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Especialistas explicam relação entre peixes e doença da urina preta

Síndrome de Haff ainda demanda estudos para ser melhor compreendida. Assim como as causas da contaminação do pescado

O Liberal

Os casos da síndrome de Haff, popularmente conhecida como a doença da “urina preta”, têm assustado a população quanto ao consumo de peixe. Alguns vídeos que circulam pelas redes sociais mostram peixes como o pirapitinga, tucunaré, tambaqui e pacú que costumam ser mais suspeitos ou com mais indícios de risco de contaminação — e que são comuns no Amazonas. Especialistas analisam os casos recentes e explicam a relação do pescados com a doença que pode levar à morte.

As causas para a doença da “urina preta” ainda estão sendo investigadas. O que se sabe até agora é que é causada por uma toxina, que pode ser encontrada em determinados peixes e crustáceos. A substância gera danos no sistema muscular e em órgãos como rins. Se constitui em um tipo de rabdomiólise, nome dado para designar uma síndrome que gera a destruição de fibras musculares esqueléticas, liberando elementos de dentro das fibras (como eletrólitos, mioglobinas e proteínas) no sangue.

Para Raquel Soares Casaes Nunes, membro docente do Instituto de Saúde e Produção Animal, da Universidade Federal Rural da Amazônia (Ufra), os vídeos que circulam nas redes mostrando vermes nos peixes, apenas mostram algo que já é do próprio pescado. “Essa veiculação acontece por conta do consumo dos peixes por contaminação de verme em crustáceos, água ou outros peixes que estão na cadeia alimentar de espécies maiores. Isso vai formar uma cadeia de contaminação”, destaca.

Esses vermes, diz Raquel, são facilmente eliminados através de um bom manuseio. “ A gente consegue eliminar esses vermes através do congelamento, em temperaturas de menos de 18 graus, uma boa lavagem e através de um bom cozimento. Só aí a gente consegue pensar em comercializar. Esse tipo de contaminação que é vista nos vídeos é interna. Geralmente, na hora da compra, a gente não consegue visualizar. Uma dica é verificar pelos olhos do peixe, se ele estiver muito saltado. É um grande sinal de que ele não está bom”, conclui.

Pará já tem três casos suspeitos sendo investigados e uma morte

Até o momento, três casos suspeitos da síndrome de Haff — Belém, Santarém e Trairão — estão sendo investigados. A Secretaria de Estado de Saúde Pública do Pará (Sespa) emitiu nota de alerta com orientações para identificação e notificação de casos suspeitos. A Sespa orienta os municípios a aumentar a atenção à inspeção sanitária dos locais de venda e sobre a importância do acondicionamento correto do pescado.

A proibição, liberação do consumo de pescado ou bloqueio é de responsabilidade de cada município. A órgão também informa que, em caso de sintomas como dor muscular intensa na costa e membros inferiores, urina de cor escura associada a ingestão de pescado em até 24h, é necessário buscar atendimento imediato na rede pública de saúde do município.

“A síndrome de Haff é uma doença rara e precisa de mais estudos. Porém, existem teorias apontadas por alguns médicos e pesquisadores de que uma das causas é a temperatura inadequada de conservação e armazenamento desses peixes. A ideal seria entre -1 a 10 ºC. Esses peixes, ficando por longas horas em temperatura acima de 10 graus, principalmente em regiões úmidas e quentes, entrariam em processo de decomposição e nesse processo formaria a toxina. Porém, para isso, o frescor do peixe também seria afetado e já houve relatos de que o peixe manteve o frescor e estava contaminado com a toxina”, ressalta a veterinária Carol Paraense, especialista em segurança de alimentos.

Carol ainda destaca que há uma segunda teoria, mais aceita entre os pesquisadores, que é a da contaminação do ecossistema em que se esses peixes vivem. Mudanças climáticas, aumento da temperatura e/ou contaminação dos cursos d’água pelo uso inadequado de agrotóxicos por exemplo. Isso contribuiria para formação de cianobactérias, que são bactérias que se assemelham a algas. Essas bactérias podem estar sendo ingeridas por peixes pequenos que por sua vez são alimentos para peixes maiores. Tem também a questão do aumento de metais tóxicos, como arsênio, o que levaria à contaminação de todos os peixes que vivem num habitat.

“A população tem que ficar em alerta, principalmente no consumo de peixes criados nos mesmos rios e local em que houve as suspeitas dos casos. É o momento da comunidade científica local fazer pesquisas em busca da causa se os pacientes suspeitos forem confirmados. Quanto ao consumo de peixes, a dica é comprar peixes de qualidade, que tenham selo de inspecionados, pois é feito nesses peixes toda uma rastreabilidade do habitat onde vivem. Nunca compre peixe em que o frescor esteja comprometido e que não esteja refrigerado”, alerta a veterinária.

DICAS

- Deixar o peixe refrigerado entre -1 a 10 graus
- Na hora da compra deve-se observar o olho do peixe, se ele estiver dilatado é um indício de que não está bom para consumo.
- Lavar bem as mãos e utensílios utilizados antes de tratar
- Realizar uma boa lavagem do peixe
- Fazer um bom cozimento
- Manipular o alimento em ambiente limpo
- O peixe deve ser criado em rios longe de contaminações

FONTE: Carol Paraense e Raquel Casaes, pesquisadoras ouvidas pela reportagem


(Bruna Ribeiro e Karoline Caldeira, estagiárias, sob supervisão de Victor Furtado, coordenador do núcleo de Atualidades)

Palavras-chave

Pará
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