Adolescente marajoara entrega, ao Papa Francisco, terço feito com caroço de açaí

Mãe e filho, nascidos no Marajó, estão no Vaticano participando da Convenção Shalom 40 anos, que que termina nesta quarta-feira (28)

O Liberal

Dois marajoaras e uma missionária responsável local pela Comunidade Shalom de Chaves, na ilha do Marajó, se encontraram com o Papa Francisco, na segunda-feira (26), no Vaticano. Breno Teles, de 16 anos, e a mãe dele, Deuzarina Teles, ambos marajoaras, e a missionária Dilma França tiveram uma audiência privada com o pontífice na sala Paulo VI. As informações são do portal Notícia Marajó.

Breno aproveitou o encontro e presenteou o Papa com um terço feito de caroço de açaí e confeccionado por ele mesmo. “Olá, sou o Breno Teles. Tenho 16 anos, nasci na Ilha de Marajó, onde a pobreza material e espiritual podem ser tocadas bem de perto. Ao conhecer os missionários da Comunidade Shalom, que serviu ao meu povo, nasceu em mim também o desejo de ofertar a minha vida, assim aliviar a dor daqueles que sofrem, que têm fome e sede de Deus”, discursou Breno, em frente a comunidade católica que esperava a chegada do Papa.

Desde criança, Breno e seus irmãos participam dos grupos de oração da Comunidade Shalom em Chaves. Foi com um missionário que ele aprendeu a confeccionar o terço de caroço de açaí com o qual presenteou o Santo Padre.

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Presente dado ao Papa representa o sustento na mesa do povo marajoara

Segundo a missionária Dilma, esse presente representa o sustento na mesa do povo marajoara e a subsistência da população de Chaves. “É a via de sobrevivência das famílias mais carentes que vivem do cultivo do açaí. Para eles, esse terço demonstra a devoção à Nossa Senhora de Nazaré, que é considerada a Rainha da Amazônia”, afirmou, ainda segundo o portal Notícia Marajó. 

Os três estão no Vaticano participando da Convenção Shalom 40 anos, que começou na sexta-feira (23) e que terminará nesta quarta-feira (28). Presente em dezenas de países do mundo, a Comunidade Católica Shalom mantém uma missão em Chaves, onde foi construída para ser um “oásis de misericórdia” em lugares onde os índices de vulnerabilidade social são grandes. No Espaço, crianças de sete anos e outros adolescentes da faixa etária de Breno, participam de oficinas de espiritualidade, violão, apoio pedagógico, contação de histórias e esporte.

Enquanto esperava a chegada do Papa, a missionária Dilma teve oportunidade de explicar o trabalho marajoara aos demais membros da comunidade, que se reúne em Roma a cada cinco anos “para renovar sua oferta de vida aos pés do sucessor de Pedro”.

“Eu sou Dilma, brasileira. Tenho 54 anos e estou em missão em Chaves, na Ilha de Marajó há 12 anos. Tive a alegria de ver surgir no coração da floresta Amazônica o Espaço de Paz. Foram alguns anos de empenho em vista de dar às crianças daquele local a possibilidade de um desenvolvimento integral”, contou. “Algumas vezes, quando o cansaço e o desânimo batiam, fomos surpreendidos ao encontrar em rostos de garotos como Breno, que está aqui do meu lado, o rosto sorridente de Jesus, que me consolava e me convidava a continuar sendo instrumento da sua misericórdia. Sem o encontro diário com Jesus, sem a presença dos irmãos e sem as crianças eu não teria conseguido. Foi uma obra realizada a muitas mãos”, completou.

Os três também participaram de uma mesa redonda durante a Conferência “Amigos dos Pobres”, realizada na Basílica de São João de Latrão. Breno emocionou os participantes da Conferência e também o público que acompanha a Convenção pelo Youtube ao contar sobre seu sonho de ser ordenado padre.

“Para mim, é uma grande alegria estar aqui com cada um de vocês. Esse sonho, como já dizia Santa Terezinha, ‘O bom Deus não nos inspiraria sonhos irrealizáveis’. Então, para mim, é uma grande alegria diante das tribulações, durante a nossa caminhada. O próprio Moysés (fundador da Comunidade Católica Shalom) no início da Comunidade, muitas tribulações provavelmente, todos nós trazemos. Confesso que já ouvi da minha própria família, não diretamente da minha mãe, do meu pai e dos meus irmãos, mas ‘que negócio é esse querer ser padre, não, não pode’, ‘tu é jovem, tem muito que viver, vai namorar’. Só que eu não vejo isso. Para mim é uma grande alegria permanecer nesse chamado e buscar. E sim, o bom Deus não nos inspira sonhos irrealizáveis”.

 

 

Pará
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