Encalhe de algas em Ajuruteua está relacionado às mudanças climáticas 

Pesquisador explica que está relacionado especialmente ao aquecimento da superfície do mar

Bruna Lima
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A presença de uma grande quantidade de algas na praia de Ajuruteua, em Bragança, nordeste do Pará, nesta terça-feira (14), está associada a um fenômeno ambiental de escala oceânica que vem sendo registrado na costa amazônica há mais de uma década. A reportagem conversou com o professor José Eduardo Martinelli Filho, da Universidade Federal do Pará, vinculado ao programa de pós-graduação em Ciências Ambientais (PPGCA).

No ano passado foi o maior encalhe já registrado na Amazônia e um dos maiores do mundo, ocorrido no município de Salinópolis. “Estamos com um artigo científico aceito sobre esse encalhe”, detalha o professor.

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Segundo o pesquisador, o acúmulo de algas observado na faixa de areia faz parte de um evento conhecido como “Grande Cinturão de Sargaço do Atlântico”, que atinge a região equatorial do oceano. “Esse fenômeno teve início por volta de 2011 na costa amazônica, mas os primeiros grandes encalhes foram registrados em 2014. Esses depósitos de algas nas praias são chamados de arribadas”, explica.

De acordo com Martinelli, o aumento na ocorrência dessas arribadas está diretamente relacionado às mudanças climáticas, especialmente ao aquecimento da superfície do mar. Apesar disso, ele ressalta que não se trata de um desequilíbrio ambiental local. “É um fenômeno que já existia naturalmente no Atlântico Norte, na região do Mar dos Sargaços. O que ocorreu foi a expansão dessa dinâmica para o Atlântico Equatorial”, afirma.

Embora desempenhem um papel ecológico essencial em alto mar, servindo como abrigo e berçário para espécies como tartarugas marinhas, peixes e invertebrados, as algas podem causar impactos negativos quando chegam em grande volume às praias. “Quando encalhadas e expostas ao sol, elas entram em decomposição e liberam compostos derivados do enxofre, o que gera mau cheiro e pode prejudicar o turismo”, destaca o professor.

A atividade pesqueira também pode ser afetada. Segundo o especialista, o excesso de algas tende a entupir redes de pesca, provocando prejuízos para os trabalhadores do setor.

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