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'Em Algodoal e Salinas já registramos vários', diz biólogo sobre incidência de tubarões no Pará

O caso ocorrido nesta semana gerou preocupações acerca da possibilidade de novas aparições de tubarões na região

O Liberal

Nesta quarta (22), um pescador foi mordido por um tubarão em regiões próximas ao município de Salinópolis, no nordeste paraense. A situação chamou bastante atenção de todos que vivem no entorno da área onde ocorreu o acidente. A Prefeitura de Salinópolis informou que o incidente não ocorreu na praia. O animal foi capturado em alto-mar e, ao ser colocado dentro do barco, mordeu a perna do pescador.

O biólogo e professor na Universidade Federal Rural da Amazônia (UFRA), Thiago Barbosa, explica que, no Brasil, existem cerca de 80 espécies de tubarões e vários deles têm existência registrada para o litoral paraense.

"A ocorrência desses animais pode ter relação com a riqueza de condições e de recursos do litoral norte do Brasil, incluindo seus estuários. Os tubarões utilizam estes locais, no geral, para alimentação e reprodução. Além disso, alguns podem adentrar rios devido à capacidade de suportar a mudança de salinidade. Em trabalhos de campo, realizados na região de Algodoal e Salinas, já registramos várias capturas", alerta o especialista.

Ainda segundo o biólogo, o termo “ataque” não é apropriado para este caso. "O pescador foi manipular o animal durante uma pesca ilegal e, por falta de cuidado, sofreu um acidente. A mordida foi uma defesa de um animal que encontrava-se agonizando fora da água. Esse acidente não ocorreria se o animal não fosse capturado", detalha o professor.

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A espécie mostrada no vídeo do acidente em Salinas é bastante comum no litoral paraense, o Tubarão-cabeça-chata. Além dele, outros podem ser vistos, como o Tubarão-lixa, Tubarão martelo, Tubarão-tigre, Galha preta e a Branca. O professor Thiago Barbosa acrescenta que a exploração dessas áreas devem ser feitas com cuidados para que as espécies sejam preservadas.

Acidentes envolvendo tubarões são tão incomuns no estado que o Corpo de Bombeiros Militar do Pará e a Coordenadoria Estadual de Defesa Civil, responsáveis pelos registros dessa natureza, informaram não haver um quantitativo sobres esses casos.

A professora dra. Juliana Araújo, pesquisadora do Grupo de Ecologia Aquática na Universidade Federal do Pará (UFPA), conta que, apesar de acidentes não serem comuns, as aparições podem ser constantes. "Durante as pescarias que ocorrem em toda Costa Norte Brasileira, o aparecimento de tubarões é normal. Mas isso é em alto mar, em zonas bem distantes das praias. No Brasil, a captura de tubarões durante as pescarias são muito comuns, incluindo aqui na região. No próprio vídeo divulgado, é possível ver que o tubarão foi pescado e após ser trazido pra cima do barco foi que houve o 'ataque'", diz a pesquisadora.

Dra. Juliana Araujo, pesquisadora do Grupo de Ecologia Aquática - NEAP/UFPA (Arquivo Pessoal)

O ser humano não faz parte da dieta dessas espécies. Em relação a isso, a pesquisadora afirma que os acidentes ocorrem quando os animais se sentem ameaçados; é a defesa natural.

"As crenças populares, e principalmente a indústria cinematográfica, estigmatizaram esses animais como altamente perigosos e uma ameaça à vida humana, o que é inverídico. Ao contrário do que se pensa, os tubarões não gostam de carne humana, mas sim os confundem com suas presas e por isso atacam. Em média, são registradas menos que 10 mortes por ataque de tubarão por ano em todo o mundo, enquanto que ataques por cães registram 25 mil mortes anualmente", esclarece.

"É importante esclarecer que quanto mais explorarmos os recursos de maneira descontrolada, sofreremos consequências cada vez mais graves. Além de vários outros motivos, a conservação das espécies e dos habitats é essencial para a manutenção da pesca e de outras atividades econômicas" finaliza. 

(Karoline Caldeira, estagiária sob a supervisão de Victor Furtado, coordenador do Núcleo de Atualidades)

Pará
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