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Internet da Starlink está mudando a vida no Marajó

A banda larga tem sido usada nos rios, na floresta e zonas rurais, onde os grandes provedores não conseguem atender com eficiência, impulsionando negócios, serviço público e  uso residencial.

Enize Vidigal

A empresa Starlink, que possui o sistema de internet banda larga mais avançado do mundo com garantia de cobertura com qualidade em localidades remotas, vem melhorando a vida na ilha do Marajó. O Delta do Amazonas é um território de mais de 40 mil Km com uma população de mais de 500 mil habitantes que sempre enfrentou problemas de conexão de internet. A Starlink pertence à americana SpaceX, do bilionário Elon Musk. A empresa garante também a cobertura em movimento, inclusive em embarcações, superando a limitação que havia nos rios amazônicos. Pois utiliza satélites na órbita terrestre para gerar internet de altas velocidade e potência, baixa latência e alcance global sem depender de bases terrestres.

A Starlink chegou ao Marajó no início do ano. Em fevereiro, a SpaceX, que também é fabricante de foguetes e espaçonaves, lançou o primeiro grupo de quase 4 mil satélites de tamanho compacto para a órbita da terra, com o foguete Falcon 9. A previsão da empresa era realizar o segundo lançamento de satélites no sábado, 2, novamente no Falcon 9, através da sua Agência de Desenvolvimento Espacial, com saída do Complexo de Lançamento Espacial 4E, em Vandenberg Base da Força Espacial, na Califórnia, Estados Unidos. Os veículos espaciais lançados durante essa missão irão funcionar como uma nova rede em camadas de satélites em órbita baixa da Terra para apoiar a comunicação militar global, com capacidade de alerta, indicação e rastreamento de mísseis, segundo informa a Starlink.

Morador do município de Portel, no Marajó, o servidor público municipal Léo Coelho conta que a Starlink está estimulando a economia local. “Como no Marajó ainda funciona a internet via rádio, a Starlink revolucionou esse serviço por aqui”, conta. Segundo ele, vários negócios estão usando a nova internet, como postos de gasolina, supermercados, lojas de confecção e outros, possibilitando a agilidade no pagamento via Pix. “Era uma dificuldade fazer transação via Pix” no Marajó, recorda.

image À esquerda, equipamento da Starlink em fazenda de Cachoeira do Arari. (Arquivo pessoal)

 

 “Até a prefeitura (de Portel) adotou (o serviço da Starlink). Eu trabalho com emissão de documentos e a gente está usando o serviço da Starlink que melhorou bastante o atendimento das pessoas na emissão de cartão SUS, carteira de identidade, CTPS digital e quando a conexão tava ruim, muitas vezes, nem conseguia fazer o atendimento. Agora o atendimento pode ser feito com mais rapidez”, acrescenta.

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Léo é remador e participou da I Expedição do Contorno da ilha do Pacajaí, em Portel, que usou um barco de apoio com internet da Starlink para manter os atletas de caiaque e stand up paddle em contato com familiares de Belém, durante três dias no último mês de julho. “As pessoas que vieram de Belém puderam ficar se comunicando de dentro da floresta amazônica, aqui no Marajó”, conta.

O administrador rural Adonis Gantuss há 18 anos passa uma semana por mês trabalhando no município de Santa Cruz do Arari, no Marajó, mas mora em Belém com a família, onde mantém outra atividade laboral. “Quando estava na atividade rural, ficava sem acesso à minha atividade principal, que é representação comercial (de produtos alimentícios). A internet não era satisfatória. Tinha muita dificuldade de baixar arquivos ou fotos”, recorda.

image Atletas da expedição em Portel que usaram a internet de Elon Musk. (Divulgação)

 

Por volta de junho deste ano, ele começou a usar a nova internet de satélites em órbita. “Com a Starlink a qualidade na nossa área é muito superior, o sinal é bom e o custo é igual as outras. Consigo receber arquivos, fotos e falar com a família que fica em Belém. Agora, posso fazer as duas atividades tanto daqui (de Belém) para a rural como da rural para Belém. Todos os que utilizam (no Marajó) estão falando bem”.

O secretário-regional de governo do estado no Marajó, Jaime Barbosa, detalha que a internet das operadoras de telefonia e internet funciona nas zonas urbanas do Marajó, mas apresentam deficiência de cobertura nas áreas rurais. “Em Anajás, um dos municípios em que tem sido muito usada essa internet, as pessoas estão fazendo viagens de barco até Breves, são 12h de percurso, que, normalmente era sem cobertura, mas, agora, tem internet com qualidade muito boa. Eles instalam o equipamento pequeno (da Starlink) nas embarcações. O sinal pega no rio cercado de floresta onde vivem muito poucas comunidades”.

Alta tecnologia acessível

O serviço da Starlink pode ser contratado via internet. O equipamento de internet (roteador Wi-fi, cabos e base) custa R$ 2 mil, mas pode ser encontrado em promoção de R$ 1.800, e a mensalidade do serviço custa R$ 280 por mês, excluindo os impostos. Os equipamentos são auto instaláveis.

A empresa explica em seu site que a maioria dos serviços de internet via satélite usa satélites geoestacionários únicos que orbitam o planeta em altitude de mais de 35 mil quilômetros e, por isso, a latência (tempo de espera da resposta) é alta, 600 ms, tornando inviável o uso para atividades de alta taxa de dados.

A Starlink desenvolveu satélites de baixo custo e alto desempenho e transceptores terrestres para implementar um novo sistema de comunicação de internet com capacidade de atender mais de 1 milhão de locais no mundo. A empresa é a única com capacidade de lançar os próprios satélites, que orbitam em grande quantidade e em altitude mais baixa, de 550 quilômetros, para cobrir todo o planeta, atingindo uma latência menor, de 25 ms.

Cada satélite tem formato compacto e de painéis planos, que minimiza o volume permitindo que uma grande quantidade seja lançados juntos aproveitando ao máximo a capacidade do foguete. Os satélites são dotados de sistema autônomo para prevenir colisões com detritos orbitais e outras naves espaciais. Os sensores de navegação embutidos pesquisam estrelas para determinar a localização de cada satélite possibilitando a colocação precisa da emissão de banda larga. Além disso, eles utilizam o sistema de propulsão de íon, potencializados por criptônio, que possibilitam elevar a órbita, manobrar no espaço e ser desorbitado quando perder a vida útil.

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