Preço do café tem redução em Belém após forte valorização em 2025, aponta Dieese/PA
Recuo acumulado nos últimos 12 meses chega a 14,17%
As famílias paraenses observaram uma redução no preço do café nos últimos meses, conforme análises do Instituto Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos do Pará (Dieese/PA). A queda, registrada em supermercados da Grande Belém, ocorre após um longo período de fortes reajustes e representa um alívio para o orçamento doméstico em 2026. Em janeiro de 2026, o quilo do café em Belém custava, em média, R$ 68,13. Em maio, o valor caiu para R$ 65,65 e, em junho, chegou a R$ 64,73, firmando a tendência de queda.
Nesse cenário, as análises comparativas indicam que o preço médio do café ficou 1,4% mais barato em junho de 2026 em relação a maio. No acumulado do primeiro semestre de 2026, a redução atinge 6,54%. Já na comparação dos últimos doze meses (junho de 2025 a junho de 2026), o recuo acumulado alcança 14,17%.
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Conforme a análise, fatores como a entrada da nova safra brasileira e a redução das pressões internacionais contribuíram para o recuo dos preços. O menor ritmo das exportações brasileiras também ampliou a oferta interna do produto.
Apesar da recente queda, o valor do café ainda se mantém elevado em comparação aos patamares anteriores à valorização de 2025. "O consumidor já não paga os maiores valores observados no auge da alta dos preços, mas ainda desembolsa quantias superiores às verificadas antes da expressiva valorização do produto", aponta o estudo, assinado pelo supervisor técnico do Dieese/PA, Everson Costa.
Fatores para a valorização de 2025
A forte valorização do café em 2025 foi atribuída a uma combinação de fatores climáticos, econômicos e internacionais, de acordo com o Dieese/PA. Entre eles, destacaram-se estiagens prolongadas e altas temperaturas nas regiões produtoras brasileiras, que impactaram a produtividade.
Em março do ano passado, por exemplo, o produto custava R$ 67,72, acumulando alta de 35,39% no primeiro trimestre daquele ano e de 91,52% em 12 meses, conforme pesquisa divulgada pelo Dieese, na ocasião.
Outros fatores que influenciaram nessa valorização foram: menor oferta global do grão, aumento das exportações do Brasil e valorização das cotações no mercado internacional. Oscilações cambiais e a elevação dos custos logísticos e de transporte também contribuíram para o cenário.
Para a Região Norte, esses fatores geraram impactos ainda mais acentuados, em razão da alta dependência da região do abastecimento vindo do Sul e Sudeste do Brasil, elevando os custos de frete e distribuição e ampliando os reajustes ao consumidor.
A queda do preço do café em Belém reflete um movimento nacional, conforme a Pesquisa Nacional da Cesta Básica de Alimentos. O levantamento do Dieese em parceria com a Companhia Nacional de Abastecimento (CONAB) mostra que o café barateou em 25 das 27 capitais entre maio e junho de 2026. Exceções foram Macapá, com aumento de 5,37%, e Natal, que registrou pequena alta de 0,05%. O Dieese Nacional atribui a redução à maior oferta, impulsionada pelo avanço da colheita da safra 2026/2027.
Variação na Região Norte
Na Região Norte, Belém seguiu a tendência: seis das sete capitais pesquisadas tiveram queda no preço do café em junho de 2026. Além da capital paraense, as reduções foram registradas em:
- Rio Branco: -2,26%
- Manaus: -2,02%
- Boa Vista: -1,73%
- Belém: -1,40%
- Palmas: -1%
- Porto Velho: -0,68%
Somente Macapá registrou aumento no mês, devido a particularidades de abastecimento e mercado. No acumulado de 2026, todas as capitais nortistas apresentaram recuo nos preços do café.
Os recuos mais significativos no semestre foram em Rio Branco (-12,91%), Manaus (-9,49%), Porto Velho (-8,30%) e Belém (-6,54%).
Analisando os últimos doze meses, apenas Macapá teve alta acumulada, de 7,62%. Belém, por sua vez, registrou uma redução de 14,17%, sendo a segunda maior queda entre as capitais do Norte, atrás de Rio Branco, com -18,07%.
Esse cenário indica uma redução generalizada dos preços na Região Norte. No entanto, fatores como logística, custos de transporte e características de mercado ainda geram variações na intensidade das quedas entre as capitais.
Perspectivas para o preço do café
O Dieese/PA prevê que, nos próximos meses, os preços do café devem manter uma relativa estabilidade ou apresentar novas reduções moderadas. Essa projeção depende de condições favoráveis, como clima nas regiões produtoras, ritmo da colheita e oferta nacional. O comportamento do mercado internacional e os custos logísticos também são cruciais. "Por outro lado, eventuais adversidades climáticas, oscilações cambiais ou mudanças significativas na oferta mundial poderão voltar a pressionar as cotações do produto e refletir novamente sobre os preços pagos pelos consumidores", concluiu Everson Costa.
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