'Tempo de Menino': artista retrata o cotidiano da cidade de Marabá em forma de pintura

Em cada peça, Bino traz um retrato da liberdade infantil que ainda é tão presente no cotidiano da cidade e um recorte das percepções do artista sobre Marabá

Tay Marquioro

Até o próximo dia 21 de outubro, a Galeria de Arte Vitória Barros, na Avenida Itacaiúnas, bairro Novo Horizonte, em Marabá, abriga dezenas de obras do pintor e artista plástico Bino Sousa na exposição intitulada “Tempo de Menino”. Em cada peça, Bino traz um retrato da liberdade infantil que ainda é tão presente no cotidiano da cidade e um recorte das percepções do artista sobre Marabá.

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Artista diz que sua exposição é parte de tudo o que carrega consigo (Tay Marquioro/ O Liberal)

“Todo artista busca a sua identidade e Marabá acabou virando a minha principal temática. Eu sempre pintava essas cenas e isso acabava ganhando uma repercussão entre as pessoas. Isso se tornou uma linha que eu tento seguir na minha produção”, conta o pintor. “O cotidiano do marabaense, da pessoa que vive na beira do rio é uma coisa que me provoca muito, porque é uma cena minha, que eu vivencio, é uma memória que eu tenho. Então acabou virando a minha melhor cena. Os rios, as lavadeiras, o menino que brinca na água, o castanheiro, os pássaros da região, as cores que a gente tem na cidade...”

Natural do Maranhão, mas cidadão marabaense reconhecido por título chancelado pela Câmara Municipal de Marabá, Bino Sousa é hoje um dos maiores expoentes da produção artística local e se orgulha de mostrar em suas obras a ancestralidade e a regionalidade que permeia a cidade. “Eu acredito que estou na minha melhor fase. Eu tenho pintado o que eu gosto, tenho produzido aquilo com o que eu me identifico, ao contrário do início de carreira, que é quando a gente tenta se firmar como artista e acaba topando fazer tudo o que é necessário. Hoje, eu estou mais tranquilo em relação à minha produção. Tudo o que se vê aqui, é parte do que carrego comigo”, conta.

Espectador ávido da produção artística local, o professor universitário Armando Queiroz foi um dos primeiros a estar na galeria para conferir a exposição. Para ele, com a reprodução de episódios considerados corriqueiros da vida do marabaense, Bino acaba por reforçar uma relação de intimidade do visitante com suas obras. “É um trabalho muito significativo, que carrega uma questão identitária muito forte, né? E que nos apresentar um olhar muito generoso do que é esse lugar, tão vibrante quanto cada uma das obras que ele apresenta. Eu fico imensamente feliz de ter um artista como ele aqui em Marabá produzindo e nos apresentando trabalhos tão sensíveis”, celebra o professor.

Outra nuance que ajuda a reproduzir um pouco da cultura amazônica do sudeste do Estado é a combinação de cores viva, que integram o cotidiano de quem vive em Marabá. “A própria paleta de cores, tem tons que se repetem muito na minha produção. Foi uma coisa da qual eu me apropriei e que tem muito a ver com o pôr do sol de Marabá”. A exposição mantém também características bem peculiares do trabalho de Bino com a técnica do grafite. Com diversos painéis que ajudam a embelezar a cidade em vários pontos e bairros, esse é um trabalho que virou marca da produção do artista.

Combinação de cores para reproduzir a cultura amazônica (Tay Marquioro/ O Liberal)

“O forte dessa exposição talvez seja mesmo o grafite. Porque em quase todas as telas tem a tinta spray. Além disso, trouxe também o desenho digital, com impressão em azulejos. Eu quis oferecer isso ao visitante como uma forma de tornar a minha produção mais comercial, colocar à venda esses produtos, porque o artista precisa disso, não há como fugir. E essas peças de desenho digital são, hoje, diferenciais em relação a outras exposições”, afirma.

“Tempo de Menino”

A exposição de Bino Sousa leva o nome de um poema do escritor paraense Dalcídio Jurandir, natural de Ponta de Pedras, no arquipélago do Marajó. O pintor se declara um grande fã dos versos do romancista e, quase que por acidente, encontrou na obra de Dalcídio o nome ideal do espaço que abrigaria suas peças. “E quando eu estava procurando um título para exposição, eu li um poema dele que eu não conhecia ainda. E tinha um poema com esse título, “Tempo de Menino”. Eu, automaticamente, lembrei do meu próprio tempo de menino e que é muito forte em todas as cenas da exposição. O título veio dessa forma”, revela Bino.

Cotidiano dos ribeirinhos está presente nas obras do artista (Tay Marquioro/ O Liberal)

Em “Tempo de Menino”, Dalcídio descreve com palavras quase que sensoriais as emoções e vivências de uma infância experimentada na Amazônia. “Me lembro de Cachoeira / ao entardecer, no tempo do inverno / O quintal da casa, cheio d'água, / para minha alegria de menino levado, / doidinho pela água como filhote de pato brabo”, diz o poema. “Eu adoro Dalcídio. É ler Dalcídio Jurandir e me identificar com a cena, é uma cena que me atravessa. Eu não sou ribeirinho, mas eu vivo em uma cidade banhada por rios e eu me emociono quando leio a obra dele”, confessa o pintor.

Pará
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