Atropelamento na Augusto Montenegro: sobreviventes prestam depoimento na Delegacia de Homicídios
O atropelamento ocorreu dia 29 de maio e deixou 4 mortos e 3 feridos
Duas das vítimas sobreviventes do atropelamento que deixou quatro mortos e três feridos, no último dia 29 de maio, na avenida Augusto Montenegro, em Belém, prestaram depoimento nesta terça-feira (10) na Delegacia de Homicídios (DH). Elas são: um motociclista de aplicativo e a passageira que ele transportava no momento da tragédia. A passageira ainda não concedeu entrevista para O Liberal. Já o motociclista, que pediu para não ser identificado, contou que ainda se recupera dos ferimentos e que a principal lesão foi uma fratura no calcanhar esquerdo, além de escoriações e dores provocadas pelo impacto.
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"A minha recuperação está indo bem, graças a Deus. A minha lesão não foi muito grave. Foi uma fratura no meu calcanhar esquerdo. Tive algumas escoriações também, do tórax para baixo. Algumas dores, mas foi só mesmo pelo impacto", relatou para a reportagem logo após prestar seu depoimento na DH.
Ele afirmou que permanece em repouso e tenta retomar gradualmente a rotina, mas admite que o episódio deixou marcas emocionais. "Está sendo um pouquinho difícil. O psicológico também fica um pouquinho abalado. Mas está dando para voltar devagar", disse.
O momento do impacto
Ao relembrar o momento do atropelamento, o trabalhador contou que transportava uma passageira com destino a Icoaraci quando percebeu uma movimentação de pessoas na avenida Augusto Montenegro. Segundo ele, inicialmente imaginou que se tratava de uma confusão entre torcedores e reduziu a velocidade da motocicleta para passar pelo local em segurança.
"Eu percebi uma movimentação. Indo mais adiante, percebi que era uma briga de torcida, uma confusão entre torcidas. O que eu pensei foi: tem que sair dali. A passageira também ficou nervosa. Como tinha muita gente no local, eu diminuí a velocidade para tentar desviar com segurança", afirmou.
Pouco depois, já nas proximidades do conjunto Greenville, ele disse ter sido atingido violentamente por trás. "Eu senti um forte impacto na traseira da moto, que lançou a gente pelo menos uns três metros para dentro do meio-fio, naquela vala", recordou.
O motociclista contou que, nos primeiros instantes após a colisão, não compreendeu o que havia acontecido e acreditou que outro veículo estivesse tentando escapar da confusão registrada na via.
"Quando eu levantei, sem entender o que tinha acontecido, achei que fosse alguém tentando escapar também da confusão e acabou me atingindo. Depois vi a moto dentro do meio-fio, o carro parado e a minha passageira gritando com fortes dores atrás de mim."
A vítima afirmou que, mesmo ferido, tentou socorrer a passageira antes de ser atendido por pessoas que estavam no local. "Consegui levantar e ainda socorrer a passageira. Depois comecei a sentir as dores do tórax para baixo. Não aguentei mais ficar de pé. Um rapaz que eu acho que era bombeiro me prestou socorro até a chegada da ambulância."
O motociclista recebeu alta hospitalar ainda no mesmo dia do acidente. Já a passageira, também ouvida pela polícia nesta quarta-feira, precisou passar por duas cirurgias em decorrência dos ferimentos. De acordo com o relato dele, a mulher sofreu cortes graves em uma das pernas e permaneceu internada por quase duas semanas. "Ela sofreu dois cortes na perna, um abaixo do joelho e outro na lateral da coxa. Ela teve alta ontem", afirmou.
Investigações
Questionado sobre as investigações, o sobrevivente disse que, durante o comparecimento à Delegacia de Homicídios, apenas prestou esclarecimentos e não recebeu informações sobre o andamento do inquérito. "Até então não tem nenhuma informação das investigações. Foi só o depoimento que foi colhido mesmo hoje."
Ao final, ele afirmou esperar que o caso seja totalmente esclarecido e que os responsáveis sejam responsabilizados. "Eu, graças a Deus, estou bem, estou vivo, estou respirando. Mas houve quatro óbitos. Acho que mais do que eu, as famílias das vítimas que faleceram também querem justiça. Que a verdade venha a aparecer de fato sobre como tudo aconteceu e que a justiça venha a ser feita."
Condutor preso
Até o dia 5 de junho, a reportagem confirmou que o motorista Pablo Henrique Farias da Silva, investigado pelo atropelamento, continuava preso. Embora a Justiça tenha concedido liberdade provisória ao investigado, mediante o pagamento de fiança no valor de R$ 81.050, equivalente a 50 salários mínimos, o benefício ainda não tinha sido efetivado porque o valor não foi recolhido.
Pablo Henrique foi preso em flagrante após o atropelamento ocorrido na madrugada do dia 29 de maio, no bairro Parque Verde. Em nota divulgada no dia 5 de junho, a Polícia Civil informou que o inquérito do caso foi concluído e remetido à Justiça. Na ocasião, a PC também informou que o suspeito foi indiciado por homicídio doloso qualificado e a autoridade policial representou pela prisão preventiva ao Poder Judiciário.
A reportagem segue apurando se o motorista permanece preso e quais serão os próximos encaminhamentos da investigação após os novos depoimentos prestados nesta quarta-feira (10).
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