Leandra Leal participa de minissérie da Netflix sobre o acidente com o Césio-137 em Goiânia
A narrativa destaca o papel fundamental de médicos e cientistas nacionais na criação de tratamentos inovadores que se tornaram referência internacional
Nesta quarta-feira, 18, estreia na Netflix a minissérie “Emergência Radioativa”, com cinco episódios. Inspirado no acidente real com o Césio-137, o drama retrata a tragédia iniciada pela abertura de uma máquina de radioterapia em Goiânia, em 1987. Com o material radioativo exposto, a contaminação se espalhou pela cidade e o episódio rapidamente se transformou em um desastre de proporções nacionais. Físicos, médicos, químicos, autoridades e moradores foram mobilizados em uma verdadeira corrida contra o tempo para conter a crise e salvar vidas.
A personagem Esther, interpretada por Leandra Leal, desempenha o papel de física no Instituto de Radioproteção e Dosimetria (IRD) dentro da narrativa. Com o objetivo de assegurar o máximo de fidelidade aos acontecimentos históricos, a produção realizou consultas detalhadas com especialistas de múltiplos setores, como médicos e físicos que trabalharam diretamente durante o acidente. Além disso, o processo de criação incorporou depoimentos essenciais de pessoas que testemunharam a tragédia, permitindo que a construção dramática dos personagens fosse baseada em vivências reais e relatos fundamentais.
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“Ela é uma mulher cientista nos anos 1980, ocupando um cargo de liderança, o que, por si só, já carrega uma especificidade enorme naquele contexto. Logo quando ela chega ao IRD, acontece o acidente, e ela começa a se dedicar bastante a ajudar as vítimas de alguma forma, por meio do conhecimento dela e do instituto. Ela também é uma pessoa muito altiva, que tem confiança na ciência brasileira. A Esther trabalhava em laboratório, nunca tinha lidado diretamente com seres humanos. E isso aconteceu com várias pessoas envolvidas nesse caso: foi a primeira vez que estavam ali lidando com o paciente. É muito desesperador chegar a esse momento em que ‘não tem mais nada a ser feito’. Então essas pessoas ficam: ‘Não, espera aí. A gente precisa achar alguma coisa para melhorar, para reverter essa situação’. Esses novos tratamentos acho que também surgem desse contato com o outro, sabe? Do contato com o humano”, disse.
A atriz destaca que estar em contato com as pessoas que passaram e ainda vivem esse drama fez a diferença na hora de compor Esther: “Eu conversei com uma pessoa que esteve lá, e ela falou que foi um acontecimento trágico e que transformou a vida dela no sentido de olhar mais para o outro, sabe? De olhar mais para o outro e de entender essas pessoas que sofreram, que foram vítimas do Césio em Goiânia; cada uma delas tinha uma história, uma vida, tinha uma casa e perderam, absolutamente, tudo. Então essas pessoas precisam ser lembradas.”
A tragédia, ocorrida apenas um ano após o desastre nuclear de Chernobyl, disseminou um sentimento de pânico pelo Brasil e gerou um forte estigma sobre os habitantes e as mercadorias de Goiânia. Naquele período, a circulação dos moradores passou por rígidos controles e a economia local, sobretudo o setor turístico, sofreu danos severos. No campo jurídico, o episódio influenciou as normas sobre produtos nucleares e tornou-se pauta durante a Assembleia Constituinte de 1988. Por outro lado, o conhecimento médico desenvolvido no país para o tratamento das vítimas foi pioneiro, resultando em soluções inovadoras que acabaram integradas aos protocolos internacionais de saúde.
“É muito inesperado, porque esse acidente, da forma como aconteceu, foi fruto de muitos descasos. Então é algo muito brutal, porque atinge vítimas que não têm absolutamente nenhuma relação com o Césio e que, por desconhecimento, acabam se contaminando. São pessoas muito simples que, de repente, são retiradas de suas casas, de toda a sua existência. E aqui aconteceu, de fato, uma corrida contra o tempo. É muito inédito, porque esses pacientes foram se contaminando durante um período muito extenso; eles ficaram expostos ao Césio por dias. E os tratamentos que existiam na época não davam conta dessa situação. Então cientistas e médicos brasileiros acabaram tendo que buscar outras formas de tratamento para uma situação inédita e inesperada que tinha acontecido”, explica.
Leandra Leal consolidou uma carreira de destaque em dezenas de obras de ficção, mas também carrega em seu currículo uma sólida experiência em projetos baseados em fatos reais. Agora, a atriz apresenta ao público a produção "Emergência Radioativa", mergulhando no acidente histórico que desencadeou uma tragédia de proporções nacionais.
“É uma história trágica, fruto de muito descaso público e também privado. Acho que são erros que não podem ser repetidos e que, por si só, já justificam que essa história seja contada. É uma forma de lembrar das vítimas e também de honrá-las. A ciência brasileira, a medicina, mesmo com toda a dificuldade que existe no Brasil para a produção de conhecimento, conseguiram criar um protocolo novo, que depois virou referência”, finaliza a atriz.
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