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Especialistas de trânsito dão soluções para engarrafamento em 2 pontos crônicos de Belém; veja onde

Eles defendem reforço na fiscalização, sincronização de semáforos, reorganização viária e obras como viadutos e túneis

Dilson Pimentel

Fiscalização reforçada, revisão dos semáforos, requalificação viária, ampliação da capacidade das vias, obras de infraestrutura e maior atuação de agentes de trânsito estão entre as principais medidas apontadas por especialistas para reduzir os congestionamentos que afetam diariamente alguns dos mais movimentados corredores viários de Belém e da Região Metropolitana. As propostas incluem desde ações de curto prazo, como ajustes operacionais e ordenamento urbano, até intervenções estruturantes, como construção de viadutos, túneis e complexos viários em pontos considerados críticos.

As sugestões foram apresentadas pelo especialista em Engenharia de Tráfego, Gestão e Segurança no Trânsito, Wender Morais, e pelo engenheiro civil e especialista em engenharia de tráfego Benedito Luis de França. Ambos analisaram os problemas registrados na avenida Pedro Álvares Cabral, entre a avenida Júlio César e a ponte do Barreiro, e no cruzamento da avenida Augusto Montenegro com a rodovia Mário Covas, locais que concentram longas filas de veículos nos horários de pico.

Entre as medidas defendidas pelos especialistas estão a ampliação da fiscalização de trânsito, o combate ao estacionamento irregular, a reorganização do comércio informal que interfere na circulação, a sincronização dos semáforos, a revisão dos tempos semafóricos, melhorias na pavimentação e na sinalização, a ampliação das faixas de tráfego, a criação de baias para ônibus e faixas específicas para determinados tipos de veículos, além da presença permanente de agentes de trânsito atuando na operação viária.

Para os especialistas, no entanto, as soluções definitivas dependem de investimentos em infraestrutura. Entre as obras sugeridas estão a construção de elevados, túneis, viadutos, alças de acesso e outras intervenções capazes de eliminar conflitos entre diferentes fluxos de veículos.

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image O pastor Edvan Santos, de 57 anos, disse que os congestionamentos têm impactado diretamente o direito de ir e vir da população (Foto: Wagner Santana | O Liberal)

Pedro Álvares Cabral reúne desafios de mobilidade e ocupação urbana

No caso da avenida Pedro Álvares Cabral, Wender Morais explicou que a via possui uma configuração complexa. Ao mesmo tempo em que funciona como corredor arterial, responsável por ligar diferentes regiões da cidade, também desempenha papel de via coletora, distribuindo o tráfego para áreas internas dos bairros. A situação é agravada pela grande concentração de estabelecimentos comerciais ao longo do percurso.

Segundo ele, fatores como a ocupação irregular das calçadas, a deficiência na fiscalização de infrações de trânsito e o estacionamento de veículos sobre a ciclofaixa contribuem para a lentidão e aumentam os riscos para pedestres e ciclistas. Outro problema apontado pelo especialista é a presença de vendedores informais, especialmente nas proximidades da ponte do Barreiro. De acordo com ele, muitos motoristas reduzem a velocidade ou param repentinamente para realizar compras, provocando retenções e aumentando o risco de acidentes.

Especialistas apontam saídas para destravar o trânsito em Belém

Para enfrentar essas situações, Wender defendeu uma atuação mais intensa do poder público tanto na fiscalização do trânsito quanto no ordenamento urbano. Ele também sugere o remanejamento dos comerciantes informais para locais adequados. Além disso, propõe estudos para reorganizar a circulação na avenida, incluindo alterações de sentido de tráfego, reconfiguração de cruzamentos e redução de conflitos gerados por interseções transversais.

Outra medida considerada importante é a revisão operacional dos semáforos existentes ao longo da via, com adequação dos tempos de abertura e fechamento conforme a demanda de veículos. Wender também avaliou que a implantação da Faixa Azul para motociclistas pode ter reduzido a capacidade de circulação da avenida ao diminuir o número ou a largura das faixas destinadas aos demais veículos. Como alternativas, ele sugeriu a criação de uma faixa exclusiva para caminhões e a restrição de estacionamento em trechos considerados críticos.

Benedito Luiz de França também considera necessária uma ampla requalificação da Pedro Álvares Cabral. Entre as propostas apresentadas por ele estão a revitalização da Faixa Azul, a implantação do Projeto Move - conceito baseado na máxima utilização do leito viário -, a readequação das faixas de circulação e a transformação do trecho entre a rodovia Artur Bernardes e a Doca em sentido único. Pela proposta, a avenida Senador Lemos e a rua Municipalidade passariam a funcionar como binário de apoio no sentido contrário, acompanhadas de recapeamento asfáltico e reforço da sinalização.

O especialista ainda defendeu estudos para implantação de elevados ou túneis no cruzamento da Pedro Álvares Cabral com a rodovia Arthur Bernardes, além da eliminação de interferências que reduzam a capacidade da via, como paradas irregulares de veículos.

image A advogada Ivanessa Araújo, de 32 anos, também sente os impactos da falta de fluidez no trânsito: “Afeta demais" (Foto: Wagner Santana | O Liberal)

Augusto Montenegro e Mário Covas exigem intervenções estruturais

No cruzamento entre a avenida Augusto Montenegro e a rodovia Mário Covas, os dois especialistas concordam que o local demanda soluções mais robustas. Wender Morais avaliou que a configuração atual favorece a formação de congestionamentos e conflitos entre diferentes movimentos de tráfego. Como alternativas, ele sugere a ampliação das faixas de circulação, a implantação de faixas de aceleração para veículos que acessam a Augusto Montenegro a partir da Mário Covas e a reorganização das conversões e travessias.

Para ele, a solução definitiva seria a construção de uma obra de arte especial, como um viaduto ou sistema de passagens elevadas e inferiores, semelhante ao implantado no cruzamento das avenidas Independência e Augusto Montenegro. O especialista destacou ainda que qualquer projeto deve considerar a presença de diversos condomínios residenciais no entorno, defendendo a realização de audiências públicas e diálogo prévio com a população. Ele também ressaltou a necessidade de adequações nas rotas do transporte coletivo para garantir o atendimento aos usuários durante e após eventuais intervenções.

Benedito Luis de França vai na mesma direção ao afirmar que a região formada pela Augusto Montenegro, Mário Covas e rodovia do Tapanã concentra um dos maiores conflitos viários da Região Metropolitana. Segundo ele, o intenso fluxo de veículos leves, ônibus, caminhões e carretas torna necessária a implantação de um complexo viário com elevados, túneis e alças de acesso capazes de eliminar os cruzamentos conflitantes e garantir maior fluidez.

Enquanto essas obras não saem do papel, o engenheiro considera indispensável a presença de agentes de trânsito, especialmente entre 6h e 10h, período de maior movimento. Ele defendeu que esses profissionais atuem diretamente na operação do trânsito, ajustando tempos semafóricos e direcionando os fluxos conforme a demanda registrada em cada momento.

image No cruzamento da Augusto Montenegro com a Mário Covas, o eletricista Anderson Santos, de 43 anos, acompanha diariamente o movimento intenso de veículos; Para ele, os congestionamentos já fazem parte da rotina (Foto: Wagner Santana | O Liberal)

Paradas de ônibus e semáforos também entram no debate

Outro ponto destacado por Benedito Luis de França é a parada de ônibus localizada na Augusto Montenegro, no sentido Entroncamento, entre o Residencial Cidade Jardim 2 e a rodovia do Tapanã. Segundo ele, a estrutura gera filas de ônibus que acabam reduzindo a capacidade da avenida. Como alternativas, sugere o redimensionamento da parada, a criação de baias exclusivas e a ampliação das faixas de tráfego no local.

O especialista também defendeu a implantação da chamada "onda verde" nos principais corredores da cidade, com semáforos sincronizados por sistemas eletrônicos capazes de ajustar automaticamente os tempos de abertura e fechamento conforme o volume de veículos. Os especialistas observam que o crescimento contínuo da frota de veículos e, principalmente, de motocicletas tem aumentado a pressão sobre a infraestrutura viária de Belém.

Para Benedito Luis de França, além das intervenções na Augusto Montenegro e na Pedro Álvares Cabral, a cidade precisa avançar em novos projetos estruturantes, como elevados nos cruzamentos da Almirante Barroso com a Júlio César, da Centenário com a Arterial 18, em Ananindeua, e em outros pontos estratégicos da Região Metropolitana. Ele também ressaltou a importância da manutenção permanente da pavimentação, do reforço da sinalização horizontal e vertical e da ampliação das equipes de agentes de trânsito.

Por fim, os especialistas destacam que a melhoria da mobilidade urbana também depende do comportamento dos condutores. O respeito às normas de circulação, o uso correto da sinalização e a condução organizada dos veículos são apontados como fatores importantes para reduzir interferências e contribuir para um trânsito mais seguro e eficiente.

Estresse e irritação todos os dias, apontam moradores

Todos os dias, milhares de pessoas enfrentam longos minutos - e, muitas vezes, horas - de espera em alguns dos principais corredores viários de Belém.  Os reflexos vão além da demora para chegar ao destino. Estresse, irritação, prejuízos profissionais e até conflitos no trânsito fazem parte da rotina de quem precisa passar diariamente por esses locais.

O pastor Edvan Santos, de 57 anos, disse que os congestionamentos têm impactado diretamente o direito de ir e vir da população. “Prejudica, e muito, porque todos os dias impede a nossa locomoção. O direito de ir e vir fica cerceado. A gente custa chegar para onde nós vamos e parece que não tem solução. Não muda. Todo o tempo é da mesma maneira”, relata. Segundo ele, a lentidão também contribui para o aumento da tensão entre os condutores.

“Isso afeta. A gente vê os outros motoristas estressados, brigando, vê discussão no trânsito e, de vez em quando, acidentes. Aqui na Pedro Álvares Cabral, principalmente por causa da faixa de motos, quando a gente precisa atravessar, eles apitam que é uma loucura em cima de nós”, afirmou. Para Edvan, o caminho para melhorar a situação passa pela elaboração de políticas públicas voltadas à mobilidade urbana. “O poder público e os órgãos de trânsito precisam criar políticas públicas para melhorar o trânsito aqui na (avenida) Pedro Álvares Cabral, na (avenida) Almirante Barroso e em outras vias importantes da cidade. Eles são estudados para isso”, disse.

image A professora Elisabeth Gouvea, 45 anos, contou que a lentidão do trânsito afeta diretamente o tempo de espera pelos ônibus e o cumprimento dos horários (Foto: Wagner Santana | O Liberal)

Motoristas buscam rotas alternativas

A advogada Ivanessa Araújo, de 32 anos, também sente os impactos da falta de fluidez no trânsito. Como trabalha com audiências marcadas em horários específicos, ela disse que a imprevisibilidade dos congestionamentos se tornou uma preocupação constante. “Afeta demais. Nós, advogados, temos audiências com horário marcado. Muitas vezes a gente acaba chegando praticamente em cima da hora por causa da instabilidade do trânsito. A gente não sabe se vai estar bom ou não. Tenta sair cedo, mas, se acontecer um acidente, para a cidade todinha”, contou.

Para tentar driblar os engarrafamentos, ela recorre aos aplicativos de navegação e busca caminhos alternativos. “Quando vejo que o trânsito está parado, tento desviar por rotas que geralmente as pessoas não utilizam tanto. Como já conheço bem Belém, consigo procurar alternativas”, explicou. Mesmo assim, ela admite que é difícil evitar o desgaste emocional provocado pela situação. “É quase impossível não se estressar. Quando temos algum compromisso importante no centro da cidade, tentamos reorganizar a rotina do dia seguinte para sair mais cedo e conseguir enfrentar o trânsito e aguentar o dia”, disse

A advogada também sente falta de uma atuação mais efetiva dos agentes responsáveis pela organização do tráfego. “Quando acontece um acidente ou o trânsito fica muito pesado, a gente quase não vê agentes (de trânsito de Belém) ajudando a dar fluidez. Quando acontecesse um acidente, ter ali um servidor para poder ajudar a fluir o trânsito. Isso além de um planejamento de trânsito, que deveria ter, mas não tem em Belém”, afirmou.

Moradores citam desgate emocional

No cruzamento da Augusto Montenegro com a Mário Covas, o eletricista Anderson Santos, de 43 anos, acompanha diariamente o movimento intenso de veículos. Para ele, os congestionamentos já fazem parte da rotina. “Praticamente todo dia é assim. O trânsito só começa a melhorar depois das nove horas da manhã. Entre seis e oito horas fica tudo parado”, afirmou. Para escapar dos engarrafamentos, Anderson costuma utilizar rotas alternativas pelo bairro do Maguari.

“Quando está muito congestionado aqui, entro por dentro do Maguari e vou cortando caminho até conseguir sair do trânsito”, contou. A estratégia, porém, tem um custo. “Aumenta o percurso e aumenta o consumo de combustível. Mas é a alternativa que a gente encontra para tentar chegar mais rápido”, disse. Apesar das dificuldades, ele procura manter a calma. “Tem que ter jogo de cintura. Se todo mundo perder a paciência, aí vira confusão. Cabeça quente gera discussão e o problema só aumenta”, disse.

Na avaliação dele, o principal gargalo está justamente no cruzamento da Mário Covas com a Augusto Montenegro. “Esse sinal para tudo. Eu imaginava que alguma obra pudesse resolver isso, talvez com uma passagem diferente para melhorar o fluxo. Hoje é dor de cabeça todos os dias”, afirmou. Além dos motoristas, os usuários do transporte coletivo também enfrentam desafios. A professora Elisabeth Gouvea, 45 anos, contou que a lentidão do trânsito afeta diretamente o tempo de espera pelos ônibus e o cumprimento dos horários.

“Tem a questão dos congestionamentos e também dos ônibus que às vezes passam sem parar. Isso dificulta muito a chegada ao trabalho e a outros compromissos”, disse. Ela destacou que a situação provoca desgaste emocional constante. “É complicado porque acontece todos os dias, tanto pela manhã quanto à tarde, principalmente na volta para casa. Isso gera muito estresse, aborrecimento e até conflitos dentro dos ônibus e no trânsito”, afirmou. Ainda segundo a professora, o cenário também acaba contribuindo para episódios de violência e discussões.

“Todo mundo quer chegar logo ao seu destino. A gente vê brigas no trânsito, discussões dentro dos ônibus e muita irritação por causa dessa demora diária”, contou. Para minimizar os impactos, Elisabeth disse que precisa sair de casa cada vez mais cedo. Ainda assim, acredita que são necessárias melhorias estruturais. “Existem muitas obras que começam, mas demoram para ser concluídas. Aqui no entorno da Augusto Montenegro ainda há muitos trechos com intervenções paradas ou lentas. Isso acaba prejudicando motoristas, motociclistas, pedestres e quem utiliza o transporte público”, afirmou.

Entenda os gargalos do trânsito em Belém

Augusto Montenegro x Mário Covas

- O que causa os congestionamentos?

  • Fluxo excessivo de veículos
  • Grande circulação de carros, motos, ônibus, caminhões e carretas.
  • Movimento intenso principalmente nos horários de pico.
  • Muitos cruzamentos e conversões
  • Veículos que seguem para a Augusto Montenegro, Tapanã e Mário Covas disputam o mesmo espaço.
  • Os diferentes movimentos geram conflitos constantes.
  • Parada de ônibus que reduz a capacidade da via
  • Ônibus ficam acumulados em determinados pontos.
  • As filas ocupam espaço destinado aos demais veículos.
  • Sistema semafórico sobrecarregado
  • A quantidade de semáforos e o alto volume de tráfego dificultam a fluidez.

- O que os especialistas sugerem?

  • Construção de viadutos, elevados, túneis e alças de acesso;
  •  Ampliação das faixas de circulação;
  • Criação de faixas de aceleração para acessos à Augusto Montenegro;
  • Reorganização dos retornos e conversões;
  • Construção de baias para ônibus;
  • Readequação ou ampliação dos pontos de parada;
  • Sincronização dos semáforos ("onda verde");
  • Presença permanente de agentes de trânsito nos horários de pico;
  • Revisão das rotas do transporte coletivo;
  • Planejamento de longo prazo para acompanhar o crescimento da frota.


Pedro Álvares Cabral (entre Júlio César e ponte do Barreiro)

- O que causa os congestionamentos?

  • Grande concentração de comércio
  • Intenso fluxo de pessoas e veículos ao longo da via.
  • Ocupação irregular de calçadas
  • Prejudica a circulação de pedestres.
  • Comércio informal às margens da avenida
  • Motoristas reduzem a velocidade ou param para comprar produtos.
  • Estacionamento irregular
  • Veículos ocupam espaços de circulação e até ciclofaixas.
  • Muitos cruzamentos e semáforos
  • Aumentam os pontos de conflito e reduzem a fluidez.
  • ️ Redução do espaço viário
  • Especialistas avaliam que alterações na configuração da via reduziram sua capacidade de circulação.
  • O que os especialistas sugerem?
  • Reforço da fiscalização de trânsito;
  • Ordenamento e remanejamento do comércio informal;
  • Restrição de estacionamento em pontos críticos;
  • Revisão dos tempos dos semáforos;
  • Reorganização dos cruzamentos;
  • Readequação das faixas de tráfego;
  • Implantação do Projeto Move (máxima utilização do espaço viário);
  • Revitalização e avaliação operacional da Faixa Azul;
  • Criação de faixa exclusiva para caminhões;
  • Atuação permanente de agentes de trânsito;
  • Recapeamento e melhoria da sinalização;
  • Estudos para implantação de elevados ou túneis em pontos estratégicos.

- O que os dois especialistas têm em comum?

  • Os dois especialistas defendem que os problemas de trânsito não serão resolvidos com uma única medida. Eles apontam a necessidade de combinar:
  • Melhor operação dos semáforos;
  • Mais agentes de trânsito nas ruas;
  • Ampliação da capacidade das vias;
  • Manutenção da pavimentação e da sinalização;
  • Obras estruturantes, como viadutos e elevados;
  • Planejamento viário de longo prazo;
  • Fiscalização mais eficiente para coibir irregularidades.
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