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A volta da comissão julgadora do Arte Pará 2022

Aldrin Figueiredo, Sandra Benites e Daniel Barretto serão os jurados da comissão de seleção da 40ª edição

Bruna Lima

Depois de cinco edições sem premiação, o Arte Pará volta com a mostra competitiva para artistas, que podem se inscrever até 16 de Julho, por meio do link, em duas categorias distintas: Mostra Nacional e Fomento à Produção de Artistas Emergentes da Amazônia Legal.

Num processo de testemunho da produção da arte contemporânea, a avaliação dos trabalhos inscritos, feita pelo curador geral do evento, Paulo Herkenhoff, e pelos convidados – Aldrin Figueiredo, Sandra Benites e Daniel Barretto –, acontecerá no final de julho no Rio de Janeiro, no Museu Nacional de Belas Artes, um dos espaços museais mais antigos do país.

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É a primeira vez na história do projeto que a análise acontece em outra cidade. "Não quero que o Arte Pará fique só aqui. O projeto é um cenário da produção da arte; a  própria História da Arte nos diz isso", comenta Roberta Maiorana, diretora da Fundação Romulo Maiorana e uma das curadoras adjuntas do Arte Pará, juntamente com Laura Rago e Vânia Leal. "O movimento de expandir as fronteiras do projeto e ampliar a presença de artistas em outros territórios é uma das propostas desta edição", completa Laura Rago. 

Com um time diverso e experiente, a comissão vai avaliar, julgar e interpretar todas as obras inscritas com base na adequação aos objetivos do edital, na clareza e qualidade artística das propostas apresentadas, no interesse cultural e coerência que a obra desperta e na viabilidade da proposta quanto à sua realização.


Conheça os jurados do Arte Pará 2022

 

Ara Rete / Sandra Benites

Em português é Sandra Benites, mas em Guarani Nhandewa é Ara Rete. Em 2020, ela se tornou a primeira curadora indígena de um museu do Brasil, o MASP (Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand). Mas em maio deste ano, ela pediu demissão do cargo de curadora-adjunta depois de seis fotos do MST e da luta indígena serem vetadas de uma mostra.

Sandra é antropóloga, arte-educadora, artesã e tem doutorado em antropologia social. É natural da etnia Guarani Nhandewa, da aldeia de Porto Lindo, no Mato Grosso do Sul. Iniciou a carreira na educação com a formação inicial de licenciatura intercultural indígena, na Universidade de Santa Catarina, para atuar especificamente na formação para indígenas. Entre 2015 e 2016, iniciou o mestrado e depois já emendou no doutorado, que vai concluir no próximo ano.

A primeira vez que teve contato de forma mais estreita com o mundo da arte não-indígena foi em 2017, quando recebeu o convite para o trabalho de co-curadora do Museu de Arte do Rio de Janeiro (MAR). Ao lado de outros curadores, Sandra formou o time e diz que a iniciativa teve grande importância, pois foi o início da trajetória no mundo da arte não-indígena.

“Nós temos a nossa forma de fazer arte e temos uma outra forma de visualizar a arte no nosso cotidiano, no nosso entendimento de mundo. Então, a partir desse convite me deparo com outro aspecto, outro olhar. E a partir daí comecei a me aproximar mesmo do mundo da arte não-indígena”, esclarece Benites.

Para Sandra, a sua introdução para esse lugar de curadora no mundo das artes vem com objetivo de marcar a sua trajetória de luta e de mostrar a narrativa indígena a partir do ponto de vista de quem é da aldeia e não do ponto de vista colonial. “A minha trajetória é resultado da minha luta. Sou militante das causas das mulheres indígenas e pela questão de democratizar a diversidade cultural para que possamos viver em um mundo mais igual e com respeito”, comenta.

A integrante da comissão diz que está feliz com o convite para integrar o time da 40ª edição do Arte Pará e adianta que vai fazer um trabalho de avaliação individual e coletiva ao lado dos demais integrantes. “Além de avaliar o projeto de pesquisa de cada artista, eu também levo em consideração a questão racial, a questão de gênero e a experiência do artista com relação às suas origens e representatividades”, pontua Sandra.

Aldrin Figueiredo

Historiador e professor universitário, Aldrin Figueiredo acredita que a pesquisa de doutorado sobre o pintor brasileiro, nascido no Pará, Theodoro Braga, tenha sido a janela para a introdução no mundo da arte na Amazônia. Ao mesmo tempo, trabalhou fora da universidade, com museus especialmente, estudando as coleções e as reservas técnicas. A partir disso, começou a ser convidado para fazer curadorias – algo que foi aprendendo na prática com muitas pessoas com quem trabalhou.

O convite para integrar o time do Arte Pará surgiu diretamente de uma das curadoras-adjuntas, Roberta Maiorana. “Penso eu, que a fagulha foi a exposição ‘Raio que o parta: ficções do moderno no Brasil’, que está no SESC 24 de maio em São Paulo, na qual eu participei como um dos curadores. Roberta gostou muito da exposição e do espaço que o Pará e a Amazônia tiveram nessa construção dos modernismos brasileiros”, explica Aldrin.

Para o curador, o Arte Pará já é um salão consolidado, profissional e respeitado pelos artistas, pela crítica e pelo público. Ele diz que isso não surgiu do dia para noite, e foi resultado dessa história de quase meio século. “No meu caso, penso que também o salão tem mostrado a possibilidade de diálogo entre artistas e obras, perspectivas e narrativas ao longo do tempo. Então, acho que a palavra pode ser ao mesmo tempo tradição, mas também fratura, corte, rebeldia. Estou ansioso e acho que vai ser muito bom participar desse projeto”, acrescenta.

Sobre a avaliação das obras, ele diz que o júri deve afinar questões a partir do edital do salão e com a curadoria, mas basicamente se leva em conta a potência do trabalho. “A ‘arte contemporânea’, porque toda arte é contemporânea de seu tempo, está em diálogo com seu tempo, uma sociedade hoje fortemente marcada pela informação, pela tecnologia e novas mídias, mas profundamente invadida pelo passado. E claro, para o público que frequenta o salão, certamente a questão da subjetividade, da liberdade artística, seu aspecto por vezes efêmero, em matérias e suportes aparentemente inusitados, tudo chama atenção”, destaca o integrante da comissão.

Quando Aldrin Figueiredo avalia o Arte Pará, ele diz que pensa em uma longa escala de tempo, sobretudo desde a segunda metade do século XIX quando começaram, de fato, as exposições e os salões de arte, com sociedade artísticas e literárias, depois patrocinadas pelo estado e, agora, por um grupo privado de comunicação. “Pensar dessa forma ajuda a evitar a ideia de que se trata de algo exótico, perdido no tempo. O Arte Pará também é herdeiro dessa longa tradição nas artes da Amazônia, imprimindo novas perspectivas e novos olhares”, avalia.

 Daniel Barretto

Daniel Barretto acredita que ser neto de costureira e filho de professora de História da Arte contribuiu de algum modo para o seu imaginário visual infantil. Depois o cinema e a literatura entraram para a sua vida, já na fase adolescente. Ele diz que sempre frequentou museus e livrarias com a mãe quando era jovem e pode dizer que nesse aspecto foi privilegiado. Então seguiu sua trajetória com uma passagem atravessada pela arquitetura, “que não me pegou, apesar de gostar muito das aulas de desenho, pelo caminho da museologia”.

No percurso, ele não pode dizer que foi um caminho sem ventanias. Depois de um mestrado em literatura, onde foi muito feliz, entrou no Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional por concurso e ali sua vida profissional continuou no rumo da investigação na arte e dos projetos curatoriais, composto de muito trabalho técnico e administrativo. “Atualmente faço o meu doutoramento pela Universidade de Coimbra em Arte Contemporânea e só posso dizer que sigo tranquilo”, diz um dos membros da comissão julgadora.

Sobre estar na equipe, Daniel afirma que sem dúvida, é uma honra. Não apenas pela crença de que é um projeto consistente, que consegue se manter ativo e relevante ao passar dos anos, “mas eu diria que principalmente por duas razões: uma é a possibilidade de trabalhar próximo de agentes da cultura brasileira que estão preocupados com a possibilidade de articular uma reflexão do local com o global, o que me parece implícito à ideia do salão, e saudável em um país que sempre teve dificuldades em desmanchar uma relação hierárquica entre norte e sul. Diria que outra razão é justamente ativar os laços com um universo ampliado do cenário artístico no Brasil”, explica.

No processo de avaliação individual, ele destaca que criatividade e originalidade são conceitos que, isoladamente, podem não querer dizer muita coisa. “Interessa-me a capacidade de transformação da arte, cuidar disso a todo custo. Sem guardar a potência que uma obra possa ter de inventar o porvir, de afetar o espectador ou de ver o não visto, me parece que tudo enfraquece”, pontua Daniel Barretto.

Sobre a importância do evento, Daniel acrescenta que um projeto com as características do Arte Pará é um acontecimento oportuno para a emergência de novos artistas e a troca entre diferentes gerações. “Parece-me que funciona também como um dispositivo, talvez de um ponto de vista pedagógico, para a formação de novos públicos e a deformação daqueles muito autocentrados. Para além disso, se impõe a ampliação do sistema da arte, que obriga o deslocamento de gentes e saberes com a descentralização", avalia.

Acrescenta ainda que a região amazônica é fonte fresca de conhecimento e modos de ser, principalmente pela relação com a natureza, e a arte é, entre tantas coisas, um modo de lidar com a diversidade cultural. “Dito isto, imagino que a transformação possa ser imaginada de dentro para fora, e não ao contrário. Menos da Amazônia como receptora, mas como agente de uma mudança necessária que deveria ultrapassar as fronteiras da região”, reflete Daniel Barretto.

 

 

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Cultura
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