho começa cerca de seis meses antes da competição”, explica o advogado, fundador e diretor, David Merabet. Segundo ele, o planejamento envolve montagem de elenco, definição da comissão técnica, captação de patrocínios e organização logística. Antes mesmo da bola rolar, os custos já são elevados.

“Antes de começar efetivamente o campeonato, a gente chegou a cerca de R$ 190 mil em despesas iniciais”, revelou. O valor não inclui luvas ou adiantamentos a jogadores. Entre os primeiros investimentos estão a contratação da comissão técnica e a compra de material esportivo. “A gente gasta em torno de R$ 50 mil só com material”, destacou.

A montagem do elenco também pesa no orçamento, principalmente com atletas de fora. “No último campeonato, gastamos cerca de R$ 32 mil apenas com passagens”, afirmou. Outro custo obrigatório é a inscrição dos jogadores. “Pagamos taxas para a federação e para a CBF. No ano passado foi cerca de R$ 25 mil, e neste ano subiu para R$ 35 mil”, disse.

image O advogado e dirigente esportivo comenta as dificuldades de se fazer futebol profissional no Brasil. (Wagner Santana / O Liberal)

Quando a bola rola

Com a competição em andamento, o principal gasto passa a ser a folha salarial. “Esse é, disparado, o maior custo de um clube profissional”, pontuou, dando sequência aos gastos elevados. “Somando tudo, a gente chega próximo de R$ 900 mil a R$ 1 milhão”, revelou.

Os jogos também impactam diretamente nas finanças. Como visitante, parte das despesas é coberta pela federação. Já como mandante, o cenário muda completamente. “Toda a responsabilidade é nossa. Um jogo pode custar, em média, cerca de R$ 40 mil”, explicou. Hoje, o Santa Rosa manda seus jogos em Ipixuna do Pará, que dispõe de estádio municipal, além de receber o carinho da população.

"No começo nós distribuíamos muitas cortesias, mas, com o tempo, a população abraçou o Santa Rosa e hoje nos sentimos jogando literalmente em casa", garante.

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Patrocínios

Mesmo com os altos custos, o dirigente diz que o futebol se materializa com a união de várias frentes, incluindo o poder público, os próprios donos e até mesmo clientes de suas atividades externas ao clube.

“Se não tivesse o patrocínio do Governo do Estado, o campeonato teria muita dificuldade para acontecer. Além disso, hoje, muitos dos nossos apoiadores são clientes nossos, pessoas que confiam no nosso trabalho, além daquilo que investimos", acrescenta David, que é advogado na área esportiva há cerca de 20 anos, sendo um conhecedor profundo da realidade da maioria dos clubes brasileiros.

Ainda assim, a busca por recursos segue como desafio. “É muito difícil manter um clube profissional apenas com patrocínio”, destacou o dirigente. Hoje, o Santa Rosa tenta equilibrar as contas entre investimento próprio e apoio externo. “Já tivemos 90% vindo do próprio bolso. Hoje conseguimos algo mais próximo de um equilíbrio”, concluiu.

image Felipe vibra ao defender o pênalti que levou o Santa Rosa para a primeira divisão paraense. (Divulgação Santa Rosa / @ovitorreis6)

Glória

Em 2026, o Santa Rosa chegou às quartas de final, sendo eliminado pelo Águia de Marabá. O término na oitava posição foi suficiente para manter o time na elite e sonhar com voos maiores, além de capítulos marcantes, como o ocorrido em dezembro de 2023, quando disputava a semifinal do Parazão B1.

Na ocasião, o time contava com ninguém menos que Felipe, ex-goleiro de Flamengo e Corinthians. Uma aposta ousada que rendeu frutos e um final apoteótico, quando o goleiro defendeu uma penalidade cobrada com uma cavadinha pelo zagueiro Dedé, do Santos, repetindo a clássica cena do Brasileirão de 2011, quando Elano também tentou o artifício e a bola acabou nas mãos do goleiro.

"Essa cena foi muito importante. Nós fizemos uma grande aposta no Felipe. Usamos o nome do Roma e fizemos o convite. Não tínhamos como pagar o que de fato valia, mas fizemos uma aposta, conversamos com ele e o Felipe aceitou", relembra.

"É um excelente profissional, era o primeiro a chegar e o último a sair. Um vencedor. Aquele lance foi eternizado, uma lembrança inesquecível que está marcada na história do Santa Rosa." De lá, o goleiro foi para o Sampaio Corrêa e, em seguida, para o Differdange, de Luxemburgo, onde disputou a primeira fase da Champions League da temporada 2024/25, tudo graças à passagem marcante pelo Santa Rosa.

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