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Junho Laranja: Pará registra queda de 7,65% em casos de leucemia em 2025, em comparação com 2024

Foram registrados 73 casos da doença até abril deste ano

O Liberal
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O Pará registrou uma queda de 7,65% em casos de leucemia em 2025, em comparação com 2024, conforme dados da Secretaria de Estado de Saúde Pública do Pará (Sespa). Foram registrados 405 casos em 2024 e 374 em 2025. Até o mês de abril deste ano, a pasta registrou 73 casos da doença. O calendário da saúde do mês de junho, conhecido como Junho Laranja, alerta para a importância da conscientização sobre anemia e leucemia. 

A campanha busca informar e detalhar o cuidado com doenças hematológicas. Apesar de distintas, as condições ainda geram dúvidas na população e podem apresentar sinais que passam despercebidos, atrasando o diagnóstico e o início do tratamento. De acordo com o hematologista Marcus Laércio, de Belém, um dos principais desafios é a banalização dos sintomas iniciais. 

“Muitas pessoas associam cansaço, fraqueza ou palidez apenas à rotina intensa. Mas, quando esses sinais persistem ou aparecem acompanhados de infecções frequentes, sangramentos ou perda de peso, é importante investigar. O organismo costuma dar sinais de que algo não está bem”, explica.

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Enquanto a anemia está entre as alterações hematológicas mais frequentes da população, a leucemia, tipo de câncer que afeta a medula óssea e compromete a produção normal das células do sangue, deve registrar 12.220 novos casos por ano no Brasil no triênio 2026–2028, segundo estimativas do Instituto Nacional de Câncer (INCA).

A leucemia pode ser classificada como linfoide ou mieloide, de acordo com o tipo de célula sanguínea afetada, além de aguda ou crônica, conforme sua velocidade de progressão. Nas formas agudas, a doença evolui rapidamente e geralmente exige tratamento imediato. Já as formas crônicas costumam apresentar progressão mais lenta e, em muitos casos, podem ser controladas por longos períodos com acompanhamento e terapias específicas.

“Hoje existem tratamentos muito mais direcionados. Algumas leucemias crônicas conseguem ser controladas por muitos anos, enquanto diversos casos agudos apresentam boas taxas de resposta e até possibilidade de cura quando o diagnóstico ocorre precocemente”, afirma o hematologista.

Leucemia pode se manifestar por quadro anêmico

Existe um mito comum de que a anemia pode evoluir para um câncer no sangue. No entanto, o hematologista reforça que isso não acontece. “ O que pode acontecer é a leucemia se manifestar inicialmente por um quadro anêmico, porque a medula óssea deixa de produzir as células sanguíneas adequadamente”, explica.

A anemia é caracterizada pela redução da hemoglobina, proteína responsável pelo transporte de oxigênio no organismo. Embora a deficiência de ferro seja a causa mais frequente, o quadro também pode estar relacionado a processos inflamatórios, alterações genéticas e doenças da própria medula óssea, reforçando a necessidade de investigação médica individualizada.

Conheça a diferença de sintomas de anemia e leucemia

Anemia

  • Cansaço 
  • Fraqueza
  • Palidez
  • Falta de ar aos esforços
  • Tontura
  • Dor de cabeça
  • Palpitações
  • Dificuldade de Concentração

Leucemia

  • Infecções frequentes
  • Febre persistente
  • Manchas roxas
  • Sangramentos sem causa aparente
  • Perda de peso involuntária
  • Dores ósseas ou articulares
  • Aumento dos gânglios linfáticos (ínguas)

Fonte: hematologista Marcus Laércio

Como muitos dos sintomas podem ser confundidos com outras condições, a persistência dos sinais deve ser investigada. Segundo o hematologista, um dos erros mais comuns é tratar sintomas isoladamente sem buscar a causa do problema. “Muitas vezes, a pessoa tenta corrigir uma anemia sem investigar sua origem. O hemograma é um exame simples, acessível e frequentemente o primeiro passo para identificar alterações importantes. Quanto mais cedo acontece o diagnóstico, maiores tendem a ser as chances de um tratamento bem-sucedido”, destaca.

Diagnóstico e tratamento

Tanto nos casos de anemia como de leucemia, o ponto de partida é mesmo: avaliação clínica e exames laboratoriais, principalmente o hemograma, que pode indicar alterações nas células sanguíneas. Em alguns casos, exames complementares e investigação da medula óssea também podem ser necessários para confirmação diagnóstica.

Embora não exista uma forma específica de prevenir a leucemia, hábitos saudáveis, acompanhamento médico e atenção aos sinais do organismo ajudam no cuidado com a saúde. Já alguns tipos de anemia podem ser evitados com alimentação equilibrada e acompanhamento adequado. “Não é motivo para alarme, mas para atenção. A persistência dos sintomas é um sinal de que o organismo precisa ser investigado”, finaliza Marcus Laércio.

Segundo a Sespa, pacientes adultos com leucemia são atendidos no Hospital Ophir Loyola (HOL), em Belém; no Hospital Regional do Baixo Amazonas (HRBA), em Santarém; e no Hospital Regional Público dos Caetés (HRPC), em Castanhal. Para crianças e adolescentes, o atendimento especializado em oncologia pediátrica é realizado pelo Hospital Oncológico Infantil Octavio Lobo (HOIOL), em Belém, e pelo Hospital Regional do Baixo Amazonas (HRBA), em Santarém, referências no atendimento ao câncer infantojuvenil, incluindo os casos de leucemia.

A secretaria informa que não há uma campanha específica voltada à leucemia. No entanto, reforça a importância da detecção e do diagnóstico precoces da doença, por meio de consultas médicas regulares e da realização de exames laboratoriais, como o hemograma.
Em relação à anemia, a Secretaria informa que a condição não integra a lista de doenças de notificação compulsória. Por esse motivo, não há dados oficiais consolidados sobre sua ocorrência no estado.

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