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Cigarros eletrônicos: liberar ou não o uso? Anvisa discute proposta

"Todos têm o mesmo grau de comprometimento pulmonar e de outros órgãos", diz pneumologista

Emanuele Corrêa

Na última segunda-feira (11) a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) iniciou a etapa do processo nacional de consulta sobre a comercialização e uso dos Dispositivos Eletrônicos para Fumar (DEF), conhecidos como cigarros eletrônicos ou vaporizadores (vaper). Desde então, a comunidade médica vem se manifestando contra o assunto, que divide opiniões entre o público consumidor, pois, mesmo não sendo legalizado no Brasil, é amplamente comercializado.

A médica pneumologista, Fátima Houat que atua no Centro de Referência em Abordagem e Tratamento do Fumante (CRAFT) explica que os cigarros eletrônicos, por mais que tenham a venda proibida, são consumidos, principalmente, entre os jovens. Ela destaca a falsa sensação que o dispositivo passa de "ser menos nocivo" e, por isso, seu consumo tenha se popularizado.

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"Esses cigarros viciam e matam. Não podemos permitir que seja liberado ou comercializado. Quer seja com aditivos ou com aromatizadores. O vapor é constituído com substâncias nocivas à saúde, inclusive, os sintomas respiratórios são os mesmos de quem fuma o cigarro normal por um longo período, com a diferença que elas vão aparecer em períodos menores. Às vezes o paciente tem morte súbita, diferentes tipos de cânceres, depressão, crise de pânico. Os que já são fumantes aumentam o consumo da nicotina e se tornam ainda mais dependentes", explicou.

Fátima reforça a necessidade de levar o debate para as escolas, faculdades, mas também para o ambiente familiar. Para ela, enquanto pneumologista e atuante em campanhas contra o tabagismo, os DEF retrocederam um trabalho de anos que está sendo realizado em combate ao cigarro. "Todos têm o mesmo grau de comprometimento pulmonar e de outros órgãos. Anos dedicados ao trabalho de diminuição do uso do cigarro. Realmente nos surpreendeu com essa nova tecnologia e que vem atrapalhando muito nosso trabalho, porque a informação que um passa para outro torna-se bem maior que o que a gente pode colocar na mídia", finalizou.

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Uma jovem de 30 anos - que preferiu não ser identificada pela reportagem - relatou que usava com frequência o cigarro eletrônico e resolveu abandonar o cigarro de nicotina, por achar que seria menos prejudicial à saúde. No entanto, no ano passado ela teve pneumonia e precisou consultar o médico, que a orientou a parar o uso do vaporizador, porque este poderia agravar o quadro de bronquite asmática que tem desde criança. "Eu tive pneumonia, mas não por causa do uso. Porém, após, eu tive que parar o vaper. Porque ao contrário do cigarro comum, eu achei que não tinha tantos químicos, o médico me explicou que ele é muito pior. Porque gera uma fumaça mecânica", relembrou.

"Era impressionante quando eu usava. Porque, além da nicotina dobrada, ainda tinham os saborizados. E eu sou asmática. Quando eu usava, sentia como se meu pulmão estivesse enchendo de água. Mas eu achava que era impressão da minha cabeça. Quando o médico explicou e disse 'se você não parar agora, sua bronquite pode evoluir e você pode ter problemas mais graves para a saúde'... As vezes da vontade? Dá vontade, mas a gente evita", concluiu.

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Já para um homem - que também preferiu não se identificar - a experiência foi positiva com o cigarro eletrônico, pois ele conta que somente com o dispositivo conseguiu parar de fumar o cigarro tradicional.

Ele relembra que fumou o cigarro de nicotina por 27 anos e a qualidade de vida e respiratória eram péssimas. No entanto, há 5 anos, utilizando o vaporizador, sente-se melhor. "Eu fumava duas carteiras por dia. Já uso vaper há quase 5 anos. Seria uma maravilha a Anvisa liberar o vaper. Hoje eu sou outra pessoa sem o cigarro. Minha respiração, paladar, durmo mais cedo. Sem falar o fedor do cigarro [que não tem mais]. [Tenho] disposição no dia-a-dia. Hoje eu consigo correr 10 km, antes não andava nem 1 km", contou.

Serviço

Por enquanto, no Brasil, os cigarros eletrônicos ou DEF são proibidos. Para quem tem a pretensão de parar de fumar, o Centro de Referência em Abordagem e Tratamento do Fumante (CRAFT) funciona de segunda a sexta-feira, das 7h às 17h na Unidade de Referência, na avenida Presidente Vargas, 513. Para mais informações: (91) 3242-5645.

Belém
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