Desenho de Nicolás Maduro no tribunal: por que ilustrações são usadas nos EUA?
Ilustração feita em audiência em Nova York chamou atenção e é prática tradicional na Justiça
Um desenho divulgado a partir do Tribunal Federal de Manhattan, em Nova York, mostra o ex-presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, durante a audiência realizada nesta segunda-feira (5/1). Na sessão, ele se declarou inocente das acusações de narcotráfico apresentadas pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos. A ilustração chamou atenção e passou a circular internacionalmente, reforçando uma prática comum no sistema judicial americano.
Nos Estados Unidos, audiências realizadas em tribunais federais e na Suprema Corte não costumam permitir a presença de câmeras ou equipamentos de gravação. Por isso, os chamados "courtroom sketches", ou desenhos de tribunal, se tornaram o principal registro visual autorizado dessas sessões.
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Por que tribunais dos EUA usam desenhos em audiências
Os únicos registros visuais liberados ao público em muitos julgamentos nos Estados Unidos são os courtroom sketches. Esse tipo de ilustração existe pelo menos desde o século 16 e passou a ser adotado de forma mais ampla no país a partir de meados do século 20.
A prática foi institucionalizada para evitar o que autoridades judiciais classificavam como “circo midiático” em processos de grande repercussão. Com isso, artistas credenciados passaram a acompanhar audiências e produzir ilustrações que abastecem a imprensa nacional e internacional.
História dos desenhos de tribunal
As ilustrações judiciais surgiram na Europa e ganharam espaço nos Estados Unidos ainda no período colonial. Um dos primeiros casos amplamente associados a esse tipo de registro foram os Julgamentos das Bruxas de Salem, no fim do século 17, em Massachusetts.
Na década de 1930, a proibição do uso de câmeras em tribunais americanos reforçou a importância dos desenhos. Durante décadas, os ilustradores foram praticamente a única forma de representação visual do que acontecia dentro das salas de audiência.
Por que essa prática não se consolidou no Brasil
No Brasil, embora também existam restrições ao uso de câmeras em determinadas audiências, a prática de manter artistas de tribunal nunca se consolidou de forma institucional.
O Judiciário brasileiro adota regras diferentes para a cobertura de julgamentos, e o registro visual costuma ficar restrito a imagens oficiais ou à imprensa quando autorizado.
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