CONTINUE EM OLIBERAL.COM
X

Preço do litro do açaí chega a R$ 40 em Belém; saiba quando deve baixar

Valor do paneiro do fruto chega a dobrar e obriga batedores a reduzir dias de trabalho ou reajustar preços aos consumidores

Gabriel da Mota
fonte

O preço do litro do açaí médio atingiu a marca de R$ 40 em diversos pontos de venda de Belém nesta primeira quinzena de março, reflexo direto do inverno amazônico. O período de chuvas intensas na região provoca o alagamento das áreas de várzea onde o fruto nativo é cultivado, dificultando a colheita e reduzindo a oferta no mercado local. Como consequência, batedores de bairro e grandes empresários enfrentam a alta no valor do paneiro, que já chegou a ser comercializado por R$ 500 em portos como o da feira da Conceição, no Jurunas.

A baixa oferta de frutos de qualidade oriundos de áreas como as ilhas do Combu e das Onças tem alterado a rotina não apenas de pequenos batedores, mas também de grandes redes gastronômicas. O empresário Nazareno Alves, proprietário de seis operações na capital, relata que a dificuldade em conseguir o fruto durante a entressafra de 2026 é uma das mais complexas já enfrentadas. "Tem dias que só um dos meus restaurantes tem açaí; e os pontos que vendem só açaí, esses eu fecho porque não consigo o fruto", afirma Alves.

image Nazareno Alves, proprietário de uma rede de restaurantes e pontos de venda de açaí na capital (Cristino Martins / O Liberal)

Francinaldo Teixeira, que mantém um ponto de venda no bairro de Nazaré, também precisou reduzir o funcionamento. "Tem vezes que a pessoa passa até uma semana sem trabalhar porque nem todo dia tem açaí com gosto bom. Já estamos encerrando antes das 11h porque não tem venda", explica o batedor.

“O paraense que é acostumado a tomar açaí todo dia está passando um aperto. Eu mesmo, quando não bato, tenho que comprar para os meus filhos que só comem com o fruto", acrescenta.

Além do fator climático, a presença de atravessadores nas feiras é apontada como um dos principais motivos para a manutenção dos preços elevados na capital. Segundo relatos de produtores e vendedores, o atravessador chega a lucrar R$ 100 por lata sem manusear o produto, apenas mediando a venda entre o ribeirinho e o batedor. O custo do transporte também pesa no orçamento, já que o empreendedor precisa pagar pelo carregamento e descarregamento do produto pesado nos portos.

Qualidade do fruto é afetada pelo tempo de transporte

Com a entressafra no Pará, grande parte do açaí consumido em Belém está vindo de Macapá e da região do Marajó. O longo tempo de viagem, que pode ultrapassar 24 horas, interfere diretamente no sabor e na conservação do alimento. Nazareno Alves explica que o estado vizinho ajuda a suprir a demanda, mas não evita o repasse de custos. "Esse ano está bem complexo por causa das mudanças climáticas. Muitas vezes, por vir de tão longe, a qualidade cai. Tem dias que o consumidor quer comprar, mesmo pagando caro, mas não encontra o fruto", detalha.

No Ver-o-Peso, a estratégia para não afastar o cliente tem sido o rendimento do fruto. Valdomiro Aires, que trabalha há 40 anos no local e vende açaí como acompanhamento de refeições, afirma que agora precisa tirar mais litros de uma única lata para compensar o investimento. "A gente tirava seis ou sete litros em uma lata. Agora, tenho que tirar pelo menos oito ou nove para compensar o preço e não passar tudo para o consumidor. A grossura do açaí cai um pouco, mas é o que podemos fazer", explica o vendedor.

image Waldomiro Ayres, vendedor de açaí com refeições no Ver-o-Peso (Cristino Martins / O Liberal)

Safra deve normalizar oferta apenas no mês de junho

De acordo com os profissionais do ramo ouvidos pela reportagem, uma melhora na qualidade do fruto pode aparecer a partir de abril, mas o preço deve se manter elevado devido à alta demanda e à baixa quantidade. O alívio real no bolso do consumidor é esperado apenas para o fim do semestre.

"Entre maio e junho, começa a aparecer mais açaí. Mas é no começo de junho que deve dar uma melhorada nos preços", estima o batedor Francinaldo. O empresário Nazareno Alves corrobora a previsão, indicando que o mercado deve levar cerca de três meses para se estabilizar. "É a lei da oferta e da demanda. Se não tem fruto, passamos por essa dificuldade. Só daqui a uns três meses a qualidade e o preço devem normalizar", projeta.

Custo do açaí em Belém (março/2026)

Paneiro (duas latas): de R$ 350 até R$ 500

Lata: média de R$ 200 a R$ 250 (na safra custa entre R$ 50 e R$ 130)

Litro médio: comercializado entre R$ 30 e R$ 55

Litro grosso: pode chegar a R$ 100

Rendimento: na safra, uma lata produz 6 litros; na entressafra, batedores fazem render até 8 litros para não ter prejuízo

Assine O Liberal e confira mais conteúdos e colunistas. 🗞
Entre no nosso grupo de notícias no WhatsApp e Telegram 📱
Economia
.
Ícone cancelar

Desculpe pela interrupção. Detectamos que você possui um bloqueador de anúncios ativo!

Oferecemos notícia e informação de graça, mas produzir conteúdo de qualidade não é.

Os anúncios são uma forma de garantir a receita do portal e o pagamento dos profissionais envolvidos.

Por favor, desative ou remova o bloqueador de anúncios do seu navegador para continuar sua navegação sem interrupções. Obrigado!

ÚLTIMAS EM ECONOMIA

MAIS LIDAS EM ECONOMIA