DPE instaura procedimento para apurar violação de direitos dos consumidores pelas BETs
O Defensor Público do Estado do Pará (DPE/PA) Cássio Bitar Vasconcelos explica que devem ser realizadas audiências públicas para debater o tema e envolver a sociedade na construção de soluções para minimizar os danos causados pelas BETs
Um procedimento aberto pela Defensoria Pública do Estado do Pará (DPE/PA) busca investigar os potenciais danos causados aos consumidores pela divulgação de apostas online (as chamadas BETs) e seus impactos no aumento do endividamento da população paraense. A ação foi realizada por meio do Núcleo de Defesa do Consumidor (Nudecon).
O Procedimento Administrativo Preparatório para Atuação na Tutela Coletiva foi assinado pelo defensor público Cássio Bitar Vasconcelos. Por meio dele, o DPE/PA deve apurar como a promoção dessas plataformas de apostas online pode estar agravando a situação financeira de indivíduos, especialmente aqueles em situação de vulnerabilidade, que podem ser atraídos por promessas de ganhos rápidos, mas acabam acumulando dívidas.
A DPE/PA defende que as apostas online, muitas vezes promovidas como uma forma rápida e fácil de enriquecimento, têm se tornado uma preocupação crescente, podendo influenciar negativamente o comportamento de consumo, especialmente em comunidades mais carentes, onde o endividamento já é um problema crítico, conforme destaca o defensor Cássio Bitar:
“O procedimento foi instaurado em alinhamento com outras Defensorias Públicas do país, visando a adoção de medidas para apurar violação dos direitos dos consumidores na operacionalização e propaganda praticada pelas BETs. Também foi instaurado para trabalhar ações de educação em direitos e orientação aos consumidores, em especial diante do quadro de endividamento da população com práticas e apostas esportivas”.
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Riscos diversos
O alerta do defensor público está ligado também a sua experiência à frente da Câmara de Conciliação em Superendividamento, do Nudecon, da DPE/PA. O superendividamento ocorre, em geral, quando há mais de 30% da renda líquida mensal do consumidor já comprometida com dívidas. Neste sentido, a Câmara possui um modelo de atendimento sistemático associando educação financeira ao atendimento jurídico defensoria.
Levando este contexto em conta, o procedimento busca avaliar o impacto emocional e psicológico que as apostas podem causar nos consumidores, levando ao vício e comprometendo ainda mais a saúde mental dessas pessoas. Através da ação, a DPE/PA pretende garantir que os direitos dos consumidores sejam protegidos, evitando que eles sejam prejudicados por práticas que possam ser consideradas enganosas ou abusivas.
“No âmbito do programa de apoio aos consumidores superendividados, observamos que boa parte dos assistidos tem o comprometimento de renda com apostas esportivas. É preciso acompanhar este quadro, em especial em relação aos mais vulneráveis, beneficiários de programas de transferência de renda que sucumbem ao assédio da BETS em propagandas massivas e levam ao superendividamento”, alerta Cássio Bitar.
De acordo com a portaria divulgada, uma das prioridades é compreender como essas plataformas captam novos usuários e como é feito o uso massivo de publicidade nas redes sociais e plataformas digitais direcionadas a públicos vulneráveis.
Ações
A Defensoria Pública também pretende ouvir os consumidores, coletando relatos e depoimentos de pessoas que possam ter sido afetadas pelas apostas online. Esses dados servirão como base para medidas futuras, que podem incluir ações judiciais ou recomendações para melhorar a regulamentação do setor.
Com esse procedimento, o objetivo é não apenas combater os abusos das plataformas de apostas, mas também promover uma conscientização sobre os riscos do endividamento, especialmente entre a população mais carente. A Defensoria reforça a importância de proteger os consumidores contra práticas enganosas e garantir que eles tenham acesso a informações claras e precisas sobre os serviços que utilizam.
O Defensor Cássio Bitar também destaca a necessidade de cooperação com outros órgãos públicos e instituições financeiras para lidar com o endividamento causado por essas apostas e o que irá ocorrer após instaurar este procedimento: “O próximo passo será a convocação de audiências públicas para debater o tema e envolver a sociedade na construção de soluções para minimizar os danos causados pelas apostas online. Essa é uma questão de saúde financeira e social, e que medidas efetivas precisam ser tomadas para conter os impactos negativos”, conclui.
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