53ª Grande Coleta de Emaús é lançada com meta de arrecadar 8 mil itens no dia 30 de agosto
A instituição sem fins lucrativos, fundada pelo padre Bruno Sechi, atua há 56 anos pela garantia de direitos de crianças e adolescentes em Belém
Com meta de arrecadar 8 mil móveis, eletrônicos, roupas e outros itens reutilizáveis, a 53ª Grande Coleta de Emaús foi lançada na manhã desta sexta-feira (26), em Belém. A edição deste ano, que apresenta o tema "Eu quero permanecer vivo e à responsabilidade é sua: a vida de cada criança importa e diz respeito a todos nós", será dia 30 de agosto, das 9h às 18h. Essa é a maior mobilização de solidariedade do Movimento República de Emaús, instituição sem fins lucrativos que atua há 56 anos na defesa de direitos de crianças e adolescentes. Os materiais arrecadados são recondicionados e vendidos a preços acessíveis, financiando projetos de inclusão social e defesa dos direitos de crianças e jovens.
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O lançamento ocorreu na sede da Promotoria da Infância e Juventude do Ministério Público do Estado do Pará (MPPA), com mesa formada por membros do Movimento de Emaús, do MPPA e o educador do coletivo Alex Ruan, que foi atendido durante a adolescência e atualmente dá aulas de percussão. Crianças e adolescentes cuidados pela iniciativa, que são parte da turma de Alex, prestigiaram o momento e apresentaram o que têm aprendido.
A coordenadora do Movimento de Emaús, Georgina Cordeiro, destaca que, neste ano, o tema da Grande Coleta visa levar a responsabilidade da atenção aos menores para todos da sociedade. “A Campanha de Emaús, que a gente faz essa grande coleta uma vez por ano, é no sentido de fazer com que as pessoas possam pensar, refletir sobre a importância do direito à vida em todos os sentidos”, fala.
Trabalho em equipe
“Não é uma responsabilidade individual, é uma responsabilidade coletiva”, ressalta a coordenadora sobre a necessidade de atuações em conjunto. Georgina afirma que o movimento deseja sensibilizar a sociedade por meio da divulgação do tema e da carta, para que as pessoas saibam que “a doação que elas fazem vai repercutir na vida dessas crianças, para que o Movimento de Emaús possa ter recursos para continuar funcionando”.
Diferente de anos anteriores, em 2026, o coletivo não possui tantos caminhões para coletar materiais doados. Por isso, serão feitos pontos de arrecadação. “Nós tínhamos no início, lá em 1900 e tanto, 100 caminhões. Só que são caminhões cedidos pelas empresas e, hoje, a conjuntura já mudou. Muitas empresas não têm mais o caminhão próprio, já trabalham com sistema de aluguel. Então, nós temos uma perspectiva de conseguir 30 caminhões”, explica Georgina.
Durante a divulgação da carta, a coordenadora do Movimento Emaús leu parte do texto destinado à sociedade paraense e exaltou o legado deixado pelo padre Bruno Sechi, perpertuado pelo coletivo. “Na Amazônia, convivemos com profundas desigualdades que impactam especialmente a infância e juventude. Em muitos territórios, o acesso à educação, à cultura, ao lazer, à proteção e às oportunidades continua sendo um desafio cotidiano”, diz o documento.
Parceria firmada
A coordenadora do Centro de Apoio Operacional dos Direitos Sociais (CAO Direitos Humanos) do MPPA, Leane Fiuza, fala que o órgão apoia, permanentemente, as ações do coletivo. “Nós temos diversos setores que atuam em diversas frentes. Nós temos os colegas promotores da Infância e Juventude, que trabalham na garantia dos direitos à educação, saúde, assistência social e, também, no enfrentamento à violência”, aponta.
Leane, entre as ações do Ministério Público, destaca o Centro de Apoio Operacional Ambiental (CAO Ambiental), que atua junto ao Movimento Emaús com a coleta e reaproveitamento de resíduos eletrônicos. O promotor de justiça auxiliar do CAO Ambiental, Dirk Matos, afirma que as atividades iniciaram em 2022. “É um trabalho que vem sendo feito mensalmente, a gente tem coletas que são periódicas”, conta.
“Nós temos um projeto com o Coletivo Emaús que envolve três frentes: o uso racional de aparelhos eletrônicos, o descarte racional desses aparelhos e, aí o Emaús tem um papel fundamental – recebe esses aparelhos, dá uma destinação correta. Nós conseguimos, ao mesmo tempo, uma função social do uso desses produtos e a preservação do meio ambiente”, fala Dirk.
Doações
A população pode doar móveis, eletrodomésticos, aparelhos eletrônicos, roupas e demais materiais reutilizáveis e em bom estado de conservação. A grande coleta de 2026 está marcada para o dia 30 de agosto.
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