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El Niño deve elevar temperaturas e reduzir chuvas no Pará nos próximos meses

Junho marca a transição entre o período mais chuvoso e a estação de menor volume de precipitações em Belém

O Liberal
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O início do fenômeno El Niño deve provocar aumento das temperaturas e redução das chuvas em diversas regiões do Pará nos próximos meses. A avaliação é do meteorologista José Raimundo Abreu, do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), que aponta a possibilidade de um período seco mais prolongado, especialmente no sul do estado.

Segundo o especialista, junho marca a transição entre o período mais chuvoso e a estação de menor volume de precipitações em Belém. Neste período, as chuvas passam a ocorrer principalmente em forma de pancadas isoladas no final da tarde e durante a noite.

"A média histórica de chuva para junho em Belém é de 203,6 milímetros. Até o momento, já foram registrados cerca de 120 milímetros", explicou.

Com a redução da nebulosidade durante o dia, a incidência de radiação solar aumenta, favorecendo a elevação das temperaturas. Na capital paraense, as mínimas costumam variar entre 23°C e 24°C durante a madrugada, enquanto as máximas ficam entre 33,5°C e 34,5°C entre o final da manhã e o início da tarde.

No interior do estado, o cenário deve ser ainda mais intenso. De acordo com José Raimundo Abreu, o sul do Pará já entrou no trimestre mais seco do ano, que se estende de junho a agosto, mas os efeitos do El Niño podem prolongar esse período até setembro ou início de outubro.

A previsão é de que municípios como Conceição do Araguaia, Redenção, São Félix do Xingu, Tucumã, Xinguara, Santa Maria das Barreiras, além de cidades da região oeste e da Transamazônica, como Santarém, Altamira, Belterra e Tucuruí, registrem temperaturas acima da média climatológica.

"Na Região Metropolitana de Belém e no sul do Pará, as temperaturas devem ficar cerca de 1°C acima da média. Em algumas cidades do sul paraense, as máximas podem ultrapassar 38°C e chegar aos 40°C", afirmou.

Além do calor mais intenso, a tendência é de redução significativa das chuvas. Segundo o meteorologista, durante episódios de El Niño, os volumes pluviométricos podem ficar entre 30% e 60% abaixo da média histórica em grande parte do estado. No sul do Pará, algumas localidades podem permanecer até dois meses sem registros significativos de chuva.

A combinação entre altas temperaturas, baixa umidade relativa do ar e vegetação seca aumenta o risco de incêndios florestais e queimadas. Em alguns dias, a umidade pode ficar abaixo de 30%, condição considerada de atenção para a saúde e para o meio ambiente.

Diante desse cenário, o Inmet recomenda que a população mantenha a hidratação, evite exposição ao sol nos horários mais quentes do dia e redobre os cuidados para prevenir incêndios, especialmente em áreas rurais. "Qualquer ação que possa gerar fogo, como queimadas, fogueiras ou até o descarte inadequado de pontas de cigarro, pode desencadear incêndios de grandes proporções", alertou o meteorologista.

Apesar da tendência de redução das chuvas, José Raimundo Abreu avalia que o fenômeno deve ter intensidade entre fraca e moderada. "Ainda é cedo para definir a magnitude do El Niño, mas é muito provável que ele influencie o regime de chuvas no Pará até novembro", concluiu.

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