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Roberta Carvalho, diretora artística da NAVE fala sobre Amazônia, carreira e detalhes do Rock in Rio

A artista visual possui obras em acervos e já assinou exposições e festivais

Emanuele Corrêa

A artista visual, multimídia e diretora artística Roberta Carvalho desenvolve trabalhos e pesquisas com intervenções urbanas e ligadas à cultura e arte paraense. Mestra em artes visuais pela Universidade Estadual Paulista, possui obras em acervos e já assinou exposições e festivais. Atualmente Roberta é a diretora artística da NAVE, projeto da Natura e Rock in Rio de experiência multissensorial, que irá levar a Amazônia para a cidade do rock, no Rio de Janeiro, por meio de shows, projeções e outras experiências sensoriais e contou com exclusividade a equipe da Redação Integrada de O Liberal os detalhes.

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1. Como aconteceu o convite para ser diretora artística da NAVE?

O convite aconteceu, após eu ter participado de um workshop que Natura e Rock in Rio estavam desenvolvendo com diversos artistas, pensadores e ativistas da Amazônia. A princípio, fui fazer uma apresentação sobre os trabalhos que venho desenvolvendo ao longo desses anos de pesquisa. Algum tempo depois veio o convite para assumir a direção artística. Fiquei feliz e muito entusiasmada com a possibilidade. Ao mesmo tempo eu sabia da importância e responsabilidade daquele convite.

2. Quanto tempo o projeto levou de conceituação, criação, curadoria e quantas pessoas envolvidas?

Estamos há pelo menos 2 anos. Ia ocorrer em 2021, mas a situação pandêmica fez o cronograma se projetar para 2022. O tempo foi importante para desenvolver e amadurecer o projeto e o direcionamento que gostaríamos de dar a ele. Quando falamos de Amazônia, temos diversas possibilidade. O foco que escolhemos foi falar da contemporaneidade da Amazônia, a partir do olhar de seus artistas, seus ativistas e das mais diversas vozes ali presentes, a partir de uma experiência que contemplasse uma diversidade de linguagens, artistas e territórios. O projeto foi se desenvolvendo. Na equipe criativa, de produção, conselho criativo, arquitetura, engenharia, comunicação, somos dezenas de pessoas.

3. Como será o espaço no Rock in Rio?

Um espaço imersivo com mais de 1.300 m², composto por projeções em 360 graus, com paredes com altura de mais de 10 metros, acompanhados de uma sonoridade poderosa e envolvente. As projeções apresentam um filme-experiência que conduzem o visitante a um mergulho nas obras de diversos artistas da região. Teremos uma aparelhagem dentro da NAVE, desenhada pelo conhecido projetista de aparelhagem João do Som, que a construiu e desenvolveu especialmente para o Rock in Rio. Em forma de um barco, típico dos rios da Amazônia, e ao mesmo tempo com um design surpreendente e futurista, o barco-aparelhagem da Nave receberá diversos DJs e artistas da música, além de ser parte dessa instalação artística que é a NAVE 2022. As aparelhagens representam uma manifestação muito importante e única das periferias de Belém. Ter uma aparelhagem dentro da Nave é uma forma de reafirmar a cultura periférica como aquela que aponta a renovação e a transformação da cultura dos nosso país. A Nave também apresentará artistas da performance e pretende transbordar nossa cultura dentro do Rock in Rio.

4. Qual a expectativa para este evento?

A nossa expectativa é que o público possa se conectar com nossa diversidade e potência ao longo dos 7 dias de evento. O Rock in Rio recebe cerca de 70 mil pessoas por dia. E para além disso, estamos desenvolvendo diversos conteúdos audiovisuais, onde o público poderá entender mais sobre o processo de produção da Nave, conhecer aspectos culturais da nossa região, como no documentário que está em desenvolvimento, intitulado “Noites Amazônicas”, além de outras conteúdos que giram ao redor do projeto e que será de conhecimento do público.

Roberta Carvalho, diretora artística da NAVE (Reprodução / Julia Rodrigues)


5. Como você se sente representando a Amazônia e o que espera com esse espaço?

É uma enorme responsabilidade, mas como ensina a ancestralidade, o sentido da vida se faz na coletividade. Mostrar a força, atualidade e importância da arte produzida na Amazônia. A nossa região abriga cerca de 40% da floresta tropical remanescente do mundo e 25% da biodiversidade existente no planeta. O equilíbrio climático do planeta passa pela preservação da floresta amazônica. Dentro dessa floresta existe gente, uma diversidade de culturas, saberes e formas de viver. A NAVE pretende desconstruir os estereótipos reducionistas sobre Amazônia e construir percepções empáticas sobre a potência da região, a partir de um olhar de multiplicidade: são muitas Amazônias. Preta, coletiva, originária, mas ao mesmo tempo é pop, contemporânea, é o tecnobrega, a cultura que pulsa na periferia das cidades.


6. Como estás e como te vês daqui a 5 anos?

Ocupo meu tempo dedicada aos projetos que desenvolvo. Nem sempre foi assim. Já precisei trabalhar com outras coisas para poder sustentar o meu fazer artístico. Até o final do ano, além do Rock in Rio, tenho exposições nacionais e internacionais e mais alguns projetos que vão ser lançados esse ano, entre eles, uma edição novíssima do Festival Amazônia Mapping. Daqui a 5 anos quero estar com saúde e energia para continuar a fazer arte, pesquisar e experimentar. A arte nos possibilita renovar nossas formas de ver o mundo. A arte é a minha forma de estar no mundo, é minha maneira de viver, enquanto eu estiver aqui, quero poder fazer isso.

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