Com público firme mesmo sob chuva, Grupo Especial encerra segunda noite de desfiles em Belém
Público, escolas e convidados nacionais acompanharam apresentações sob clima de expectativa elevada
A chuva que caiu ao longo de todo o dia em Belém não deu trégua no início da noite do último sábado (28). Mesmo sob o tempo instável, o público, os foliões e as agremiações não desanimaram e entregaram mais uma noite de desfile. No segundo dia de apresentações do Grupo Especial do Carnaval da capital paraense, realizado na Aldeia Cabana, no bairro da Pedreira, usando sombrinhas e capas de plástico para se proteger da chuva, ocupando as calçadas e arquibancadas, os belenenses assistiram mais quatro escolas entrarem na avenida: Escola de Samba da Matinha, Boêmios da Vila Formosa, Associação Carnavalesca Recreativa e Cultural Império de Samba Quem São Eles e Grêmio Recreativo Cultural e Carnavalesco Deixa Falar.
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Resistência e celebração
Antes mesmo de os sambas-enredo ecoarem pela passarela, o grupo Baluartes do Samba abriu a programação colocando o público para dançar. Na sequência, uma apresentação do Bloco Afro Axé do Centro de Estudos e Defesa do Negro do Pará (Cedenpa) levou para a avenida cerca de 150 integrantes, entre músicos e brincantes.
Morador da Pedreira, o aposentado Euclides Silva, de 68 anos, montou um espaço próximo à grade, em frente à própria casa, para acompanhar o desfile ao lado de uma amiga e das filhas dele. Ele contou que aprecia o Carnaval e relembrou a passagem da Embaixada da Pedreira no primeiro dia. “Eu aprecio bastante esse período. Ficamos muito animados e felizes ao ver as escolas passando. Todo mundo canta junto. É bacana demais”, afirmou.
Desfiles
A primeira escola a cruzar a avenida foi a Escola de Samba da Matinha, com o enredo “Iá! É na Matinha que a Padilha vai girar!”. A agremiação apresentou um desfile marcado por referências à entidade conhecida como “Dama da madrugada”, com elementos ligados à tradição e à devoção popular do bairro.
O carnaval foi desenvolvido por Eduardo Wagner, sob presidência de Paulo Espíndola. André Japonês assumiu o microfone como intérprete. O casal Marcelo Lafon e Ingrid Kacia defendeu o pavilhão, enquanto a bateria, comandada por Rubenilson Setubal, teve Roberta Ribeiro como rainha.
Na sequência, a Boêmios da Vila Formosa levou para a passarela o enredo “Folia para Antônio – o santo milagroso”, transformando a avenida em uma grande festa junina. A proposta uniu fé e carnaval com alegorias e fantasias que remetiam às tradições populares.
O carnaval foi desenvolvido por Lucas Belo. Lukas Lima foi o intérprete, com bateria sob comando de Mestre Batata. O casal Tarciso Neto e Ana Vital conduziu o pavilhão.
Presente na noite, Fabrício Machado de Lima, conhecido como Mestre Fafá, responsável pela bateria da Acadêmicos da Grande Rio, participou como padrinho da bateria e auxiliou na organização. Ele destacou o crescimento estrutural do Carnaval de Belém.
“Deu para perceber um crescimento enorme e a mudança nas escolas. Temos que parabenizar a ESA pela mudança nas cabines, aquela bem no começo da escola, ela dá uma outra ênfase para o desfile”, disse.
“Se você tiver uma boa estrutura, consegue fazer grandes desfiles, grandes espetáculos. Eu percebi que esse ano eles investiram muito em elementos cinematográficos. Belém está caminhando para a segunda ou a terceira maior força do Carnaval do Brasil”, declarou.
A Associação Carnavalesca Recreativa e Cultural Império de Samba Quem São Eles apresentou um enredo voltado à importância dos rios e dos navegantes na formação da identidade amazônica. O desfile destacou as águas como meio de transporte, sustento e conexão entre comunidades da região, evidenciando a relação histórica entre a população e os cursos d’água.
Encerrando a noite, o Grêmio Recreativo Cultural e Carnavalesco Deixa Falar levou à avenida um tema que valorizou o samba como expressão cultural e manifestação popular. A escola teve presidência de Esmael Tavares e carnaval desenvolvido por André Cesari. Evandro Malandro foi o intérprete. O casal Samantha Suellen e Adriano Santos defendeu o pavilhão, enquanto a bateria, comandada por Luan e Arley, teve Mara Baena como rainha.
‘Virada de chave’ e expectativa elevada
O presidente das Escolas de Samba Associadas (ESA), Fernando Guga, fez um balanço das apresentações e afirmou que as escolas entraram na avenida preparadas para diferentes cenários climáticos e ressaltou o envolvimento das comunidades.
“Carnaval de Belém é embaixo de chuva. As escolas se preparam sabendo que ela pode chegar. É lúdico, é bonito demais”, disse.
Sobre o panorama dos dois dias de Grupo Especial, Guga destacou o nível das apresentações. “O nível de sexta-feira foi tão alto que a expectativa para sábado também foi gigante. A partir de agora, começa aquela movimentação de quem ganha, quem cai, o que é comum. Mas o Carnaval de Belém mostrou a força desse público que vem para cá”, declarou.
Camarote amplia visibilidade nacional
Presenças como a de Mestre Ciça marcaram a programação, além de atores convidados para o “Camarote Miltons”, comandado por Milton Cunha. O espaço reuniu artistas e convidados com o objetivo de ampliar a visibilidade do Carnaval de Belém em outras regiões do país.
A ex-BBB Natália Deodato afirmou que as expectativas foram superadas. “Superou totalmente o que eu imaginava. Belém não é só comida boa, tem arte, tem acolhimento. Você se sente em casa”, declarou, acrescentando que pretende retornar nos próximos anos.
O ator Samuel de Assis destacou a dimensão do espetáculo. “É muito emocionante ver um carnaval desse tamanho, com essa potência”, afirmou.
Milton Cunha avaliou os sambas apresentados. “Eu achei os sambas muito bons, os quatro. Aprendi aqui na pista e repetia os refrões. Foi muito emocionante”, relatou sobre o primeiro dia.
Segundo ele, o camarote tem a função de fortalecer as comunidades e atrair investimentos. “Esse camarote dos artistas é a serviço das comunidades do povo. É para dar visibilidade, para que o Carnaval de Belém atraia turistas, investimento e reconhecimento”, destacou.
Presença das princesas e apoio de patrocinadores
As princesas do Rainhas das Rainhas e Soberana do Carnaval paraense de 2026 também acompanharam os desfiles. Carlen Baia, coroada 1ª Princesa pelo Clube de Engenharia, afirmou que era a primeira vez que acompanhava o Carnaval de Belém de perto.
“Nunca tinha acompanhado o Carnaval da cidade antes de perto. Eu estou impressionada com todos os foliões que vi passar. São maravilhosos, eles têm feito um trabalho muito bom”, disse.
A Cerveja Caribeña esteve presente nas duas noites de desfiles do Grupo Especial na Aldeia Cabana. Meg Martins, representante da marca e produtora executiva do Grupo Liberal, afirmou que a empresa decidiu apostar na cultura local.
“Nós estamos vendo o Carnaval se elevando cada vez mais. Então, resolvemos fazer essa grande parceria: Rainha das Rainhas, Caribeña e Carnaval de Belém. Para a Caribeña é uma satisfação enorme poder promover e contribuir para essa festa que a cada ano engrandece mais ainda e orgulha todos nós”, declarou.
1º dia de desfiles
Na última sexta-feira (27), as escolas Associação Carnavalesca Xodó da Nega, Associação Carnavalesca Social Beneficente Embaixada do Império Pedreirense, Grêmio Recreativo Carnavalesco Social Acadêmicos de Samba da Pedreira e Associação Carnavalesca Bole-Bole levaram à avenida enredos que exaltaram bairros, tradições, personalidades e a força da cultura popular paraense, abrindo o primeiro dia dos desfiles do Grupo Especial.
Em entrevista, o prefeito Igor Normando destacou o planejamento da festa. “Não começa no dia. Tem todo um planejamento, organizado, para garantir a segurança dos foliões e das escolas de samba”, disse.
Ele ressaltou a importância econômica do evento. “Não só pela alegria, pela festa, mas pela primeira vez, nós disponibilizamos três mil ingressos para que a população possa assistir de forma gratuita. Nós estamos fazendo também com que as escolas de samba possam ter mais condições de desfilar e isso é geração de emprego. A cada R$ 2 que a gente investe em cultura, a gente recolhe R$ 15 mil reais de volta para a cidade, através de impostos e de investimentos também”, comentou.
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