Preconceito, vitiligo, fome e superação: conheça 'Melk', o lutador paraense que estreia no UFC Rio

Melquizael Costa, o “Melk”, encara o paulista Thiago Moisés no UFC Rio de Janeiro no próximo sábado (21)

Fábio Will
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O UFC Rio de Janeiro ocorre neste sábado (21). O evento marca o retorno do ultimate ao Brasil, após três anos. A competição terá 15 lutas, divididas em cards preliminar e principal, com as presenças de dois paraenses. No card principal Deiveson Figueiredo encara o mexicano Brandon Moreno, pela quarta vez e valendo o cinturão da categoria peso-mosca e marcará a estreia de mais um “Papa-chibé” no maior evento de MMA do Mundo. O paraense Melquizael Costa, o “Melk”, terá pela frente o paulista Thiago Moises, pela categoria peso-leve.

Natural de Porto de Moz (PA), Melk fará sua primeira luta no UFC e abriu o jogo em entrevista a O Liberal. O lutador relembrou momentos de dificuldades, o preconceito que sofreu por ter vitiligo, morte do irmão, perrengue em Belém, além da força da esposa, filha e pais para muda a sua trajetória no esporte.

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“Toda minha história com a luta vem com o vitiligo (doença que possui como característica a perda da coloração da pele). Tenho vitiligo desde os quatro, passei por muito preconceito na infância, mas na adolescência começou afetar a minha mente. Nasci em Porto de Moz e estava trabalhando para o meu tio no interior, preferi ficar isolado, mas voltei a Porto de Moz, conheci alguns amigos e a minha vida começou a mudar”, disse.

Vitiligo

Melk não se aceitava, tinha vergonha do corpo por conta do vitiligo e os apelidos que recebia nas ruas serviram de incentivo para iniciar a atividade física que hoje é profissão.

“Eu tinha preconceito comigo, não tirava a camisa por nada e no Pará é muito quente, mesmo assim, só andava com camisas de mangas compridas e não tirava fotos. Foi em uma brincadeira com os amigos que fui a uma academia e levei um nocaute. Nunca tinha colocado uma luva nas mãos e depois um colega me chamou para treino de jiu-jitsu. Foi então que pensei em treinar para poder bater nessas pessoas”, comentou.

Amigos

Gratidão aos amigos. Esse é o sentimento de Melk aos amigos que ajudaram na caminhada do MMA. O lutador relembrou as situações que o levaram a ter força para se manter no esporte.

“É muito cabuloso lembrar de tudo que passei para lutar, todos eles conseguiram caminhar, seguir na vida, um está em Portugal, outros trabalham no Rio de Janeiro, Comecei a treinar aos 12 anos, comecei a gostar, é legal aprender a lutar, mas a minha ideia era aprender bater nas pessoas que me apelidassem, só que eu descobri que na academia é preciso ter disciplina, não pode brigar na rua, então tudo aquilo que seu estava aprendendo, aquela raiva, eu tinha que usar em alguma coisa. E comecei a ir atrás de competições, comecei a treinar, em um horário complicado, com pessoas em nível avançado, pois trabalhava e estudava. Hoje falo que a minha base é a base da porrada, primeiro aprendi apanhar para depois bater, com o professor Alderclei Sapão”, contou.

image Melk é natural da cidade de Porto de Moz (PA) (Arquivo pessoal)

Dificuldades em Belém

O lutador paraense comentou sobre o momento difícil em Belém. Sem o conhecimento atual e sem dinheiro, Melk teve que comer mortadela com farinha por um período, tentando diminuir de peso para poder competir.

“No interior geralmente é uma academia por cidade, e conseguimos vencer todo mundo nas cidades próximas. Meu treinador falou para tentarmos a sorte em Belém, poios já estávamos em outro nível ou então deixar o esporte, arrumar um emprego. Fomos em 2016 para Belém, com a ideia de viver da luta, cinco garotos, e nessa ida pintou uma luta para mim com Jonas Santos “Diabo Loiro”. Eu não tinha acompanhamento, sem o conhecimento que tenho hoje, sem preparador físico, tive que perder peso, comia mortadela com farinha para não passar fome. Bati o peso, foi uma guerra, venci a luta e depois fui para um projeto em São Paulo’, contou.

Apoio

Melk estava caminhando no esporte, mas faltava apoio e incentivo, porém, ele encontrou tudo isso na esposa Cintia Larissa Pantoja, quem conheceu em 2016. O lutador paraense afirma que ela foi fundamental na carreira.

“Em 2016 as coisas começaram melhorar, foi ano em que conheci minha esposa, ela me deu o maior suporte. Falo pra ela que fui adotado, ela me levou para a casa dela, comprou roupa, investiu, acreditou em mim. Em 2017 fiquei desanimado, lutei pouco, vendia alguns produtos para ajudar em casa, falei para ela que iria arranjar um emprego e ela pediu para eu focar nos treinos, não largar, pois esse seria o nosso futuro”, relembrou.

image Melk com a esposa e a filha (Arquivo pessoal)

A lembrança do irmão

Perto de estrear no maior evento de MMA do Mundo, Melk não esquece o incentivo do irmão que faleceu, mas que sempre teve apoio e admiração.

“Eu lembro muito do meu irmão, tenho ele tatuado no meu peito, foi a pessoa que me apoiou, infelizmente ele sofreu um acidente e faleceu. Vou lutar o maior evento do mundo, ele sempre acreditou em mim, e vem muito ele na minha mente”, disse.

Confira as lutas do UFC Rio

UFC 283: Teixeira x Hill

Card Principal

Cinturão peso meio-pesado (até 92,9 Kg): Glover Teixeira x Jamahal Hill

Cinturão peso-mosca (até 56,7 Kg): Deiveson Figueiredo x Brandon Moreno

Peso meio-médio (até 77,1 Kg): Gilbert Durinho x Neil Magny

Peso-mosca (até 56,7 Kg): Lauren Murphy x Jéssica Andrade

Peso meio-pesado (até 93 Kg): Paul Craig x Johnny Walker

Card Preliminar

Peso meio-pesado (até 93 Kg): Mauricio Shogun x Ihor Potieria

Peso-médio (até 83,9 kg): Brad Tavares x Gregory Rodrigues

Peso-leve (até 70,3 Kg): Thiago Moisés x Melquizael Costa

Peso-pesado (até 120,2 Kg): Shamil Abdurakhimov x Jailton Almeida

Peso meio-médio (até 77,1 Kg): Gabriel Bonfim x Mounir Lazzez

Peso-galo (até 61,2 Kg): Luan Lacerda x Cody Stamann

Peso-leve (até 70,3 Kg): Ismael Bonfim x Terrance McKinney

Peso meio-médio (até 77,1 Kg): Warlley Alves x Nicolas Dalby

Peso-pena (até 65,7 Kg): Josiane Nunes x Zarah Fairn

Peso-galo (até 61,2 Kg): Saimon Oliveira x Daniel Marcos

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