Cesta básica em Belém custa R$ 674 em fevereiro e consome quase 45% do salário mínimo, aponta Dieese
Nos dois primeiros meses de 2026, o custo da cesta básica na capital paraense acumula alta de 1,13%
O custo da cesta básica voltou a registrar aumento em Belém no mês de fevereiro de 2026, segundo levantamento do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) realizado em parceria com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) e divulgado nesta segunda-feira (9). O conjunto de alimentos essenciais passou a custar R$ 674,12, o que representa alta de 0,08% em relação a janeiro, quando o valor era de R$ 673,55.
Apesar da variação mensal ter sido pequena, o estudo aponta que o nível de preços continua elevado e pesa no orçamento das famílias. Para adquirir os 12 produtos que compõem a cesta básica, o trabalhador paraense precisou comprometer cerca de 44,96% do salário mínimo, o equivalente a aproximadamente 91 horas e 29 minutos de trabalho ao longo do mês.
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Entre os itens pesquisados, cinco registraram aumento de preço em fevereiro. A maior alta foi observada no feijão carioca, com avanço de 18,63%, seguido pela manteiga (0,81%), banana (0,73%), carne bovina de primeira (0,56%) e açúcar cristal (0,53%).
Por outro lado, sete produtos apresentaram redução de preços no período. As quedas mais expressivas ocorreram no óleo de soja (-6,67%), tomate (-3,32%) e leite integral (-2,58%). Também tiveram recuo a farinha de mandioca (-1,97%), pão francês (-0,59%), arroz agulhinha (-0,46%) e café em pó (-0,20%).
De acordo com as estimativas da entidade, considerando uma família padrão composta por dois adultos e duas crianças, o gasto mensal com alimentação básica em Belém chegou a R$ 2.022,36 em fevereiro. Para cobrir apenas essa despesa, seriam necessários cerca de 1,24 salários mínimos, tomando como referência o valor atual de R$ 1.621.
Acumulado do ano
Nos dois primeiros meses de 2026, o custo da cesta básica na capital paraense acumula alta de 1,13%. Nesse período, os maiores aumentos foram registrados no feijão carioca (22,75%), tomate (8,40%), banana (3,07%), carne bovina de primeira (1,94%) e pão francês (0,36%).
Em contrapartida, alguns produtos tiveram queda de preço, como farinha de mandioca (-20,58%), óleo de soja (-9,86%), arroz agulhinha (-5,63%), leite integral (-3,82%), manteiga (-2,22%), açúcar cristal (-2,06%) e café em pó (-1,83%).
Comparação em 12 meses
Na comparação entre fevereiro de 2025 e fevereiro de 2026, o valor da cesta básica em Belém apresentou queda de 3,71%. Entre os itens que mais subiram no período estão feijão carioca (17,80%), café em pó (14,93%), pão francês (6,08%) e banana (3,17%).
Já os maiores recuos foram registrados no arroz agulhinha (-40,18%), açúcar cristal (-36,77%), farinha de mandioca (-21,98%) e óleo de soja (-13,18%).
Situação nas capitais
A pesquisa nacional mostra que o custo da cesta básica subiu em 14 capitais brasileiras entre janeiro e fevereiro deste ano e caiu em outras 13. As maiores altas foram registradas em Natal (3,52%), João Pessoa (2,03%) e Recife (1,98%).
No ranking das cidades com maior custo, São Paulo lidera com cesta básica de R$ 852,87, seguida por Rio de Janeiro (R$ 826,98) e Florianópolis (R$ 797,53). Em Belém, o valor de R$ 674,12 coloca a capital paraense em posição intermediária entre as capitais pesquisadas.
Com base na cesta mais cara do país, o levantamento estima que o salário mínimo necessário para suprir as despesas de uma família de quatro pessoas deveria ter sido de R$ 7.164,94 em fevereiro de 2026, o equivalente a 4,42 vezes o salário mínimo vigente de R$ 1.621.
Maiores altas em fevereiro
• Feijão carioca: +18,63% (de R$ 5,69 para R$ 6,75)
• Manteiga: +0,81% (de R$ 59,55 para R$ 60,02)
• Banana: +0,73% (de R$ 10,98 para R$ 11,06)
• Carne bovina de primeira: +0,56% (de R$ 42,82 para R$ 43,06)
• Açúcar cristal: +0,53% (de R$ 3,78 para R$ 3,80)
Comparação em 12 meses
• Feijão carioca: de R$ 5,73 para R$ 6,75 (+17,80%)
• Café em pó: de R$ 59,17 para R$ 67,99 (+14,93%)
• Pão francês: de R$ 15,80 para R$ 16,76 (+6,08%)
• Banana: de R$ 10,72 para R$ 11,06 (+3,17%)
Acumulado do ano
• Feijão carioca: +22,75%
• Tomate: +8,40%
• Banana: +3,07%
• Carne bovina de primeira: +1,94%
• Pão francês: +0,36%
*Thaline Silva, estagiária de jornalismo, sob supervisão de Hamilton Braga, coordenador do núcleo de Política e Economia
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