Filme paraense 'Teste para Cardíaco' ganha as telas de todo o Brasil na Tela Quente
Pelo segundo ano consecutivo, uma produção 100% paraense da diretor Fernando Segtowick ganha destaque no horário nobre da TV Globo
O cinema paraense ganha as telas de todo o Brasil no dia 6 de abril com a estreia de “Teste para Cardíaco” na Tela Quente, da TV Globo. Produzido pela Marahu Filmes em parceria com a TV Liberal, o longa faz parte do projeto Telefilmes Regionais e mergulha na identidade do Pará ao utilizar como cenário o icônico Mercado do Ver-o-Peso e a histórica rivalidade entre Remo e Paysandu.
"Uma grande diferença deste filme é que, enquanto produções recentes que falaram da Amazônia focaram em aspectos negativos, nós quisemos mostrar uma Belém pulsante e feliz, apesar dos problemas que qualquer grande cidade enfrenta; Belém não é diferente. Porém, nós temos essa felicidade e alegria. Acho que a ideia é mostrar para a Globo e para o resto do país que a gente tem esse humor e essa forma muito própria de encarar a vida; a gente quis trazer muito isso, não focar somente no lado negativo. Queremos mostrar a nossa forma muito própria de encarar a vida, e acho que o paraense tem muito isso: alegria, sabe se emocionar, chorar e rir ao mesmo tempo”, diz o diretor Fernando Segtowick.
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Como antecipado acima, a trama gira em torno da família de Regina (Astrea Lucena), cuja rotina é abalada após ela sofrer um infarto e precisar de internação. No centro do conflito estão os irmãos gêmeos Alberto e Alan (interpretados pelos irmãos Diego e Tiago Homci). Enquanto Alberto tenta manter a ordem na casa e na barraca da família durante a ausência da mãe, ele precisa lidar com o retorno inesperado de Alan, recém-saído da prisão, o que traz à tona ressentimentos do passado.
"A questão do 'Teste para Cardíaco' parte desse lugar onde a matriarca da família tem um problema de coração, e também pela brincadeira com o futebol mexer tanto com as nossas emoções. A gente tenta, no filme, fazer essa mistura de emocionar, rir e torcer, mas sempre pensando que o esporte pode ser um espaço de união, alegria e confraternização, longe da violência”, explica o diretor.
Antigas promessas do futebol, os irmãos se veem forçados a colocar as diferenças de lado para salvar o negócio familiar. Eles precisam voltar aos campos e jogar juntos em um campeonato de feirantes, onde a paixão pelo "Re-Pa" serve de pano de fundo para uma jornada de reconciliação. Entre o calor de Belém e as emoções do esporte, o filme aposta em temas universais como memória e pertencimento para mostrar que a reconstrução dos laços afetivos pode ser o maior desafio de suas vidas.
"O desafio deste filme realmente é ser muito fiel ao que é o Ver-o-Peso, que é uma coisa muito dinâmica, onde acontece muita coisa: feira, mercado, artesanato. Nós nos aproximamos muito do Instituto Ver-o-Peso e dos feirantes, conversando sobre as suas histórias de vida e as situações que enfrentam. É um trabalho pesado que começa cedo e vai até a noite; era importante ter essa verdade. A questão do Remo e Paysandu entra no filme como uma rivalidade que é cultural e muito forte; no Ver-o-Peso isso não é diferente, pelo contrário: lá é um dos grandes focos dessa rivalidade. Mas entendendo que isso é... usamos essa narrativa através de dois irmãos que precisam, de alguma forma, tentar se reconciliar. Futebol e a questão familiar e cultural têm apelo universal. Procuramos esses temas universais como família, irmãos e reconciliação, mas com esse tempero muito paraense”, pontua.
A identidade visual do filme mergulha no cotidiano do Ver-o-Peso, transformando o mercado em um elemento central da sua estética, com o objetivo de traduzir em imagens os componentes mais vivos da cultura local, garantindo que o cenário fosse mais que um plano de fundo, mas parte da alma da obra.
"Filmamos em janeiro por questões de cronograma. É um período de risco por ser o início da estação chuvosa, mas tivemos sorte de filmar boa parte com o clima nublado, que é a cara de Belém. Organizamo-nos para filmar sempre pela manhã, já que a chuva costuma vir à tarde, e isso trouxe uma estética fiel ao filme, no sentido de que a gente vai mostrar algumas horas mais quentes e outras mais nubladas, bem mesmo como é o clima em Belém", explica o diretor.
Integrante do projeto Telefilmes Regionais, “Teste para Cardíaco” reforça a iniciativa da TV Globo em dar voz às diversas identidades brasileiras. Esse é o segundo filme de Fernando Segtowick para o projeto. Em 2025, ele dirigiu o longa “Vatapá ou Maniçoba?”.
"Sobre o mercado audiovisual, é muito positivo termos dois filmes na Globo em anos seguidos produzidos pela Marahu, por uma produtora do Pará. Isso prova que temos competência para tocar projetos de entretenimento de qualidade com conexão nacional; isso é fundamental, porque a gente já vê outras produções chegando por aqui e contratando os nossos profissionais locais. Acho que já passamos da época de provar que temos competência", finaliza o diretor.
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