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Feirantes do Ver-o-Peso reclamam de queda nas vendas do pescado

Professor da UFPA lamenta que haja muita desinformação sobre a doença da urina preta

Natalia Mello

O comerciante Mauro Antônio Silva trabalha com a venda de peixes no Mercado do Ver-o-Peso desde os sete anos e, aos 48, reclama das dificuldades que vem enfrentando após o registro do primeiro caso da Síndrome de Haff, conhecida popularmente como "doença da urina preta", em Belém. Embora o número de casos no Estado seja baixo, assim como o percentual de óbitos causados pela doença, a procura pelo pescado, mesmo de espécies que não apresentam a toxina causadora da enfermidade, como o filhote e a dourada, vem caindo gradativamente.

“Não vendi nenhum quilo de tambaqui, nem sábado nem domingo, dei pro rapaz que trabalha comigo para ele comer. Ainda tenho guardado, no gelo, mas o pessoal não está querendo comer por causa dessa doença. Já estamos sentindo o abalo, porque sem vender nada a gente fica até sem ter como pagar os fornecedores do pescado. Aí comprar mais peixe é o mesmo que jogar dinheiro fora. Nós dependemos da venda, sem isso como vou sustentar minha família?”, questiona Mauro.

O comerciante afirma que espera do governo alguma posição quanto à identificação das causas da doença e mais esclarecimento à população sobre quais espécies são transmissoras da toxina, já que os trabalhadores do Mercado de Peixe sobrevivem exclusivamente dessa atividade. “Nós trabalhamos com peixe da Amazônia. Eles deviam vir pegar peixe daqui de Belém e fazer o teste, ver se ele está contaminado. Porque o freguês chega aqui e agora está com medo, não quer comprar peixe mesmo não sendo o tambaqui”, finaliza.

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Ana Luiza Lopes, 23 anos, é funcionária de um restaurante localizado na rua João Alfredo, e afirma que a mudança de comportamento do público já é observada também no estabelecimento. A ajudante de cozinha conta que, no último sábado, nem precisou comprar peixe, pois o estabelecimento nem chegou a utilizar toda a quantidade comprada. “Tem muita gente perguntando se o peixe que está no cardápio é o mesmo que transmite a doença. Tambaqui eu nem estou vendendo mais. A gente só compra dourada, pescada branca, e mesmo falando para as pessoas que esses peixes não causam a doença, muita gente  fica com medo de comer”, ressalta.

O professor e pesquisador José Domingos Fernandes atua no Campus da Universidade Federal do Pará (UFPA) em Cametá, e representa o Grupo de Pesquisa sobre Pesca e Pescadores na Amazônia Tocantina (GEPATT), ligado ao Programa de Pós-Graduação em Educação (PPGED). Em entrevista à Redação de O Liberal, ele ressaltou que há um desencontro muito grande de informações sobre a doença e que 18 mil pescadores da região do Baixo Tocantins podem ser afetados de forma negativa por esse cenário.

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“Fiz pesquisa recente e em torno de 70% dos pescadores desconhecem a doença, não sabem do que se trata e acham que não vai chegar aqui. Mas outros 30% estão preocupados, porque se isso acontecer vai atingir diretamente que trabalha com os peixes de água doce. Eu não trato da questão técnica da doença, trato do impacto disso na vida dos pescadores. Eles estão assustados, porque a base do sustento deles é o peixe. Nessa região 70% da população consome pescado”, alerta o professor.

Para o pesquisador, as informações precisam passar por um crivo, para que o setor pesqueiro não seja diretamente prejudicado. “Eu não tenho números fechados, mas já diminuiu a venda na região, e isso impacta tanto na vida de quem vende quanto de quem consome. Então precisamos observar com cuidado esse novo cenário”, conclui.

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As Secretarias municipal (Sesma) e estadual de Saúde (Sespa) investigam o caso da doença registrado em Belém na última semana. Em Óbidos e Juruti, no oeste paraense, as prefeituras recomendaram que a população suspenda o consumo das espécies tambaqui e pirapitinga.

A doença de Haff é causada por uma toxina que pode ser encontrada em determinados peixes e crustáceos. O principal sinal é o escurecimento da urina, que pode chegar a ficar da cor de café. A doença deve ser tratada rapidamente, pois pode levar à insuficiência renal, falência múltipla de órgãos e até à morte.

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Economia
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