Giovanna Pitel participa de debate sobre amazofuturismo em evento gratuito na capital paraense
O Pré-Motins uma iniciativa realizada em parceria entre o Festival Psica e o Negritudes Globo para valorizar as narrativas pretas e periféricas da Amazônia
No dia 29 de janeiro, a Casa Dourada recebe o Pré-Motins, encontro em parceria do Psica e o Negritudes Globo, iniciativa da Globo voltada à valorização das narrativas negras na cultura brasileira. Esse momento é um esquenta para o Motins, encontro pan-amazônico que será realizado em março.
Entre as presenças confirmadas está a ex-BBB Giovanna Pitel, que irá mediar o debate sobre amazofuturismo. O painel propõe uma conversa sobre estética, encantarias e tecnologias ancestrais da Amazônia, com participação de Naré, músico e diretor; Andrey Rodrigues, do projeto Caboquisse, que atua com identidade e cultura amazônica; e Bruna Suelen, diretora criativa e escritora.
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“Eu acho que a estética amazofuturista tem uma força enorme porque ela reposiciona o Norte como centro de criação, e não como ‘exótico’, ‘distante’ ou ‘parado no tempo’. Quando a gente fala de estética, a gente está falando de imagem, de símbolo, de linguagem — e linguagem muda a forma como as pessoas enxergam um território. O amazofuturismo, do jeito que eu entendo, não é fantasia: é uma proposta de futuro que nasce de quem já tem tecnologia há muito tempo, mas que muita gente não aprendeu a reconhecer. É a tecnologia do cuidado com a natureza, do coletivo, do conhecimento do corpo, do território, dos ciclos. E quando isso vira estética na moda, na música, na arte, no audiovisual, quebra aquele estereótipo do Norte como ‘só floresta’ ou ‘só carência’. Mostra que ali tem inovação, beleza, ciência, sofisticação e, principalmente, autoria”, pontua Pitel.
Nascida e criada em Maceió, Alagoas, Pitel tem uma trajetória marcada por resiliência e dedicação ao trabalho. Atualmente, ela acumula mais de 1,3 milhão de seguidores e utiliza suas redes sociais para inspirar jovens a alcançarem seus objetivos, sempre respeitando suas histórias e valores.
“Quando eu penso na periferia do Nordeste e na periferia da Amazônia, eu vejo um ponto de encontro muito forte: resistimos à desigualdade social criando. Criando linguagem, música, moda, jeito de viver, rede de apoio, cuidado coletivo… é a cultura como ferramenta de sobrevivência e de afirmação. E é inegável que o Brasil é um país para o qual o mundo olha por dois motivos muito claros: a nossa riqueza cultural e a nossa riqueza natural. A COP 30 acontecer em Belém, por exemplo, diz muito sobre isso, porque a Amazônia não é ‘paisagem’, é território vivo, é gente, é história. Só que também tem uma verdade que eu trago do meu olhar de assistente social: não dá para romantizar a resistência como se fosse destino. Resistir cansa. Por isso, políticas públicas precisam existir e chegar de verdade aos territórios, oferecendo melhor saneamento, educação, saúde, mobilidade e renda. O povo não pode continuar vivendo na ‘subexistência’ enquanto o país é celebrado lá fora”, explica.
A produtora de conteúdo já esteve em Belém em outro momento, e o seu olhar de observação e admiração se tornou ponto focal para as análises dela em relação a território e resistência.
“Belém sempre me abraçou! Eu já estive aqui antes e fui muito bem acolhida, e isso faz com que nosso coração transborde. A comida, o jeito das pessoas, o ritmo… tudo te traz uma sensação gostosa de sentir. Eu chego a Belém com respeito e curiosidade, e saio com mais responsabilidade. Porque quando a gente mergulha em conhecimentos diferentes, nunca voltamos a ser os mesmos. Eu volto com repertório, com mais escuta e com mais vontade de usar a comunicação para amplificar histórias e conversas emergenciais sobre nosso país”, finaliza.
O Pré-Motins contempla uma programação baseada em três eixos: ancestralidade, encantarias e tecnologia amazônida, propondo diálogos entre inovação cultural e narrativas do território.
“O Festival Negritudes Globo tem muitas afinidades com o Festival Psica e com o Motins. Ambos se centram na potência da negritude e da periferia, falam de cultura, criatividade, música e arte. A gente acaba se encontrando porque o Psica, além de ser amazônida, é também um festival preto e periférico, que discute música, gastronomia e cultura a partir dos territórios”, afirma Jeft Dias, diretor da Psica Produções.
O evento amplia o alcance das narrativas produzidas na Amazônia e o diálogo, como pontua Ronald Pessanha, líder do Negritudes Globo: “O Negritudes nasceu com o propósito de dar visibilidade às potências negras que são fonte de inovação, criatividade e tendências da nossa brasilidade. Chegar a Belém, junto com o Psica, nos enche de orgulho e mostra que, somando forças, é possível abrir espaço para os talentos locais e valorizar a riqueza da cultura afro-indígena amazônica.”
A agenda inicia às 15h, com a exibição do filme Boiúna, e após a sessão, haverá falas de Tayana Pinheiro e Jhanyffer, artistas e pesquisadoras ligadas ao audiovisual e às narrativas do território. Na sequência, representantes do Festival Psica e do Negritudes Globo apresentam a proposta da parceria inédita entre os dois projetos.
A partir das 15h40, o rapper paraense Moraes MV sobe ao palco com uma performance marcada pela oralidade, pela experiência urbana e pelas referências amazônicas; em seguida, às 15h55, haverá o debate com a participação de Pitel.
Às 16h45, um segundo debate discute as narrativas do Brasil a partir do território ancestral amazônico e das memórias de povos originários e de matriz africana, reunindo pesquisadoras, artistas e agentes culturais da região. No fim da tarde, às 17h30, a banda Gang do Eletro se apresenta e a programação encerra às 18h com Mestre Dimmi e o grupo Carimbó Sensacional, representantes do carimbó.
Programação
15h – Exibição do filme Boiúna + falas
15h30 – Abertura Psica e Negritudes Globo
15h40 – Moraes MV
15h55 – Debate: Amazofuturismo
16h45 – Debate: Narrativas do Brasil a partir do território amazônico
17h30 – Gang do Eletro
18h – Mestre Dimmi e Carimbó Sensacional
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