Exclusivo: Fotógrafo Marcos Hermes faz música com imagens há 35 anos

Fotógrafo já registrou artistas nacionais e internacionais e inicia novo trabalho no Pará

Eduardo Rocha

Música e imagens caminham juntas na trajetória do fotógrafo profissional e diretor carioca Marcos Hermes, que agora está no Pará iniciando um novo trabalho. De fã apaixonado por capas de discos, Marcos se transformou no fotógrafo oficial de nomes da música brasileira e internacional, como Ney Matogrosso, Cássia Eller, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Paul McCartney, Madonna, Keith Richards e outros membros dos Rolling Stones, além do Metallica. Ele é baterista e está sempre se reinventando.

"Não há música sem imagem, em todos os sentidos, especialmente no sentido da poesia", diz Marcos, ao lado da esposa paraense Sílvia Quadros, no Mercado de Ferro do Ver-o-Peso, em Belém, antes de partir para novos horizontes na tela. No Pará, ele está começando um trabalho com a professora de dança, diretora e bailarina Ana Unger. Ela o convidou para um projeto intitulado “Motirô”, previsto para 2025.

Marcos Hermes no Mercado de Carne, do Ver-o-Peso

Em 2024, Marcos Hermes comemora 35 anos de carreira. Ele se considera um fotógrafo do cotidiano. “Eu passei muito tempo pelo jornalismo, mas a música sempre foi a minha paixão. Sou músico desde moleque e sou um dos recordistas em capas de disco no Brasil. Fiz mais de 800 capas de disco. É sempre um prazer trabalhar com a música, em estilos diferentes, como Caetano Veloso, Milton Nascimento, Sepultura, O Rappa, festivais e artistas internacionais”, destaca.

VEJA MAIS

image Fotógrafo e modelo de Castanhal são destaque pela segunda vez na Vogue Itália
A revista Vogue é referência mundial de moda e estilo de vida que cobre muitos tópicos, incluindo moda, beleza, cultura, estilo de vida e passarela

image Fotógrafo Thiago Bernardes registra suas vistas morando em veleiro em alto-mar
Há três anos, projeto “Mar em Foto” realiza sonho de renomado fotógrafo brasileiro. O Pará está no itinerário

image Fotógrafo paraense registra trabalho do Padre Júlio Lancelloti com pessoas em situação de rua
Rafael Fernando participa da II Mostra Fotográfica Ódio e Convivência que abre no dia 01 de outubro no Sesc Piracicaba

No Pará, Marcos Hermes já fez fotos de um bocado de gente talentosa, fotos que venceram fronteiras: Fafá de Belém, Gaby Amarantos, Jane Duboc, Dona Onete, Gang do Eletro, Arraial do Pavulagem (no Círio), Pio Lobato, artistas da guitarrada e outros.

Em outras palavras, Marcos atua onde muita gente gostaria de estar, bem perto dos artistas. Diz ser um privilegiado por trabalhar com o que gosta. Essa proximidade com nomes da música e da cultura brasileira em geral resulta em momentos inesquecíveis para Marcos. Assim se deu com a cantora Cássia Eller, de quem ele fez as fotos do disco acústico e se tornou amigo.

image Marcos Hermes no Mercado de Carne do Ver-o-Peso, em Belém: sempre atento ao que acontece (Foto: Cristino Martins / O Liberal)

Escolhas

Como ele próprio diz, “a fotografia me escolheu”. Isso porque na época em que começou não existia curso superior de Fotografia. “Como eu sou um observador, eu comecei a me apaixonar pelas capas dos álbuns dos artistas que eu gostava, desde cedo eu me interessei pela música e também em querer ser um músico. Cresci numa rua de colecionadores de vinil, e isso me ajudou a ter referências como as capas do Iron Maiden, dos Beatles, com várias técnicas. E eu me transformei num artista multimídia por esse interesse em artes plásticas, design, ilustração, colagem, escultura, literatura, poesia”, conta.

Como muita gente, Marcos Hermes ia aos shows dos artistas que admirava. O fato de trabalhar na Imprensa (rádio e revista) contribuiu no começo da carreira. “Eu fiz o Metallica com 15 anos, credenciado pela rádio”, diz. Ele busca sempre entender a forma pela qual o artista se expressa. E sabe que no final do trabalho “o fã quer ver uma foto espetacular do artista”.

“O meu objetivo é esse, é traduzir a música em imagem", pontua o fotógrafo Marcos Hermes.

Mergulho

Essa atitude pode ser conferida nas capas de discos que fez de artistas como Ben Harper, Guns & Roses (“Live Era”, edição brasileira em 2001), do RBD e Sandy e Júnior. Marcos cobriu temporadas de Paul McCartney, que já anunciou a volta ao Brasil este ano. Marcos já registrou em fotos 30 shows do baixista dos Beatles e produziu o clipe de “Back to Brazil”. "O Paul é o artista internacional com quem eu mais trabalhei. Eu fiz mais de 20 mil fotos do Paul McCartney", relata. Recentemente, Marcos Hermes fez uma turnê latina com a cantora Alicia Keys e o show de Madonna no Rio. 

“Quando o artista está no palco, você não tem ingerência. Você precisa entender de luz, de direção. O fato de eu ser baterista me ajuda muito no ritmo do que está acontecendo, para as expressões, para entender bem o tempo da música ali. No estúdio, são pessoas. Não tem instrumento e o artista não é modelo. Eu estudo tudo sobre o artista, até a cor de que ele gosta”, completa o fotógrafo.

E foi assim que ele fez fotos com os Rolling Stones, incluindo o antológico show em Copacabana, em 2007, do qual saiu um álbum com sete fotos dele no disco. Fez o show de 50 anos de carreira da banda em Portugal, em 2014, e, em 2016, dois shows do grupo, um no Maracanã e outro no Morumbi. Outra foto importante: a de Alicia Keys, em 2023, capa da revista “Rolling Stone” Latina.

Fotos de Marcos Hermes

Aprendizado

 Marcos Hermes fotografa o cantor Ney Matogrosso há 25 anos. “Trabalhar com o Ney é o maior aprendizado que eu tenho. Trabalhando em estúdio ou numa locação ou ao vivo, ele se doa muito para mim. É um privilégio absurdo, gigantesco. Ele é capa do meu livro ‘Brasilerô’ (2018)”, declara.

Privilégio também em ter feito a foto do disco 50 anos de Gil e Caetano, “Dois Amigos e um Século de Música” (capa e shows). Hermes já fez nove capas de discos de Caetano, entre coletâneas, singles e álbuns. Outro momento foi fazer a foto do disco de 50 anos de carreira do cantor e compositor Milton Nascimento, além da última turnê “A Última Sessão de Música”. “Eu quero mais estar aqui, o Pará tem muita riqueza musical, artística”, finaliza Marcos Hermes, antes do próximo clique musical.

Entre no nosso grupo de notícias no WhatsApp e Telegram 📱
Cultura
.
Ícone cancelar

Desculpe pela interrupção. Detectamos que você possui um bloqueador de anúncios ativo!

Oferecemos notícia e informação de graça, mas produzir conteúdo de qualidade não é.

Os anúncios são uma forma de garantir a receita do portal e o pagamento dos profissionais envolvidos.

Por favor, desative ou remova o bloqueador de anúncios do seu navegador para continuar sua navegação sem interrupções. Obrigado!

ÚLTIMAS EM CULTURA

MAIS LIDAS EM CULTURA