Tucuruí registra quatro tremores de terra em três dias; reunião para discutir o tema é remarcada
Dados do Centro de Sismologia da USP apontam abalos de até 3,5 na escala Richter entre os dias 11 e 13 de junho
Segundo registros do site do Centro de Sismologia da USP, a cidade de Tucuruí, no sudeste do Pará, já registrou pelo menos quatro tremores de terra entre os dias 11 e 13 deste mês. A informação foi confirmada pela Prefeitura Municipal de Tucuruí, que tentou marcar uma reunião com diversos órgãos na tarde desta segunda-feira (15), mas, segundo a gestão, a principal parte interessada, a Eletronorte, não confirmou participação. O encontro foi remarcado para sexta-feira (19) e deverá discutir os possíveis impactos dos tremores para a Hidrelétrica de Tucuruí.
Ainda de acordo com os dados divulgados pelo Centro de Sismologia da USP, três abalos sísmicos foram registrados no dia 11 de junho e outro no dia 13. Os eventos tiveram magnitudes variando entre 2,2 e 3,5 na escala Richter. O maior tremor ocorreu às 6h55 (UTC) do dia 11, com magnitude de 3,5 mR. Na mesma data, também foram registrados abalos de magnitude 2,2 mR e 2,9 mR. Já no dia 13, um novo tremor atingiu magnitude de 2,8 mR.
Em resposta à reportagem, o Centro de Sismologia da USP informou que os quatro tremores registrados neste ano foram detectados pela Rede Sismográfica Brasileira (RSBR). Segundo o órgão, os eventos ocorreram em um intervalo de poucos dias: três em 11 de junho, às 4h17, 6h55 e 6h57 (UTC), e um em 13 de junho, às 4h23 (UTC).
Os pesquisadores destacaram que tremores nessa faixa de magnitude costumam ser sentidos pela população local, mas raramente provocam danos estruturais significativos. O evento mais forte da sequência foi justamente o registrado em 11 de junho, com magnitude 3,5.
O Centro de Sismologia ressaltou ainda que a atividade sísmica na região não é inédita. Há registros de tremores na área de Tucuruí desde pelo menos 1969. Além dos quatro eventos registrados em 2026, o catálogo mantido pela USP e pela Rede Sismográfica Brasileira contabiliza outros oito eventos sísmicos anteriores na região de Tucuruí e municípios vizinhos, como Novo Repartimento.
Segundo os especialistas, a atuação do Centro de Sismologia é voltada ao monitoramento científico da atividade sísmica no país por meio da Rede Sismográfica Brasileira, realizando a detecção, localização e catalogação dos eventos. O órgão esclareceu que não possui atribuição de resposta emergencial ou poder de tomada de decisão, responsabilidades que cabem às autoridades locais, como Prefeitura, Defesa Civil e Governo do Estado.
Sobre o acompanhamento da atividade sísmica, o Centro explicou que a Rede Sismográfica Brasileira realiza monitoramento nacional, incluindo a região de Tucuruí. No entanto, não existe um monitoramento específico e exclusivo da área. Os pesquisadores afirmam que a própria Usina Hidrelétrica de Tucuruí provavelmente mantém uma rede local de monitoramento, capaz de detectar eventos de menor magnitude e fornecer informações mais detalhadas sobre a região do reservatório.
Quanto às causas dos tremores, o Centro de Sismologia informou que ainda não é possível apontar uma explicação definitiva. Os especialistas afirmam que Tucuruí está situada em uma área de conhecida complexidade tectônica e que eventos semelhantes já foram registrados historicamente ao longo das últimas décadas.
Em relação ao risco de novos tremores, o órgão afirmou que não é possível prever nem descartar a ocorrência de novos eventos sísmicos. O que se sabe, segundo os pesquisadores, é que a região apresenta atividade sísmica recorrente e que a sequência registrada neste mês segue sendo acompanhada por meio do monitoramento contínuo da Rede Sismográfica Brasileira.
Sobre possíveis impactos para a Hidrelétrica de Tucuruí, o Centro de Sismologia destacou que a avaliação de riscos estruturais da barragem e das instalações da usina é de responsabilidade da operadora do empreendimento e de sua rede própria de monitoramento sismológico. Já a definição de orientações à população cabe aos órgãos de proteção e defesa civil. Segundo os pesquisadores, eventos com magnitudes entre 2,0 e 3,5, como os registrados recentemente, historicamente não costumam estar associados a danos estruturais relevantes em construções residenciais.
A reportagem do Grupo Liberal acionou a Eletronorte, o Ministério de Minas e Energia, a Secretaria de Meio Ambiente, Clima e Sustentabilidade (Semas), o Corpo de Bombeiros e a Defesa Civil Estadual e aguarda retorno.
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