Irã nega condenação à pena de morte de manifestante iraniano Erfan Soltani; Trump faz pressão
As forças militares do Irã mataram pelo menos 3.428 manifestantes durante a repressão aos protestos, informou nesta quarta-feira a ONG Iran Human Rights (IHR)
A Justiça do Irã afirmou nesta quinta-feira (15), por meio da mídia estatal, que o manifestante iraniano Erfan Soltani, de 26 anos, não foi condenado à pena de morte, mesmo após o enforcamento de Soltani ter sido previsto para a quarta-feira (14), segundo a ONG Hengaw.
Segundo o Judiciário, Soltani, que está detido no presídio central de Karaj, responde por “conluio contra a segurança interna” e “propaganda contra o regime”, acusações que não preveem pena de morte no país. A informação foi divulgada pela Reuters, com base na mídia estatal iraniana.
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A ONG Hengaw ainda informou que a execução por enforcamento, que estava prevista para quarta-feira (14), foi adiada, conforme relatos de familiares do manifestante. Até então, a família de Erfan Soltani havia recebido informações de que o manifestante teria sido condenado por "Moharebeh", termo que pode ser traduzido como “ódio contra Deus”.
Erfan está preso no presídio central de Karaj, próximo a Teerã, e é acusado pelas autoridades iranianas de propaganda contra o regime islâmico e de agir contra a segurança nacional. O Irã é conhecido por aplicar a pena de morte a centenas de pessoas acusadas desse crime. Segundo a ONG curdo-iraniana Hengaw, as autoridades locais teriam informado aos parentes que a sentença era definitiva.
Pressão dos Estados Unidos
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, havia afirmado que Washington adotaria “medidas muito duras” caso o Irã começasse a executar manifestantes. Nesta quarta-feira (14), Trump disse ter sido informado de que as execuções no país foram interrompidas e que não há planos para novas execuções.
Durante um evento na Casa Branca, o presidente afirmou ter recebido a informação de uma “fonte segura”. As forças militares do Irã mataram pelo menos 3.428 manifestantes durante a repressão aos protestos, informou nesta quarta-feira a ONG Iran Human Rights (IHR), com sede na Noruega. Segundo a organização, mais de 10 mil pessoas foram detidas no país desde o início dos protestos.
(Gabrielle Borges, estagiária de jornalismo, sob supervisão de Enderson Oliveira, editor web de OLiberal.com)
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