Paysandu aposta no Departamento Jurídico para reorganizar o clube e prevenir crises de imagem Com atuação integrada ao futebol, setor trabalha na redução de ações, obtenção de certidões e recuperação da imagem institucional Luiz Guillherme Ramos 11.01.26 8h00 Igor Cardoso, Gabriella Sifuente, Bruno Castro, Mateus Casemiro e Andrey Damasceno formam o Departamento Jurídico do Paysandu. (Cristino Martins / O Liberal) A temporada de 2026 marca um amplo processo de reestruturação no Paysandu. Após um ano caótico, marcado por rebaixamento e renúncia presidencial, o clube caminha rumo a uma mudança de paradigma que envolve todos os setores — não apenas o futebol —, sob o guarda-chuva do Departamento Jurídico, órgão essencial na prevenção de ameaças e na defesa institucional. Nesta entrevista, os advogados que integram o staff jurídico bicolor, sob o comando do advogado Bruno Castro, falam sobre a rotina de trabalho e as novas diretrizes adotadas pelo clube para enfrentar o "temporal" que se avizinha nas terras bicolores. WhatsApp: saiba tudo sobre o Paysandu Entre tratativas, reuniões e análises de contratos, os advogados do clube trabalham para diminuir o volume de ações, ao mesmo tempo em que se debruçam na regularização da instituição junto a órgãos estaduais e federais. Um dos movimentos recentes mais importantes foi a adesão ao Programa de Regularização Fiscal do Pará (Prorefis), da Secretaria de Estado da Fazenda (Sefa). A medida permitiu o parcelamento de débitos estaduais, em um movimento que dá ao clube maior fôlego financeiro e viabiliza a obtenção de certidões negativas, que, futuramente, podem se converter em novos e maiores patrocínios, por exemplo. “Os projetos chegam com mais facilidade aos clubes que estão devidamente organizados. Sem as certidões, por exemplo, o Paysandu não teria recebido os valores da Copa Verde”, explica o diretor jurídico Bruno Castro, ao destacar que a organização fiscal é um passo essencial para recuperar credibilidade e atrair novos parceiros. Internamente, a direção do clube deu um passo importante rumo à integração, ao aproximar o jurídico do futebol. Segundo Bruno Castro, a participação começa ainda nas tratativas iniciais de contratação de atletas. “Quando o futebol inicia uma negociação, o contrato passa pelo jurídico, que analisa riscos e sugere ajustes. Não temos poder de veto, mas indicamos caminhos mais seguros para o clube”, afirma. Essa atuação contínua inclui análise de contratos, patrocínios, franquias, demandas trabalhistas e relações com atletas. “Hoje, o jurídico só perde para o financeiro em volume de trabalho. É uma atividade constante, diária”, resume. O trabalho preventivo também se reflete no campo disciplinar. Em 2024, o Paysandu evitou punições desportivas frequentes em anos anteriores, como perdas de mando de campo e multas no STJD. “Isso não acontece por acaso. Houve eficiência na gestão desses processos”, afirma Bruno. Neste caso, segundo Igor Cardoso, a política adotada pelo clube acaba trazendo vitórias significativas já em curto prazo. “Em relação ao pagamento de parcelas, firmamos acordos com 90% ou mais dos atletas que estavam no clube em 2025. Eu mesmo participei das negociações e revisei os acordos de trabalho, inclusive os relacionados a direitos de imagem. Conseguimos abatimentos e chegamos a valores mais adequados para o clube. A grande maioria está sendo paga, e as demais serão quitadas dentro das condições que o Paysandu pode cumprir.” Problemas que persistem Apesar dos avanços, o Paysandu ainda convive com um volume expressivo de ações judiciais em andamento. Somadas, as cobranças feitas por jogadores que atuaram em 2025, o volume total chega a R$ 14.026.518,26. Com a multa judicial de R$ 1,5 milhão relacionada a atrasos salariais, o montante discutido atinge R$ 15.526.518,26, sem contar as ações antigas O clube ressalta que esses valores representam pedidos em processos ainda em tramitação e não condenações definitivas. “Temos várias ações trabalhistas em andamento, mas que não geram preocupação imediata, porque ainda haverá audiências, contestações e recursos. Se alguém pede cinco milhões, isso não significa que vá receber esse valor. Cada um pede o que entende. O passivo trabalhista não é de 15 milhões, como se comenta", rebate o advogado Andrey Damasceno. A multa de R$ 1,5 milhão decorre do descumprimento de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) firmado em 2008 com o Ministério Público do Trabalho. “É um acordo antigo, que obrigava o clube a nunca mais atrasar salários. O descumprimento gerou uma multa milionária. É um exemplo claro de como decisões do passado impactam diretamente o presente”, explica o diretor jurídico. VEJA MAIS Paysandu celebra 10 anos de marca Lobo e afirma que é uma das principais fontes de receita do clube O clube informou que a marca Lobo é responsável por uma boa parte das receitas anuais Paysandu consegue certidão negativa de débitos estaduais e presidente comenta; saiba mais Presidente Márcio Tuma falou da importância em obter a certidão negativa e afirmou que esse é o caminho para o bem do clube PK entra na Justiça e valores cobrados do Paysandu já ultrapassam R$ 15 milhões Lista reúne ações de jogadores da temporada 2025 e processos ainda aguardam julgamento Esse e outros acordos, no entanto, acabam por impactar diretamente as finanças originalmente destinadas ao futebol. “O peso dessas dívidas equivale a quase duas folhas de pagamento. Se comprometermos todo o presente para pagar tudo de uma vez, inviabilizamos o clube”, explica Bruno. Por isso, cada caso precisa ser analisado individualmente. O departamento jurídico também lida com casos específicos envolvendo ex-funcionários. Sobre ações envolvendo nomes conhecidos, a postura é técnica. “Reconhecemos a história de profissionais importantes, mas estamos aqui para defender os interesses do clube”, resume Bruno. O advogado Matheus Casemiro detalha que ações como as de Hélio dos Anjos e Yago Pikachu estão em esferas distintas e seguem trâmites normais da Justiça, sem preocupação imediata. “O caso do Hélio dos Anjos é trabalhista, e o do Yago Pikachu é cível. A ação do Hélio está atualmente em segundo grau, em fase recursal, e ainda pode seguir para Brasília. É um processo que, neste momento, não nos preocupa, porque um recurso pode levar pelo menos um ano para ser analisado. Quanto ao Yago Pikachu, o processo corre sob sigilo de Justiça. Por isso, não podemos fazer comentários mais aprofundados. Trabalhamos em um pedido de retirada do sigilo para que os fatos fiquem claros. Uma coisa é certa: o Pikachu não deve ao Paysandu, e o Paysandu não deve ao Pikachu". Além disso, o clube busca romper com práticas antigas, como a antecipação recorrente de receitas, que até o ano passado ainda eram uma realidade. “Chegou um momento em que não havia mais o que antecipar. Isso vicia a gestão. O que queremos agora é não repetir essa política”, afirma Bruno. A nova postura já começa a refletir no mercado. “Hoje há diálogo, modelo definido e mais credibilidade. Se o jogador não aceita, segue o caminho dele”, conclui. Assine O Liberal e confira mais conteúdos e colunistas. 🗞 Entre no nosso grupo de notícias no WhatsApp e Telegram 📱 Palavras-chave futebol paysandu departamento jurídico futebol paraense dívidas trabalhistas jornal amazônia COMPARTILHE ESSA NOTÍCIA Paysandu . Desculpe pela interrupção. Detectamos que você possui um bloqueador de anúncios ativo! Oferecemos notícia e informação de graça, mas produzir conteúdo de qualidade não é. Os anúncios são uma forma de garantir a receita do portal e o pagamento dos profissionais envolvidos. Por favor, desative ou remova o bloqueador de anúncios do seu navegador para continuar sua navegação sem interrupções. Obrigado! ÚLTIMAS EM PAYSANDU Futebol Paysandu aposta no Departamento Jurídico para reorganizar o clube e prevenir crises de imagem Com atuação integrada ao futebol, setor trabalha na redução de ações, obtenção de certidões e recuperação da imagem institucional 11.01.26 8h00 Futebol Paysandu empata com o Cametá em jogo-treino e mantém foco na estreia do Parazão Atividade no CT Raul Aguilera serviu para testes, observações e ganho de ritmo antes do duelo do dia 25, na Curuzu 10.01.26 15h21 Futebol Cauã Dias fala sobre pré-temporada e comemora chance no elenco profissional do Paysandu Promovido da base, lateral-esquerdo de 19 anos confirma intensidade dos treinos e busca aproveitar as oportunidades no time bicolor 09.01.26 16h32 FUTEBOL Após rebaixamento, Paysandu empresta goleiro Matheus Nogueira para clube da Série B Jogador recebeu críticas por parte da torcida e não defenderá o Papão em 2026 09.01.26 9h24 MAIS LIDAS EM ESPORTES Futebol Remo joga a vida contra o Palmeiras e precisa vencer para avançar na Copa São Paulo 2026 Equipes se enfrentam neste domingo (11), às 11h, na Arena Barueri, pela última rodada do Grupo 27. 11.01.26 7h30 SUPERCOPA GRÃO PARÁ Remo x Águia de Marabá: ingressos para a final da Supercopa Grão Pará já podem ser comprados FPF anunciou a abertura de vendas para o jogo da Supercopa Grão Pará 11.01.26 0h04 Futebol Paysandu aposta no Departamento Jurídico para reorganizar o clube e prevenir crises de imagem Com atuação integrada ao futebol, setor trabalha na redução de ações, obtenção de certidões e recuperação da imagem institucional 11.01.26 8h00 JOGOS DE HOJE Futebol: veja quem joga hoje, domingo (11/01), horários das partidas e onde assistir ao vivo Bundesliga, Série A italiana, Campeonato Espanhol e Supercopa da Espanha movimentam o futebol neste domingo 11.01.26 7h00