Vida e legado de Mestre Damasceno ganham documentário com estreia em Salvaterra

Longa será exibido ao ar livre neste sábado (3) e depois seguirá para festivais nacionais e internacionais, além de ficar disponível no YouTube

Amanda Martins e Bruna Marabet
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A trajetória artística e cultural de Mestre Damasceno será preservada não apenas por meio de suas canções e do legado deixado no carimbó e nas toadas marajoaras, mas também em um documentário que será lançado neste sábado (3), às 20h, na Orla da Praia Grande, em Salvaterra, no arquipélago do Marajó, quatro meses após o seu falecimento, aos 71 anos. Após o evento, o filme será publicado no canal oficial de Mestre Damasceno no YouTube e seguirá para um circuito de festivais nacionais e internacionais. 

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Intitulado “Mestre Damasceno - a Trajetória de um Afromarajoara”, o longa é dirigido por Guto Nunes, e reúne imagens, depoimentos e arquivos inéditos que reconstroem a vida e a obra do mestre da cultura popular. O documentário também marca o encerramento de uma parceria de cerca de duas décadas entre o cineasta e Damasceno. 

Segundo o diretor, esse período foi dedicado a registrar, produzir e difundir a obra de Damasceno. “Foram 20 anos documentando, fotografando, filmando, colocando em circulação, fazendo projetos e produzindo para o Mestre Damasceno”, afirmou. Entre esses trabalhos está o documentário anterior “Mestre Damasceno – o Resplendor da Resistência Marajoara”, lançado em 2012.

De acordo com Nunes, o novo filme amplia esse registro ao revisitar arquivos antigos e atualizar a fase mais recente da trajetória do artista, marcada por circulação nacional e premiações. “Neste novo filme, revisitamos arquivos, gravamos novos depoimentos, ilustramos as coisas que ele viveu e atualizamos a recente trajetória nacional e de prêmios que ele recebeu, os lugares que acessou e as pessoas que conheceu. Foi um trabalho de pesquisa minucioso”, explicou.

Guto também relatou que o mestre participou ativamente do processo criativo até os últimos meses de vida. O artista acompanhou a edição do documentário, sugeriu cortes e ajustes e teve acesso à versão final ainda durante o período de internação hospitalar. Um dos momentos mais marcantes, segundo o diretor, foi a reação do mestre ao ouvir novamente a voz da mãe, Antonieta Pereira dos Santos, gravado antes de sua morte, em 2016.

RECONHECIMENTO

O diretor relembra que conheceu Mestre Damasceno ainda na infância, quando frequentava festas populares em Salvaterra durante as férias escolares. Naquele período, o artista atuava como pescador e catador de caranguejo para sustentar os nove filhos e enfrentava a falta de reconhecimento como mestre da cultura popular. Esse cenário começou a mudar após o lançamento do primeiro documentário, que contribuiu para ampliar a visibilidade de sua obra.

A partir daí, Damasceno passou a receber importantes reconhecimentos institucionais. Foi contemplado duas vezes pelo Prêmio da Secretaria da Identidade e da Diversidade Cultural, do Ministério da Cultura, em 2009 e 2017; recebeu o Prêmio Mestre da Cultura Popular do Estado do Pará (Seiva), em 2015; foi reconhecido como mestre de carimbó pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), em 2017; teve sua obra declarada patrimônio cultural imaterial do Pará, em 2023; e, em maio de 2025, recebeu a Ordem do Mérito Cultural, maior honraria concedida pelo Ministério da Cultura.

“O Mestre Damasceno, que não tinha o devido reconhecimento, participou do quadro ‘Avisa Lá que Eu Vou’, do Fantástico, e foi homenageado duas vezes na Marquês de Sapucaí”, relembrou Guto Nunes. 

Em 2023, o artista foi homenageado pela escola de samba Paraíso do Tuiuti e, em 2025, teve destaque como autor do samba-enredo “A Mina é Cocoriô”, da Grande Rio. Em Belém, durante um encontro com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Damasceno também defendeu melhores condições de vida para mestres da cultura popular, incluindo a garantia de renda.

Segundo o diretor, o documentário tem como principal objetivo materializar a salvaguarda do patrimônio imaterial representado pelos saberes e fazeres do mestre. O filme também foi concebido como material de memória e educação. 

“Crianças que ainda nem nasceram vão poder conhecer quem foi Mestre Damasceno por meio dessas materialidades. Esse documentário é mais uma ferramenta para o futuro”, concluiu.

PROGRAMAÇÃO 

O lançamento começará a partir das 19h, com a Mostra Audiovisual de Festas Populares – Edição Mestre Damasceno. Em seguida, às 20h, haverá a apresentação do Búfalo-Bumbá Segredo das Meninas. A exibição do documentário está marcada para as 21h e, às 22h, o encerramento será com show do conjunto Nativos Marajoara, grupo fundado pelo próprio mestre. A entrada é gratuita. 

Produzido com recursos da Lei Paulo Gustavo, por meio de edital da Secretaria de Cultura do Pará, o documentário é uma realização da Gutunes Produções, em parceria com a Secult, o Governo do Pará, o Ministério da Cultura e o Governo Federal, com apoio de instituições culturais locais e da Prefeitura de Salvaterra.

 

 

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