Belém faz 410 anos e cinema local ajuda a preservar história e identidade

Produções audiovisuais retratam o cotidiano da capital paraense e fortalecem a memória cultural da cidade

Gustavo Vilhena*
fonte

Belém completa 410 anos nesta segunda-feira (12) e sua história, o cotidiano e as memórias da cidade ganham representação em diversas produções cinematográficas. O cinema produzido na capital paraense tem papel importante na construção da identidade local e também inspira novas gerações de realizadores audiovisuais.

A relevância do cinema belenense é destacada pela conselheira audiovisual no Conselho de Cultura de Belém, Izabela Chaves, e pela graduanda de Cinema e Audiovisual da Universidade Federal do Pará (UFPA), Mariana Nagata. Elas comentam como as produções locais ajudam a retratar Belém a partir do olhar de quem vive a cidade.

VEJA MAIS

image Academia Paraense de Cinema nasce para fortalecer audiovisual amazônico
Iniciativa será lançada no Cine Líbero Luxardo em 18 de dezembro com homenagem a Pedro Veriano e sessão especial de Charles Chaplin

image Cineasta paraense mostra como ‘Quarto de Despejo’ inspira novos olhares na sociedade
Filme de Marcos Corrêa - ‘Você está no Caminho Certo’ - terá estreia na Exibe - Mostra de Cinema de Barbacena, em Minas Gerais, neste sábado (25), às 19h30

Origem do cinema em Belém e crescimento histórico

O cinema em Belém surgiu em 1912, com a inauguração do Cine Olympia, reconhecido como o cinema mais antigo do Brasil em funcionamento. No início do século XX, impulsionada pelo auge do ciclo da borracha, a capital paraense chegou a contar com mais de 20 salas de exibição.

Entre elas estavam espaços considerados modernos para a época, como o Cine Poeira e o Cine Independência. Ao longo dos anos, o cinema se consolidou como parte da vida cultural da cidade e segue influenciando a produção artística local.

Referências paraenses na formação de novos cineastas

Graduanda em Cinema e Audiovisual da UFPA, Mariana Nagata relata que o primeiro contato com o cinema paraense aconteceu durante a graduação, mas que suas principais referências estão ligadas a realizadores locais.

“Meu primeiro contato com o cinema paraense foi tardio, na faculdade de cinema mesmo. Fui estudando realizadores como a Jorane Castro, a primeira realizadora paraense que fui buscar conhecer a filmografia, seguida do Líbero Luxardo, responsável pelo primeiro longa-metragem paraense (na década de 60), e Adriana de Faria, atual referência para tantos estudantes e cinéfilos daqui, além de Edna Castro, Roger Elarrat, Joyce Cursino e tantos outros”, afirmou Mariana.

Mariana Nagata

Cinema como geração de renda e representação social

Izabela Chaves, conselheira audiovisual no Conselho de Cultura de Belém, também é graduanda de Cinema e Audiovisual da UFPA e atua como educadora audiovisual. Ela destaca que o setor impacta diretamente a economia local e amplia as possibilidades de representação da cidade.

“O cinema e audiovisual impactam empregos diretos e indiretos, movem o comércio, a alimentação e o transporte. E por muito tempo, fomos contados pelo olhar do outro. Hoje temos uma faculdade de Cinema e Audiovisual na UFPA, produzindo consistentemente curtas-metragens que já receberam prêmios. Temos uma cena de jovens talentos muito rica”, disse Izabela.

Izabela Chaves

Desafios para fortalecer a produção audiovisual local

Apesar da visibilidade conquistada pelas produções recentes, Izabela ressalta que apenas assistir aos filmes não é suficiente para formar novos cineastas. Segundo ela, é necessário garantir melhores condições de trabalho para fortalecer toda a cadeia produtiva do audiovisual.

“Só nos assistir não garante que formemos novos cineastas. Não basta somente fazer. Os filmes são importantes para a nossa autoestima, nossa memória e o nosso tempo na questão dos espectadores. Para a questão da geração de novos cineastas belenenses precisamos compreender essa cadeia para que tenhamos melhores condições de realizar”, afirmou.

Cinema como memória e patrimônio cultural

Mariana Nagata destaca que o cinema vai além do entretenimento e cumpre um papel fundamental na preservação da memória e da identidade social. Para ela, o audiovisual contribui para registrar e valorizar patrimônios materiais e imateriais da cidade.

“Além de entreter, o cinema gera reflexão, reconhecimento, denúncia e cria memória. Temas e pessoas são imortalizados por negativos e imagens digitais, e sempre devem ser revisitados pelos cidadãos. O patrimônio da nossa cidade é tanto material quanto imaterial, mas penso que alguns deles são esquecidos por uma parcela da população, ou nunca nem foram apresentados a ela, mas se o cinema é capaz de registrá-los e exaltá-los, então o deve ser feito, e, acima disso, distribuído e visualizado”, concluiu.

(*Gustavo Vilhena, estagiário de Jornalismo, sob supervisão de Abílio Dantas, coordenador do núcleo de Cultura)

 

Assine O Liberal e confira mais conteúdos e colunistas. 🗞
Entre no nosso grupo de notícias no WhatsApp e Telegram 📱
Cultura
.
Ícone cancelar

Desculpe pela interrupção. Detectamos que você possui um bloqueador de anúncios ativo!

Oferecemos notícia e informação de graça, mas produzir conteúdo de qualidade não é.

Os anúncios são uma forma de garantir a receita do portal e o pagamento dos profissionais envolvidos.

Por favor, desative ou remova o bloqueador de anúncios do seu navegador para continuar sua navegação sem interrupções. Obrigado!

ÚLTIMAS EM CULTURA

MAIS LIDAS EM CULTURA