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7ª Marcha das mulheres negras em Belém chama atenção para a injustiça racial e ambiental

Marcha seguiu pela avenida Presidente Vargas, reunindo mulheres de diversos coletivos e movimentos sociais

Camila Guimarães

Nesta segunda-feira (25), coletivos e movimentos sociais de mulheres negras realizaram a 7ª Marcha das mulheres negras em Belém, com o objetivo de rememorar os 30 anos do primeiro encontro de mulheres negras latio-americanas, realizado em São Domingos, na República Dominicana, em 1992. A data também marca o Dia Internacional da Mulher Negra Latino Americana e Caribenha. A programação começou na Escadinha da Estação das Docas e seguiu até o Quilombo da República, na avenida Assis de Vasconcelos, bairro da Campina.

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Com o tema “30 anos de luta, nossa marcha continua e se renova: mulheres negras amazônidas em luta por justiça ambiental e racial”, a marcha buscou destacar a relação direta entre racismo e injustiça ambiental, conforme explica a jornalista e membro da organização da Marcha das Mulheres Negras, Flávia Ribeiro.

As pessoas negras são as mais vulnerabilizadas socialmente, por causa disso, são as que mais sofrem por causa das mudanças climáticas. Quando a gente vem para a rua falar de mudanças climáticas, a gente está pensando em quem está mais vulnerável quando, por exemplo, acontece uma enchente, e a pessoa fica sem ter onde morar, tem a casa cheia de lama e perde tudo o que tem. Existe uma política que continua penalizando quem já está em situação de vulnerabilização e, nessa ponta, estão as mulheres negras”.

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Marcha tem um sentido pedagógico, avalia professora

Para a professora Joana Machado, coordenadora da Rede Fulanas - Mulheres Negras da Amazônia e do Centro de Estudo e Defesa do Negro (Cedenpa), a marcha tem um sentido pedagógico importante para as gerações presentes e do futuro.

“Esse movimento é importante para que a sociedade comece a perceber que o Pará é negro, sustentado pela base do trabalho das mulheres negras. Esse evento é educativo, porque pode nos ajudar a construir uma consciência negra nas mulheres negras e não-negras da Amazônia paraense. Nossa luta é pelo combate ao racismo e por uma educação que valorize as relações etnico raciais”.

Professora Joana Machado acredita que a Marcha ensina as novas gerações sobre negritude amazônica. (Sidney Oliveira / O Liberal)

Joana Machado detalha que a grande luta, no âmbito da educação antirracista, tem sido provocar a reflexão para que mais pessoas percebam como o racismo está naturalizado. “Quando você usa apelidos, pergunta para pessoa se pode pegar no cabelo dela… Isso tudo é racismo. O racismo não é só aquele da violência explícita, ele é diário. Quando as pessoas negras não são vistas nas escolas, quando a história do povo negro não é contado nas escolas, isso tudo é racismo”.

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Mulheres negras quilombolas lutam por educação

A luta por uma educação de qualidade para o povo negro também era a reivindicação de Erica Monteiro, moradora da comunidade quilombola Itacoã-Miri, localizada no municipio de Acará, nordeste paraense. Ela conta que lá, a educação pública é limitada, impondo barreiras para o progresso do povo quilombola, sobretudo das mulheres, no caminho da educação formal.

Para a quilombola Erica Monteiro, acesso à educação é uma luta urgente. (Sidney Oliveira / O Liberal)

“A gente é muito invisibilizado, não só no Acará. Eu sou da coordenação executiva da Malungo, que é a coordenação estadual dos quilombolas no Pará, e posso dizer que a realidade das comunidades são as mesmas. As escolas quilombolas estão todas danificadas, as classes só vão até a quarta série. Se a gente quiser continuar estudando, a gente tem que ir para escolas distantes 40 km, 50 km das comunidades. Ou a gente tem que vir para Belém, servindo de empregada doméstica, para ter a oportunidade de estudar. Mas a gente resiste porque entendemos que é por meio da educação que podemos mudar nossa vida”, relata.

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Serviços buscam combater o racismo

A coordenadora da Coordenadoria Antirracista (Coant) de Belém, Elza Rodirgues, esteve na marcha para prestar apoio e também informar à população negra como é possível buscar apoio junto à Coant, acessando os serviços disponíveis, em caso de racismo.

“Se alguém sofreu racismo, injúria racial ou preconceito, nós temos um advogado que pode dar orientações e assessoramento jurídico para que a pessoa faça a devida denúncia. E como a gente sabe que o racismo afeta muito a saúde mental das pessoas, nós temos um serviço de atendimento psicossocial. Para que esses traumas, na medida do possível, possam ser melhor entendidos. Nós temos ainda atividades culturais, oficinas que trabalha com a cultura negra e indígenas e cursos de empreendedorismo negro, entre outras atividades. Qualquer pessoa pode nos procurar e acessar”.

Coordenadoria Antirracista de Belém oferece serviços a pessoas vítimas de racismo na capital. (Sidney Oliveira / O Liberal)

A coordenadora explica que a Coant atende nos altos do Mercado Municipal de Carnes Francisco Bolonha, na boulevard Castilhos França, em Belém, de segunda a sexta-feira, das 9h às 16h. “Nós incentivamos que as pessoas vítimas de racismo denunciem. Muitas desistem da denúncia, mas é importante que esse combate seja feito”, reforça Elza Rodrigues.

A 7ª Marcha das mulheres negras em Belém seguiu até a Praça da República, no ponto de encontro do Quilombo da República, onde foi aberto espaço de fala para várias lideranças, representantes de movimentos sociais e coletivos que tiveram a oportunidade de expor suas pautas.

Serviço:
Coordenadoria Antirracista (Coant) de Belém
Endereço: Mercado de Carne Francisco Bolonha, sala 25, altos.
Email: coant.belem@gmail.com
Horário: 9h às 16H

Belém
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