MC Íra lança 'Trama' e tece conexões entre passado e presente em sua música
Do rap à cultura periférica, a cantora expõe a trajetória de uma jovem negra, LGBT e periférica de Belém, com forte mensagem política e social
A cantora e rapper paraense MC Íra lança nesta quinta-feira (5) o single e videoclipe “Trama”, que aborda temas como identidade, autoestima, ambição e construção de trajetória, a partir da experiência de uma jovem mulher negra, LGBT e periférica de Belém.
Com o rap como base, a música incorpora influências do funk e do boombap, subgênero e estilo de produção do hip-hop. Na letra, passado e presente se entrelaçam, das dificuldades financeiras da infância à ocupação de palcos e espaços culturais.
“Quando falo de mudança de vida, é sobre como o rap e a arte estão transformando a minha realidade”, afirma a artista. MC Íra compreende o rap como uma ferramenta de denúncia e transformação social. Suas letras partem da vivência periférica, das desigualdades sociais e da afirmação de corpos negros como corpos políticos. “Nossos corpos são políticos. Muitas das dificuldades que a gente vive não são individuais, são sociais”, ressalta. Um dos versos de “Trama” faz referência ao amadurecimento precoce, o que a artista diz ser uma realidade comum a muitas juventudes negras e periféricas. “Ser obrigada a virar adulta muito cedo não é um caso isolado. Muitas jovens negras e pessoas pobres vivem isso”, afirma.
VEJA MAIS
A estética ocupa papel central no projeto e dialoga com a cultura hip hop e com a construção da autoestima. O styling do videoclipe é assinado por Raquel Lima, conhecida como Princess Babe, modelo e influenciadora que atua com moda sustentável e brechós. Segundo MC Íra, a parceria foi decisiva para a concepção visual. “Ela [Raquel Lima] fala justamente sobre moda sustentável e sobre como transformar um look com criatividade em algo potente, e como podemos elevar nossa autoestima com os recursos que possuímos”, destaca.
O single e o videoclipe foram financiados por meio da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB) e contaram com uma equipe majoritariamente formada por profissionais negros de Belém, fortalecendo a cadeia produtiva da cultura local. Para a artista, o acesso a políticas públicas é fundamental: “Os editais são fundamentais para artistas independentes, principalmente no Norte. Sem recursos, a gente não consegue entregar o trabalho como imagina”.
MC Íra, nome artístico de Maíra Mendes Rocha Gomes, nasceu no Amapá e foi criada em Belém. Desde 2019, constrói carreira independente no rap e trap do Norte do Brasil. Entre seus trabalhos estão o álbum Joia (2024), o EP Opala (2021) e singles como “Menina Pretinha”, “Exú que Fez”, “Flow Viralata”, “Elas Gostam de Perigo” e “Vinguei”. Além da música, atua como produtora cultural e organiza batalhas de rima voltadas à ampliação da presença feminina na cultura hip hop.
A faixa antecipa o EP Maramba, previsto para 2026, e marca o primeiro trabalho da artista em parceria com o produtor Brunoso e o coletivo Saturação, responsável pela direção artística e audiovisual do projeto. Acompanhado de um videoclipe, o single está disponível nas principais plataformas digitais de música e no YouTube.
Serviço
Lançamento do clipe e videoclipe “Trama”
Data: 5 de fevereiro
Onde: nas principais plataformas de áudio e vídeo
(Riulen Ropan, estagiário de Jornalismo, sob supervisão de Abílio Dantas, coordenador do núcleo de Cultura)
Palavras-chave
COMPARTILHE ESSA NOTÍCIA