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Pará assume liderança do cacau no Brasil e concentra mais de 50% da riqueza do setor

Estado supera a Bahia em produção e valor, amplia exportações — com destaque para o Japão — e reforça papel ambiental com expansão de áreas reflorestadas

Jéssica Nascimento
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O Pará assumiu a liderança da produção de cacau no Brasil, concentrando mais da metade da riqueza gerada pelo setor. De acordo com a nota técnica “O Contexto Ambiental e Econômico do Cacau 2026”, divulgada pela Fundação Amazônia de Amparo a Estudos e Pesquisas (Fapespa), o Estado ultrapassou a Bahia tanto em volume quanto em valor, evidenciando também o potencial de exportação para mercados como o Japão e a relevância ambiental da cultura.

Atualmente, o Pará responde por 50,6% do valor total da produção nacional de cacau, consolidando-se como principal polo da atividade no país. O cenário é de forte crescimento: entre 2023 e 2024, o valor real da produção brasileira aumentou 208,3%, impulsionado pela valorização dos preços e pela maior eficiência das lavouras paraenses.

No volume produzido, o Estado também lidera. Em 2024, foi responsável por 46,2% da produção nacional — cerca de 300 mil toneladas — enquanto a Bahia registrou 46,1%. Municípios como Medicilândia, Uruará e Placas, na Região de Integração do Xingu, destacam-se como os maiores produtores, ocupando posições de destaque no ranking nacional. 

O setor apresenta expansão contínua, com aumento da participação no cenário nacional e ganhos de produtividade ao longo do tempo.

Segundo o diretor de Estudos e Pesquisas da Fapespa, Márcio Ponte, a mudança de protagonismo é evidente. Ele ressalta que, embora historicamente a Bahia seja referência na produção de cacau, o Pará já a superou tanto em volume quanto em geração de riqueza, concentrando mais de 50% do valor produzido no País.

No mercado internacional, o cacau paraense também vem ganhando espaço. Em 2025, as exportações de amêndoas brutas cresceram 281,7%, tendo o Japão como principal destino, responsável por 94,6% das compras. Além disso, o produto alcançou maior valorização: o preço médio chegou a US$ 12,0 por quilo, acima da média nacional de US$ 10,3.

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A cultura do cacau também se destaca por sua contribuição ambiental. Entre 2000 e 2024, a área reflorestada com a espécie no Pará aumentou de 38 mil para 165 mil hectares, permitindo a captura anual de aproximadamente 19,8 mil toneladas de CO₂.

O presidente da Fapespa, Marcel Botelho, enfatiza o papel do governo estadual no fortalecimento do setor, por meio de investimentos em pesquisa e desenvolvimento tecnológico. 

Ele destaca que o avanço da cacauicultura vai além da disputa com a Bahia, sendo resultado do aumento da produtividade e da adoção de sistemas agroflorestais, que reproduzem processos naturais e diferem do modelo de monocultura. Esse modelo contribui tanto para a recuperação ambiental quanto para a manutenção da produção.

Diante desse cenário, o cacau se firma como uma atividade estratégica para o desenvolvimento do Pará, combinando crescimento produtivo, ganhos de eficiência e maior inserção no mercado global. O Estado consolida, assim, sua posição como principal referência da cacauicultura brasileira.

 

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