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CASO YASMIN: Tudo o que se sabe sobre a misteriosa morte da influencer

Quase uma semana após a morte da jovem universitária Yasmin Cavaleiro de Macêdo, digital influencer que apenas havia saído para um passeio de lancha, várias pessoas foram ouvidas e as investigações se tornam ainda mais complexas e com a dúvida: foi um acidente ou um homicídio?

Ana Laura Carvalho / O Liberal

​A morte da influenciadora digital e estudante de medicina veterinária Yasmin Cavaleiro de Macêdo, de 21 anos, ​completará uma semana nesta segunda-feira (20) e permanece cercada de mistérios. A única certeza até o momento é de que a jovem desapareceu após um passeio de lancha, na noite do último domingo (12), no rio Maguari, tendo sido encontrada somente às 12h40 de segunda-feira (13), em Icoaraci. Segundo o Corpo de Bombeiros do Pará, o corpo de Yasmin foi encontrado por mergulhadores do 1º Grupamento Marítimo Fluvial (1º GMAF), a aproximadamente 11 metros de profundidade.

O corpo de Yasmin foi liberado pelo Instituto Médico Legal e enterrado na terça-feira (14), num cemitério particular de Marituba. A família d​a jovem​ confirmou que foi orientada a não cremar o corpo, devido existir a possibilidade de se fazer uma exumação. Inicialmente, o caso estava sendo investigado pela Delegacia de Polícia Fluvial, mas foi transferido para a Divisão de Homicídios, no bairro de São Brás, em Belém. Na unidade policial, desde terça-feira, uma série de depoimentos estão sendo coletados para ajudar as autoridades policiais a entenderem as circunstâncias de tudo o que pode ter acontecido naquela noite de domingo.

As primeiras pessoas a serem ouvidas foram o gerente e dois fun​​cionários da marina particular de onde o passeio saiu. De acordo com o advogado do estabelecimento, Rafael Aires, “foram esses dois funcionários que ajudaram nas primeiras tentativas de buscas pela Yasmin, porque havia a esperança dela estar viva”, declarou Rafael, ao acrescentar que, como de praxe, desde que souberam do desaparecimento de Yasmin, o primeiro procedimento adotado, por volta das 22h40, foi acionar a Capitania dos Portos e o Corpo de Bombeiros, para que iniciassem as buscas.

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A mãe de Yasmin, ​a ​professora Eliene Fontes, prestou depoimento na tarde de quinta-feira (16), na Divisão de Homicídios, e reafirmou que a filha não ingeria bebida alcoólica e que não acredita em acidente. “A Yasmin não se jogou, a Yasmin não caiu, a Yasmin não foi tomar banho e sumiu, nada disso aconteceu”, disse Eliene. Ela acrescentou: “Os primos e amigos a chamavam para ser motorista quando bebiam. A Yasmin nunca bebeu, nunca fumou, nunca usou drogas. Ela era uma pessoa desportista. Nunca fez nada dessas coisas”, garantiu Eliene, ao acrescentar que a filha não sabia nadar.

Usando um colar com o nome de Yasmin, Eliene foi ouvida logo após o pai e a madrasta da jovem terminarem de prestar suas declarações à polícia. A educadora contou como recebeu a notícia do desaparecimento da filha. Segundo ela, uma amiga de Yasmin teria ligado por volta de 1h da madrugada, dizendo que “algo não muito bom havia acontecido”.

O tom de frieza da amiga de Yasmin foi o que chamou a atenção de Eliene naquele momento. “Ela me ligou quase uma hora da manhã, muito tranquila, muito calma. Ela falou ‘A Yasmin bebeu muito e caiu da lancha’. E o que me chama atenção também é que, quando nós começamos a procurar por informações, ela não me atendia, não respondia mais”, lamentou, dizendo que foi bloqueada em um aplicativo de mensagens instantâneas.

“Ela diz que não, mas ela me bloqueou. Minhas mensagens não chegaram nela. Ela disse que não tinha área. Mas uma hora a mensagem chegou. Então, por que ela nunca me respondeu?”, questionou. Ainda segundo Eliane, com a repercussão do caso, ela foi desbloqueada.

Ainda na quarta-feira (15), Eliene voltou a fazer contato com a amiga de sua filha, mas continuou sem retorno. “Hoje já mandei mensagem. Coloquei algumas situações que eu fiquei sabendo, perguntei que tipo de amiga ela era e disse que ia ter justiça. Ela visualizou e ficou calada. Não me respondeu”, afirmou Eliene. Os motivos que levam ao silêncio da amiga de Yasmin inquietam Eliene. “Não sei se está com medo, se viu alguma coisa e não quer falar”, disse ao afirmar que não considera a moça como amiga de sua filha.

Eliene contou que o último contato com Yasmin ocorreu por volta das 22h10 de domingo (12). "Eu perguntei para ela onde ela estava. Ela me disse que estava na lancha, voltando para marina, e que estava tudo bem. Ela mandou uma foto da amiga com ela dentro da lancha. Eu ainda briguei e disse 'menina, cuidado', e ela disse, 'tá, mãe, já estou indo. Te amo', e eu respondi com 'te amo'. Foi nossa última conversa", disse a professora. Eliene informou que entregou o celular da filha à polícia na terça-feira. O aparelho teria sido encontrado, assim como outros pertences de Yasmin, na marina particular.

No mesmo dia, o pai de Yasmin e a madrasta dela foram ouvidos. Jorge Ricardo Cavaleiro de Macêdo, confirmou a versão de Eliene. Ele declarou que a filha não sabia nadar e que só quer saber o que, de fato, aconteceu com sua filha. “Minha filha estava numa lancha, em um passeio, só ela sumiu. Eu quero saber o motivo, a verdade. É disso que estou atrás", acrescentou o pai.

Yasmin Macêdo (Reprodução Instagram)

Depoimentos aguardados devem ocorrer a partir de segunda

Um dos depoimentos mais aguardados ocorreu três dias após a confirmação da morte de Yasmin. O dono da lancha utilizada no passeio prestou depoimento na quinta-feira (16). Lucas Magalhães de Souza chegou acompanhado dos advogados Antônio Tourão e Paulo Maia. O rapaz foi ouvido pelo delegado Cláudio Galeno por aproximadamente quatro horas.

Lucas disse que conhecia Yasmin há cinco meses e que foi ele quem convidou a jovem para andar de lancha. O rapaz também consta como autor do boletim de ocorrência do caso, registrado às 5h13 da madrugada de segunda-feira (13), quase sete horas após o ocorrido. Na chegada à Divisão de Homicídios, Lucas falou rapidamente com a imprensa e disse que o caso foi uma “fatalidade”. O advogado do rapaz, Antônio Tourão, também se manifestou: “Ele conhecia, sim, a Yasmin. Era próximo dela. Ele a convidou para o passeio de lancha. Infelizmente, aconteceu esse acidente. Foi uma fatalidade”, disse o advogado de Lucas. “A embarcação estava parada no momento do acidente”, acrescentou.

Na saída da unidade policial, Lucas Magalhães informou mais detalhes do que teria acontecido no domingo (12). Yasmin teria ido ao passeio acompanhada de duas amigas, identificadas por Lucas, como “Bárbara e Daiane”. Ainda de acordo com Lucas, Yasmin tomou banho em dois momentos diferentes. “Num primeiro momento, ela foi com as amigas. Num segundo, ela foi sozinha”, apontou, ao acrescentar que foi neste segundo momento que Yasmin teria desaparecido. Assim que uma das amigas deu por falta da influenciadora, Lucas disse que diminuíram o volume do som da embarcação e iniciaram a procura dentro e fora da lancha. Disse também que não houve nenhum tipo de brincadeira ou desentendimento ao longo do passeio.

Yasmin Cavaleiro (Reprodução Instagram)

Antes de uma das moças que estavam na lancha avisar à mãe da jovem, Lucas afirmou que os ocupantes da embarcação realizaram buscas por conta própria por volta das 22h10, encerrando às 2h30 da madrugada de segunda-feira (13), relembrou o rapaz, que informou que este teria sido o motivo pelo qual demorou a registrar a boletim de ocorrência.

"Com o tempo que a gente ficou lá, eu só saí quase três horas da manhã. Foi quando eu cheguei na marina, já tinha acionado advogado para saber qual era a próxima etapa que tinha que ser feita. Saí de lá diretamente para a delegacia da Cidade Nova para prestar o boletim de ocorrência e esclarecer tudo o que aconteceu naquela noite”, contou.

Lucas afirmou que “teoricamente está apto para pilotar a lancha e já ia tirar a minha arrais”. Ele reconheceu que transportava 16 pessoas, duas a mais do que a embarcação suportava. E alegou possuir coletes salva-vidas. O rapaz disse, ainda, que no dia do acidente não havia ingerido bebida alcoólica. Quando questionado se viu Yasmin bebendo, o rapaz respondeu: “Eu vi ela consumindo bebida na lancha, compartilhando copo com as amigas de vodca e energético. Anteriormente, na marina, não”. E disse: “Ela estava um pouco alterada no sentido de estar alegre, dançando, junto com as meninas. Mas não a ponto de ela estar transtornada, caindo. Estava em consciência”, garantiu.

De acordo com Lucas, esta não teria sido a primeira vez que ele presenciava Yasmin ingerindo bebida alcoólica. “Em certas ocasiões, já presenciei ela bebendo. Em outras, não. Não era de hábito ela estar bebendo, se embriagando por aí, até porque quando ela vai para algum tipo de lugar ela ia no carro dela e deveria ser responsável por isso”, explicou.

A primeira semana de investigações sobre o caso deveria terminar com outro depoimento bastante aguardado. Seria do médico legista Euler André Magalhães da Cunha, adiado para uma data ainda não informada. Ele chegou a comparecer à Divisão de Homicídios. Contudo, após algum tempo na delegacia, ele deixou o prédio em seu carro na companhia de seus advogados sem dar declarações à imprensa. Os advogados de defesa disseram que a decisão foi da própria Polícia Civil. Em nota, a PCPA informou que as investigações continuam e todos os procedimentos cabíveis estão sendo executados para elucidar o caso. E o inquérito policial instaurado será concluído no prazo legal.

Euler Cunha (ao centro) e Lucas Magalhães (à direita) possuem a mesma defesa. (Reprodução / Redes Sociais)

Euler, o "Dr. Léo", como é chamado, é o homem que teria presenteado Yasmin com ursos de pelúcia horas antes de ela desaparecer. Ele também estaria na lancha envolvida na tragédia. Após a notícia do sumiço da jovem, Euler teria dito a pessoas próximas da influenciadora que não a conhecia e não tinha certeza se a influenciadora estava mesmo na lancha.

“Eu não conhecia ela. Então, nem sei se ela estava na mesma lancha. Vi a amiga dela dizendo que não estava mais na lancha. Mas nem posso afirmar se estava mesmo. Não conheço muito bem elas”, disse o homem ao ter sido questionado através de mensagem privada em uma rede social, após o desaparecimento da jovem.

Para o advogado Paulo Maia, que também atua na defesa do legista, as informações foram “deturpadas”. “As mensagens que foram divulgadas são, de certa forma, deturpadas, porque quando ele disse que não conhecia, ele quis dizer que não tinha intimidade. Você pode conviver com pessoas dentro de um mesmo ambiente, mas você não a conhece. Quando ele falou isso, foi nesse sentido”, alegou o defensor.



Pessoas próximas à influenciadora afirmam que é estranho, porém, o fato de o mesmo homem ter sido filmado e mencionado, por duas vezes, em vídeos que teriam sido gravados por Yasmin momentos antes do início do passeio. Nas imagens, o homem aparece em uma máquina de ursos de pelúcia. Na sequência, Yasmin publicou três brinquedos e disse que eram “presentes”. Em seguida, ela mencionou o perfil do homem. Numa rápida pesquisa no Instagram da jovem, é possível verificar que a conta de Yasmin ainda segue o perfil de Euler.

O delegado Cláudio Galeno, chefe da Divisão de Homicídios da Polícia Civil do Pará (Ivan Duarte / O Liberal)

Investigação complexa: pessoas suspeitas, exames e possibilidade de gravidez

Dentre os exames solicitados pela defesa da família da jovem, está o de  gravidez, para que todas as possibilidades sejam abarcadas.  "A causa mortis é o que temos que saber, até para saber se foi uma morte violenta ou não.  O laudo cadavérico é muito importante para saber se foi afogamento ou outra circunstância. Laudos de alcoolemia, toxicológico, de possível crime sexual, de gravidez. A família da vítima tem direito de saber as causas dessa morte e confia no trabalho da polícia. Nenhuma linha de investigação pode ser descartada", diz o advogado Luiz Araújo.

Chefe da Divisão de Homicídios da Polícia Civil, o delegado Cláudio Galeno falou sobre o caso, na quinta-feira (16), com a imprensa. E disse que ainda é muito cedo para concluir as investigações, que ainda está na fase da coleta de depoimentos.

“A investigação é complexa, no sentido que muitas pessoas precisam ser ouvidas. O trabalho nesse momento é ouvir o máximo de pessoas que estavam na embarcação, e aquelas que de alguma forma, tomaram conhecimento e foram ao local. Tudo isso está sendo levado para o inquérito policial. Nós estaríamos equivocados se emitíssemos algum juízo de valor aqui. Neste momento, não temos como afirmar absolutamente nada. Só ao final do inquérito e, principalmente, com o auxílio das perícias técnicas, poderemos emitir uma conclusão do que realmente aconteceu”, disse o delegado.

“À princípio, temos trinta dias para concluir o inquérito. Mas dependendo da complexidade, das diligências que precisam ser realizadas, esse prazo pode ser estendido por mais trinta dias. Não sei afirmar quantas pessoas já foram ouvidas, mas temos uma grande quantidade das que ainda faltam ser ouvidas, das pessoas que estavam com a moça no dia da fatalidade”, concluiu Galeno.

Polícia
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