Belém faz 410 anos e cinema local ajuda a preservar história e identidade
Produções audiovisuais retratam o cotidiano da capital paraense e fortalecem a memória cultural da cidade
Belém completa 410 anos nesta segunda-feira (12) e sua história, o cotidiano e as memórias da cidade ganham representação em diversas produções cinematográficas. O cinema produzido na capital paraense tem papel importante na construção da identidade local e também inspira novas gerações de realizadores audiovisuais.
A relevância do cinema belenense é destacada pela conselheira audiovisual no Conselho de Cultura de Belém, Izabela Chaves, e pela graduanda de Cinema e Audiovisual da Universidade Federal do Pará (UFPA), Mariana Nagata. Elas comentam como as produções locais ajudam a retratar Belém a partir do olhar de quem vive a cidade.
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Origem do cinema em Belém e crescimento histórico
O cinema em Belém surgiu em 1912, com a inauguração do Cine Olympia, reconhecido como o cinema mais antigo do Brasil em funcionamento. No início do século XX, impulsionada pelo auge do ciclo da borracha, a capital paraense chegou a contar com mais de 20 salas de exibição.
Entre elas estavam espaços considerados modernos para a época, como o Cine Poeira e o Cine Independência. Ao longo dos anos, o cinema se consolidou como parte da vida cultural da cidade e segue influenciando a produção artística local.
Referências paraenses na formação de novos cineastas
Graduanda em Cinema e Audiovisual da UFPA, Mariana Nagata relata que o primeiro contato com o cinema paraense aconteceu durante a graduação, mas que suas principais referências estão ligadas a realizadores locais.
“Meu primeiro contato com o cinema paraense foi tardio, na faculdade de cinema mesmo. Fui estudando realizadores como a Jorane Castro, a primeira realizadora paraense que fui buscar conhecer a filmografia, seguida do Líbero Luxardo, responsável pelo primeiro longa-metragem paraense (na década de 60), e Adriana de Faria, atual referência para tantos estudantes e cinéfilos daqui, além de Edna Castro, Roger Elarrat, Joyce Cursino e tantos outros”, afirmou Mariana.
Cinema como geração de renda e representação social
Izabela Chaves, conselheira audiovisual no Conselho de Cultura de Belém, também é graduanda de Cinema e Audiovisual da UFPA e atua como educadora audiovisual. Ela destaca que o setor impacta diretamente a economia local e amplia as possibilidades de representação da cidade.
“O cinema e audiovisual impactam empregos diretos e indiretos, movem o comércio, a alimentação e o transporte. E por muito tempo, fomos contados pelo olhar do outro. Hoje temos uma faculdade de Cinema e Audiovisual na UFPA, produzindo consistentemente curtas-metragens que já receberam prêmios. Temos uma cena de jovens talentos muito rica”, disse Izabela.
Desafios para fortalecer a produção audiovisual local
Apesar da visibilidade conquistada pelas produções recentes, Izabela ressalta que apenas assistir aos filmes não é suficiente para formar novos cineastas. Segundo ela, é necessário garantir melhores condições de trabalho para fortalecer toda a cadeia produtiva do audiovisual.
“Só nos assistir não garante que formemos novos cineastas. Não basta somente fazer. Os filmes são importantes para a nossa autoestima, nossa memória e o nosso tempo na questão dos espectadores. Para a questão da geração de novos cineastas belenenses precisamos compreender essa cadeia para que tenhamos melhores condições de realizar”, afirmou.
Cinema como memória e patrimônio cultural
Mariana Nagata destaca que o cinema vai além do entretenimento e cumpre um papel fundamental na preservação da memória e da identidade social. Para ela, o audiovisual contribui para registrar e valorizar patrimônios materiais e imateriais da cidade.
“Além de entreter, o cinema gera reflexão, reconhecimento, denúncia e cria memória. Temas e pessoas são imortalizados por negativos e imagens digitais, e sempre devem ser revisitados pelos cidadãos. O patrimônio da nossa cidade é tanto material quanto imaterial, mas penso que alguns deles são esquecidos por uma parcela da população, ou nunca nem foram apresentados a ela, mas se o cinema é capaz de registrá-los e exaltá-los, então o deve ser feito, e, acima disso, distribuído e visualizado”, concluiu.
(*Gustavo Vilhena, estagiário de Jornalismo, sob supervisão de Abílio Dantas, coordenador do núcleo de Cultura)
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