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Alta do pescado em Belém: 20 espécies ficam mais caras em fevereiro, aponta Dieese

Entre os maiores reajustes anuais estão o tamuatá (+43,72%), pescada gó (+33,70%), filhote (+32,12%) e sarda (+31,77%)

Thaline Silva*
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Um levantamento do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos no Pará (Dieese/PA), realizado em parceria com a Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico de Belém (Sedcon) e divulgado nesta quinta-feira (12), aponta que a maioria dos pescados comercializados nos principais mercados municipais de Belém ficou mais cara em fevereiro de 2026. A pesquisa mostra que 20 dos 23 tipos de peixe analisados registraram aumento de preços em comparação com janeiro, indicando um cenário de encarecimento no início do ano.

Entre as maiores altas no mês estão o tucunaré, com aumento de 24,40%, passando de R$ 20,00 em janeiro para R$ 24,88 em fevereiro. Em seguida aparece o tamuatá, que subiu 10,31%, com preço médio de R$ 24,82 no mês, ante R$ 22,50 no período anterior. O cação também registrou aumento de 7,05%, passando de R$ 19,00 para R$ 20,34.

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Outras espécies também apresentaram reajustes, como a arraia, que subiu 6,76%, passando de R$ 13,75 para R$ 14,68, e a pescada gó, com alta de 6,14%, chegando a R$ 19,52 em fevereiro. Também registraram aumento a serra (+5,88%), que passou de R$ 22,12 para R$ 23,42, e a pescada amarela (+5,68%), que saiu de R$ 35,22 para R$ 37,22.

Entre as espécies populares, a traíra teve alta de 3,94%, passando de R$ 15,50 para R$ 16,11, enquanto o filhote subiu 3,90%, de R$ 39,79 para R$ 41,34. O mapará também apresentou elevação de 3,47%, passando de R$ 18,42 para R$ 19,06.

Na outra ponta, apenas três tipos de pescado registraram queda de preços no período. A tainha caiu 3,70%, passando de R$ 26,20 para R$ 25,23. A pescada branca teve recuo de 2,03%, com preço médio de R$ 19,78 em fevereiro, contra R$ 20,19 em janeiro. Já o aracu registrou queda de 1,95%, passando de R$ 26,67 para R$ 26,15.

Queda no acumulado do ano

Apesar da alta registrada no comparativo mensal, o comportamento foi diferente quando analisado o acumulado do ano. Considerando janeiro e fevereiro de 2026, 19 das 23 espécies pesquisadas apresentaram redução de preços.

As maiores quedas foram observadas no aracu (-32,43%), filhote (-18,48%), pescada gó (-15,88%) e serra (-14,60%). Também registraram recuos o bagre (-14,10%), pescada amarela (-13,92%) e gurijuba (-13,36%).

No mesmo período, algumas espécies acumularam aumento de preços. É o caso do tucunaré (+18,45%), da piramutaba (+14,01%), da tainha (+2,66%) e do cação (+1,18%).

Alta predomina no comparativo anual

A comparação entre fevereiro de 2026 e o mesmo mês de 2025 aponta um movimento predominante de alta. Segundo o levantamento, 22 das 23 espécies analisadas ficaram mais caras no intervalo de 12 meses, muitas com variações superiores à inflação média do período, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), que ficou em cerca de 4,5%.

Entre os maiores reajustes anuais estão o tamuatá (+43,72%), cujo preço médio passou de R$ 17,27 para R$ 24,82, a pescada gó (+33,70%), que subiu de R$ 14,60 para R$ 19,52, o filhote (+32,12%), que passou de R$ 31,29 para R$ 41,34, e a sarda (+31,77%), que saiu de R$ 18,29 para R$ 24,10.

Também tiveram aumentos expressivos espécies como a gurijuba (+27,98%), passando de R$ 25,09 para R$ 32,11, a dourada (+26,34%), que foi de R$ 23,39 para R$ 29,55, e o bagre (+23,39%), com aumento de R$ 13,68 para R$ 16,88.

As únicas exceções foram o tucunaré, que registrou queda de 22,95% no período, passando de R$ 32,29 para R$ 24,88, e a tainha, que teve leve recuo de 0,51%, com preço médio de R$ 25,23 em fevereiro de 2026 frente a R$ 25,36 no mesmo mês do ano anterior.

De acordo com a análise do Dieese/PA e da Sedcon, o comportamento dos preços está relacionado a fatores sazonais e estruturais que afetam a oferta de pescado. Entre eles estão os períodos de defeso, restrições ambientais, mudanças no regime de marés e condições climáticas adversas, que reduzem a quantidade de peixe disponível. Também pesam no custo final despesas operacionais, como combustível e logística.

Com a proximidade da Semana Santa, período tradicionalmente marcado pelo aumento do consumo de pescado, cresce a preocupação com o abastecimento e com possíveis novas pressões sobre os preços. Nesse contexto, iniciativas como feiras especiais do pescado e ações de abastecimento podem ajudar a ampliar a oferta e reduzir a intermediação, contribuindo para manter os preços mais equilibrados ao consumidor.

 Altas no mês de fevereiro 

• Tucunaré: +24,40% (R$ 20,00 → R$ 24,88)

• Tamuatá: +10,31% (R$ 22,50 → R$ 24,82)

• Cação: +7,05% (R$ 19,00 → R$ 20,34)

• Arraia: +6,76% (R$ 13,75 → R$ 14,68)

• Pescada gó: +6,14% (R$ 18,39 → R$ 19,52)

• Serra: +5,88% (R$ 22,12 → R$ 23,42)

• Pescada amarela: +5,68% (R$ 35,22 → R$ 37,22)

• Traíra: +3,94% (R$ 15,50 → R$ 16,11)

• Filhote: +3,90% (R$ 39,79 → R$ 41,34)

• Mapará: +3,47% (R$ 18,42 → R$ 19,06)

*Thaline Silva, estagiária de jornalismo, sob supervisão de Keila Ferreira, coordenadora do núcleo de Política e Economia

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