Cantor cametaense Dino Sena comemora 76 anos e sonha com a conquista do ‘Guinness’
Entre a venda de farinha e a produção musical, cantor acumula dezenas de álbuns e projeta reconhecimento internacional
O cantor e compositor cametaense Bernardino Sena da Cruz, mais conhecido como Dino Sena, celebra 76 anos, hoje (14), somando mais de duas décadas dedicadas à música. Com 65 discos gravados ao longo de 25 anos de produção fonográfica, o artista, que também trabalha com a venda de farinha em Cametá, mantém vivo o sonho de ter seu nome registrado no Guinness Book como um dos músicos com maior número de álbuns lançados em menor intervalo de tempo.
Conhecido por transitar entre gêneros como brega, carimbó, samba e reggae, Dino Sena construiu uma trajetória marcada pela persistência e pela forte ligação com suas raízes. A tradição da farinha vem de família. “Foi uma herança do meu pai. Para não acabar, eu fui para Cametá e incrementei a farinha. É ela que me patrocina todo esse tempo, patrocina minhas gravações”, conta. É da comercialização da farinha que sai o sustento e também o investimento para manter a carreira artística ativa.
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Cametá, segundo o cantor, é fonte inesgotável de inspiração. “Cametá é um celeiro cultural. Tem histórias, lendas, contos, mulheres bonitas. Eu peguei tudo isso e transformei em música. Eu amo o pessoal de Cametá”, afirma. Ele diz que suas composições funcionam como registros do cotidiano e das relações humanas. “Minha música é história. Contando amor, desavença, separação”, explica.
A relação com a música começou ainda na infância, influenciado por nomes como Roberto Carlos, Reginaldo Rossi e Wanderléa. Mas foi apenas na década de 1970, já adulto, que passou a compor. “Eu estava sentado quando veio uma luz. A partir daí comecei a escrever. Fiz ‘Garota do Meu Sonho’ e nunca mais parei”, relembra.
O aprendizado no violão também veio da família. Seu tio, o professor Raimundo Penafort de Sena, foi quem o introduziu ao instrumento. “Era um violão só para todo mundo, daqueles cavados no pau. Professor Penafort, ele que foi meu mestre”, diz.
Grande parte da produção musical de Dino Sena tem a parceria do músico Chico, conhecido como integrante Banda Halley, responsável pelos arranjos e pela sonoridade dos discos. “Eu levo a letra para o estúdio e ele cria os arranjos. É meu parceiro há 25 anos”, destaca.
Entre as canções mais conhecidas está “Sharon Stone”, que ganhou projeção nacional e se tornou um dos hits mais comentados do Carnaval. A música recebeu uma nova versão com apoio de Inteligência Artificial, trazendo sonoridade mais moderna sem perder o ritmo contagiante do axé. O sucesso viralizou nas redes sociais, ampliando o alcance do artista dentro e fora do Pará.
Reconhecido como patrimônio cultural em Cametá, Dino Sena quer agora ampliar esse reconhecimento. “Só falta ser registrado, porque a minha música é história”, afirma, ao falar do desejo de entrar para o Guinness.
Para celebrar os 76 anos, o cantor convida a população para uma comemoração popular, a partir das 18h, em frente à Farinha do Juvenal, em Cametá. Haverá bolo, fotos com o público e muita música.
(Riulen Ropan, estagiário de Jornalismo, sob supervisão de Abílio Dantas, coordenador do núcleo de Cultura)
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