Escrivã falece e colegas relatam falta de atendimento após sintomas de covid-19

Porém, Polícia Civil e o sindicato dos servidores da polícia no Pará não confirmam diagnóstico

Dilson Pimentel

A escrivã Raquel Monteiro de Albuquerque, servidora da Polícia Civil do Pará lotada na Seccional Urbana de São Brás, faleceu na noite de sábado (18), em Belém. O sindicato dos Servidores Públicos da Polícia Civil (Sindpol) e a própria Polícia Civil confirmaram e lamentaram a morte de Raquel Albuquerque. 

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Em sua nota de pesar, a Polícia Civil agradeceu pelos seus mais de "20 anos de dedicação, responsabilidade e amor à profissão e ao serviço público". Porém, ao comunicarem a morte da servidora, nem o Sindpol e nem a Polícia Civil fazem referência à confirmação dos motivos de seu falecimento, embora citem a suspeita de um quadro agravado rapidamente pelo coronavírus.

"A escrivã pode ter sido mais uma vítima da pandemia que assola o Brasil e o mundo. Essa verdadeira peste não escolhe religião, raça, posição social ou econômica, pois é um inimigo silencioso e mortal que amputa os entes queridos de forma estúpida, abrupta e covarde”, afirmou a nota da Polícia Civil, assinada pelo delegado-geral da Polícia Civil, Alberto Teixeira. A publicação de pesar confirmou que a servidora faleceu "nos braços de seu marido", enquanto ambos buscavam atendimento na capital.

"A escrivã pode ter sido mais uma vítima da pandemia que assola o Brasil e o mundo. Essa verdadeira peste não escolhe religião, raça, posição social ou econômica, pois é um inimigo silencioso e mortal que amputa os entes queridos de forma estúpida, abrupta e covarde”, afirmou a nota de pesar da Polícia Civil, assinada pelo delegado-geral Alberto Teixeira

Teixeira citou também que Raquel Albuquerque chegou a apresentar sintomas correlatos ao quadro da covid-19 e realizou um teste rápido na própria Delegacia-Geral, mas o resultado foi negativo para o coronavírus. A Polícia Civil diz que a causa da morte ainda precisa ser confirmada.   

Ainda segundo a nota de pesar emitida pelo delegado-geral, a escrivã faleceu ao lado do seu companheiro, o investigado Hely Aldo, “em cena de grande desespero e comoção no interior do veículo, quando procuravam atendimento hospitalar". Teixeira disse que a Polícia Civil lamentou profundamente o ocorrido. "Nos solidarizamos com a dor da família por esta inesperada perda, pelo o que, desde logo, coloco a instituição Polícia Civil em estado de total solidariedade e apoio no que se fizer necessário para amenizar o sofrimento no difícil momento pelo qual todos estamos passando”.

 

Circunstâncias ainda serão confirmadas

As informações sobre a morte da escrivã e questionamentos sobre as circunstâncias de sua morte circulam nas redes sociais desde a noite deste sábado (18). Em postagens de colegas, no próprio perfil do Sindpol no Facebook, há relatos de que a escrivã estaria enquadrada no grupo de pessoas mais vulneráveis à covid-19 e teria falecido enquanto procurava de atendimento médico, com sintomas similares à da covid-19.

Várias pessoas chegaram a informar que Raquel não teria conseguido ser atendida em hospitais de Belém. Porém, esses relatos ainda carecem de confirmações de fontes oficiais.

A Polícia Civil do Pará informou por nota que a escrivã Raquel Monteiro de Albuquerque, 50 anos, estava na instituição havia 22 anos. Ela era portadora de diabetes e estava afastada desde o último domingo, 12. Na quinta-feira (16), a Diretoria de Atendimento ao Servidor (DAS), da Polícia Civil, foi comunicada que  Raquel apresentava sintomas de Covid-19 e no dia seguinte, ela fez o teste rápido na sede da Delegacia Geral, que atestou negativo. A servidora foi orientada a voltar pra casa e seguir os protocolos de cuidados e isolamento orientados pela Organização Mundial de Saúde (OMS).

No sábado à noite a diretora da DAS recebeu mensagens e uma ligação do marido de Raquel informando que estavam em busca de atendimento médico. Respeitando a decisão da família, a Divisão não irá informar data, hora e nem local do velório.

A Polícia do Pará informa também que o delegado-geral Alberto Teixeira está em repouso. No momento ele está sentindo dores no corpo e olhos. O titular da Polícia Civil já fez dois exames que deram negativo para covid-19. O terceiro teste foi feito na última sexta-feira (16) e aguarda o resultado.

Polícia
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