Interior do Brasil sofre com a falta de médicos, avalia o novo presidente do CFM
Médico ginecologista e obstetra, José Hiran Gallo assumiu a gestão do conselho federal em abril deste ano e conversou com a reportagem durante visita a Belém

Escolas de medicina, telemedicina e a atuação do Conselho Federal de Medicina (CFM) na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid-19 foram alguns dos tópicos abordados pelo médico ginecologista e obstetra José Hiran Gallo, novo presidente do CFM, em uma entrevista exclusiva à redação integrada de O Liberal, concedida durante sua visita a Belém na última semana.
Qual o panorama atual das escolas de medicina no país?
Sempre dizem que falta médico na região amazônica e alguns inescrupulosos acreditam que por abrir cursos de medicina vai ter profissionais naquele local. Só para se ter uma ideia, no meu estado nós temos sete faculdades de medicina, a maioria com formação duvidosa e isso é preocupante. Hoje falta médico mesmo com essa enchente de faculdades de medicina. Nós temos 367 faculdades de medicina no Brasil, destas 68% são privadas. No governo passado foi feito uma moratória estabelecendo que durante cinco anos não se abririam cursos de medicina e agora recente foi editada uma portaria, pelo Ministério da Educação, para criação de cem novas vagas para os cursos já existentes, o que é ainda pior. A maioria dos cursos de medicina não tem um campos de ensinamento. Nós temos que ver a situação do nosso país em que abrir cursos médicos virou um nicho de mercado para grandes empresários ganharem dinheiro.
Quais avanços foram alcançados pela medicina em todo país, sobretudo durante a pandemia?
Na nossa gestão nós já focamos em um dos métodos propedêuticos que é a telemedicina com aprovação da resolução, é um projeto que vai ajudar muito aqueles locais distantes, mas também tivemos alguns conflitos, por exemplo, em municípios que não tem internet. A nossa preocupação foi a seguinte: a primeira consulta tem que ser presencial ou pode ser a distância? Isso vai da autonomia do médico, que é um dos princípios hipocráticos que nós defendemos, e um dos princípios bioéticos é a beneficiência, aquilo que tem que ser feito tem que ser em benefício do paciente. É obrigatório que toda empresa de telemedicina seja registrada no conselho regional de origem.
O CFM foi bastante demandado e pressionado pela CPI da Covid-19. Como avalia a atuação do órgão durante a pandemia?
Nós mandamos quatro ofícios para sermos escutados, mas não quiseram escutar o CFM porque eles sabiam do nosso intuito, nós queríamos imparcialidade, queríamos que fossem apurar o desvio de dinheiro do Consórcio Norte e Nordeste, e nada disso foi feio. Mesmo assim indiciaram o presidente do CFM, dr. Mauro Luiz de Britto Ribeiro. Aquela CPI foi para denegrir a imagem de alguns médicos, não trouxe nada de bom que eu acharia que deveria trazer, indiciaram pessoas inocentes e não vai dar em nada porque não trouxeram nenhum subsídio de bem para que melhore a saúde pública no país.
Quais as perspectivas para a saúde no pós-pandemia?
Eu defendo uma atenção básica que tenha pleno êxito de funcionamento para adultos e crianças, todas com atendimento de qualidade.
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