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Pesquisa de cientistas da Amazônia acelera o desenvolvimento de açaí mais resistente e nutritivo

O estudo é desenvolvido pela Universidade Federal do Pará (UFPA) com a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) Amazônia Oriental

Lívia Ximenes
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O açaí poderá se tornar mais produtivo, resistente a doenças e com maior concentração de compostos antioxidantes graças a uma descoberta feita por cientistas da Amazônia. Pela primeira vez, pesquisadores sequenciaram o genoma completo do Euterpe oleracea, avanço que deve acelerar o melhoramento genético da espécie ao permitir a identificação dos genes ligados a características de interesse, como alta produtividade, maior teor de antocianinas, resistência a enfermidades e diferentes colorações dos frutos. A pesquisa também abre caminho para o desenvolvimento de novos produtos derivados do açaí, incluindo corantes naturais e antioxidantes. O trabalho é resultado de uma parceria entre pesquisadores da Universidade Federal do Pará (UFPA) e da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) Amazônia Oriental e teve os resultados publicados no artigo “The genome sequence of the açaí berry (Euterpe oleracea Mart.) and RNA-Seq analysis of the fruit ripening”, da revista científica Genome.

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O estudo contou com a colaboração do Laboratório de Engenharia Biológica (EngBio), localizado no Parque de Ciência e Tecnologia Guamá, em Belém, que extraiu e sequenciou o DNA tanto do açaí roxo quanto da variedade verde, chamada popularmente de “branca”, em diferebres fases de desenvolvimento. Anteriormente, as amostras da cultivar BRS Pai d’Égua foram fornecidas pela Embrapa. A comparação revelou o segredo biológico por trás da coloração: enquanto o açaí roxo ativa enzimas responsáveis pelas antocianinas (pigmentos antioxidantes), a variedade branca apresenta uma inibição natural desses genes.

image O estudo do açaí é essencial para o desenvolvimento científico e produtivo da região (Vinícius Braga e Ronaldo Rosa / Embrapa Amazônia Oriental)

Para a pesquisadora Elisa Moura, da Embrapa, o mapeamento é um divisor de águas para o trabalho de campo. "Com o sequenciamento, podemos identificar regiões do genoma que funcionem como marcadores para evitar a espera de cerca de seis anos até que tenhamos informações sobre produção de antocianinas e produtividade", explica. Segundo a cientista, o ganho de tempo é crucial não apenas para o melhoramento produtivo, mas também para garantir a resiliência da espécie contra futuras doenças.

O professor do Instituto de Ciências Biológicas da UFPA Rafael Baraúna destaca que o conhecimento do genoma abre portas para o entendimento completo da planta, permitindo a criação de uma base de dados pública para estudos de outros pesquisadores. Além disso, ao identificar os genes responsáveis por compostos de interesse das indústrias farmacêutica e cosmética, é possível utilizar microrganismos para síntese de substâncias em ambiente controlado. "É uma maneira mais sustentável de alcançar aquele produto de interesse da indústria", avalia.

Maria do Socorro Padilha, pesquisadora da Embrapa, recorda que o lançamento da primeira cultivar de açaí, em 2005, exigiu 24 anos de dedicação. Com os dados genômicos atuais, o mesmo processo poderia ter sido reduzido a uma década. “Creio que levaria uns oito a dez anos, no máximo. Quando você tem informações consistentes do genoma da espécie, boa parte do trabalho de seleção pode ser feito dentro do laboratório. Torna-se muito mais fácil”, fala.

image A pesquisa conta com apoio da Fapespa e CNPq (Vinícius Braga e Ronaldo Rosa / Embrapa Amazônia Oriental)

Atualmente, o projeto "Melhoraçaí fase III" mantém o foco em aprimorar o açaí de touceira — nativo do Pará — e também o açaí-solteiro (Euterpe precatoria), visando atender à demanda nacional. Com o novo suporte genético, o Pará reforça sua posição de vanguarda tecnológica, transformando anos de observação de campo em agilidade laboratorial, tudo para garantir que o açaí continue sendo a joia produtiva da região.

A pesquisa teve financiamento da Fundação Amazônia de Amparo a Estudos e Pesquisas (Fapespa) e do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), com colaboração dos pesquisadores Maria Silvanira Ribeiro Barbosa, Sávio de Souza Costa, Davi Josué Marcon, Adan Rodrigues de Oliveira, Lucas da Silva e Silva, Maria Paula Cruz Schneider, Juarez Antônio Simões Quaresma, Diego Assis das Graças, Adonney Allan de Oliveira Veras, Simone de Miranda Rodrigues e Artur Silva.

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